| |
|
|
|
O convívio
familiar é a mais fundamental das experiências
da vida. Seja qual for a natureza de nossas origens, todos tivemos
pais presentes, ausentes, amorosos ou não-amorosos ,
e a Mãe-Terra e o Pai Céu são os grandes
símbolos míticos da origem do mundo, assim como
de nosso próprio começo. Todos viemos de algum
lugar e, não importa no que nos transformemos na vida,
não podemos desfazer o passado. Herdamos de nosso meio
familiar não apenas padrões genéticos,
mas também padrões psicológicos, e os indivíduos
em quem nos transformamos são em parte criação
nossa, em parte herança do passado. Os mitos não
nos dão soluções simples para as dificuldades
familiares. Retratam a dinâmica familiar tal como ela
é, com todas as suas alegrias, tristezas e complexidades.
No entanto, há nessas histórias um poder misterioso
e transformador. Embora a dinâmica arquetípica
da vida familiar seja eterna, a mudança e a cura são
sempre possíveis -- dentro de nós mesmos, se não
nas circunstâncias ao nosso redor. PAIS E
FILHOS A mitologia nos
oferece uma vasta gama de histórias sobre as relações
entre pais e filhos. Desde as turbulentas altercações
dos deuses olímpicos até o trágico destino
de dinastias reais, a imaginação humana sempre
encontrou consolo e esclarecimento na criação
de histórias sobre mães, pais, filhos, filhas
e o mistério do que nos une através de laços
afetivos impossíveis de romper. Não há
dilema entre pais e filhos que não tenha um equivalente
mítico, e não há resolução
de conflitos que não se reflita nas histórias
mitológicas. TÉTIS
E AQUILES Tétis era
a grande deusa do mar e dominava tudo o que se movia em suas
profundezas. Mas chegou o momento de ela se casar e Zeus, o
rei dos deuses, tinha ouvido uma profecia prevendo que, se Tétis
desposasse um deus, teria um filho maior do que o próprio
Zeus. Preocupado com a possibilidade de perder sua posição,
Zeus casou a deusa do mar com um mortal chamado Peleu. Esse
casamento misto não foi mal, e os dois se acomodaram
com relativa harmonia -- embora Peleu às vezes se ressentisse
dos poderes sobrenaturais da mulher e, vez por outra, Tétis
julgasse haver-se casado com um homem abaixo de sua posição.
Com o tempo, Tétis teve um filho, a quem deu o nome de
Aquiles. Como o pai dele era mortal, Aquiles era um menino mortal,
que teria seu tempo na terra ditado pelas Parcas, como todos
os seres mortais. Mas Tétis não estava satisfeita
com essa perspectiva; sendo imortal, não queria permanecer
eternamente jovem, vendo seu filho envelhecer e morrer. Assim,
em segredo, levou o recém-nascido até o rio Estige,
em cujas águas residia o dom da imortalidade. Segurou
o menino por um dos calcanhares e o mergulhou na água,
acreditando que com isso tinha tornado-o imortal. Mas o calcanhar
pelo qual ela o segurou não foi tocado pelas águas
do Estige, e Aquiles ficou vulnerável nesse ponto. Ao
chegar à idade adulta e combater na Guerra de Tróia,
Aquiles foi mortalmente ferido ao ser atingido por uma flecha
no calcanhar. Embora ele tenha conquistado grande glória
e viesse a ser lembrado para sempre, Tétis não
conseguiu enganar as Parcas nem transformar o que era humano
na matéria de que são feitos os deuses.
|
As páginas da Magnífica® não enviam executáveis, anexos ou downloads.
E-MAIL - magnifica@magnifica.com.br
| |
|
|||
Estilo Net - Direitos Reservados