“Paz é frutescência do amor. Quem ama verdadeiramente
perdoa, esquece, restaura e, por isso, segue em paz.”
O mundo material é
transitório, efêmero, e a matéria qual a vemos,
é de mínima importância no Universo, se bem que
nos pareça, agora, de suma importância. Eterno é
o que não vemos; temporário o que vemos. Diversos mundos
destinados à habitação de Espíritos falidos
e, como tais, sujeitos à encarnação humana. Esses
mundos também são apropriados ao estado de desenvolvimento
e de progresso dos Espíritos que os habitam. Assim é que
são: materiais, mais ou menos inferiores, mais ou menos superiores
uns com relação aos outros; mais ou menos materiais, mais
ou menos fluídicos.
Servindo, para a encarnação dos espíritos que faliram
para seu desenvolvimento e progresso, também têm que, através
dos tempos, dos séculos, das eternidades, tomarem lugar entre
os mundos celestes ou divinos, dos quais só os puros Espíritos
podem aproximar-se.
O Plano Divino é o da evolução e dentro dele todas
as formas de progresso das criaturas se verificariam sem o concurso
desses movimentos lamentáveis, que atestam à pobreza moral
da consciência do mundo. Formado dos espíritos desencarnados,
o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós
como no espaço, sem limite algum designado.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno,
preexistente e sobrevivente a tudo. Também o mundo espiritual
é assim composto de diferentes planos, evidenciando variadíssimos
graus de adiantamento. Diz-se, do Mundo Espiritual, que o Dr. Antonio
Joaquim Freire foi o grande impulsionador do movimento espírita
português e, presentemente, um dos seus diretores e responsáveis
espirituais pela evidente vivacidade e seu extraordinário dinamismo.
Médico, escritor, jornalista formara-se em Medicina, obtendo
também o curso de Medicina Sanitária, pela prestigiada
“Universidade de Coimbra”. Sendo um dos fundadores da Federação
Espírita Portuguesa, um distinto membro, onde exerceu a função
de primeiro vice-presidente, da primeira direção eleita,
em 31 de julho de 1926, para um quadriênio.
Quem o escutasse, nas suas múltiplas conferências, verificava
que ele era uma pessoa muito ilustre. Escreveu obras notáveis
sobre o Espiritismo, algumas reeditadas no Brasil, na Argentina e também
em Portugal. Nasceu no dia 20 de julho de 1877, na vila e freguesia
de Espinhal, concelho de Penela, distrito de Coimbra, regressando à
pátria espiritual com 82 anos, no dia 3 de março de 1958,
na cidade de Lisboa, vitimado por uma bronco-pneumonia que lhe provocara
uma síncope cardíaca fulminante. Discordante declarado
da República foi preso em maio de 1911, permanecendo nos calabouços
da famosa prisão (A Trafaria). Em março de 1912, fugiu
de Portugal, passando por diversos países, estabelecendo-se finalmente
na Argentina em 1913, regressando a sua pátria em outubro de
1917.
Antonio Joaquim Freire dividiu a direção da “Revista
de espiritismo” com o Dr. Afonso Acácio Martins Velho (Advogado
e Escritor), professor Dr. Antonio Lobo Vilela, (matemático e
escritor), tendo como secretário da redação o jornalista
Pedro Cárdia. Dr. Alberto Zagalo Fernandes (ex-presidente da
Associação Acadêmica de Lisboa), e José Neves
completavam essa dinâmica equipe. Esse periódico bimestral
tinha 40 páginas, sendo muito conceituado internacionalmente.
Presentemente a revista voltou à tipografia em 1994, revelando-se
um elo importante de religação com esse passado ilustre
que a ditadura fascista repressora reduziu a estaca zero. J. Camilo
de Almeida narra parte da atividade frutífera de Antonio Joaquim
Freire nos seus périplos em solo lusitano: “As viagens
do Dr. Antonio Joaquim Freire por todo País, as suas brilhantíssimas
conferências que proferiu nas principais cidades construíram
uma verdadeira apoteose daquelas jornadas para a Causa que começava
a despontar na sua terra. Ela lança, assim, a estrutura da organização,
congraça energia dispersas, anima os titubeantes, insufla aquela
fé tão necessária nos primeiros momentos de combate;
ele ascende os primeiros fachos, em breve se tornariam labaredas altas,
destruidoras das trevas dos fanatismos e dos velhos preconceitos que
sepultam as almas ansiosas. Ele ainda agora eletriza as multidões
com a sua palavra convincente e magnetizadora; ele é luz, é
vida, porque ilumina as almas, porque tonifica os corpos, rasgando novos
horizontes à finalidade do espírito humano”.
Talvez alguém possa
achar essa biografia com uma colocação do português
estranho e realmente o é, já que esta foi totalmente editada
no país deste famoso espírita português, homem de
destaque, dedicado às causas da doutrina espírita e a
Medicina que exerceu com denodo e satisfação. Nem por
isso deixaremos de ilustrar o quadro de espíritas com o nome
dessa figura exponencial portuguesa e pouco conhecido no nosso Brasil.
Por altura dos anos penosos da II Grande Guerra Mundial, Antonio Joaquim
Freire faz uma interrupção na sua participação
no movimento espírita durante cerca de quatro anos. A revista
“Além”, nos finais de 1947 salienta entusiastamente
o seu regresso as lides doutrinárias, depois de uma prolongada
doença que o inutilizou mais de quatro anos, passou no Porto,
na sua viagem de convalescença, e conviveu alguns dias em amena
camaradagem. A direção da Sociedade Portuense de Investigações
Psíquicas congratula-se pelo regresso à atividade espírita
de seu amigo, colaborador e criador dessa Associação,
Sr. Antonio Joaquim Freire, só agora restabelecido da sua longa
doença. E, sobre as conferências estava pronto a fazê-las
dentro de meses “serão anunciadas nos diários do
Porto e, como habitualmente, a entrada será livre”. E noutro
número da mesma revista “O Dr. Antonio Joaquim Freire”,
depois de longos quatro anos de ausência que a doença e
os desgostos fizeram afastar do convívio dos patrícios.
Volta novamente as lides a encher o vácuo que nos rodeava, com
sua palavra fluente e eletrizante, com a sua ciência, com o prestígio
do seu nome, a impor a Causa, a difundir a sua sublime doutrina. “Eis,
de novo na luta”. “O Comércio do Povo” e o
“Jornal de Notícias”, ambos da Cidade Invicta, sendo
os diários sociais de maior tiragem e mais conceituados da época,
davam-lhe com freqüência lugar nas suas páginas, ao
noticiar suas conferências e seus périplos. Legou-nos obras
como: à Margem do Espiritismo, A Alma Humana, A Energia Mental
e as Formas de Pensamento, Animismo e Espiritismo, da Evolução
do espiritismo Experimental ou Comentários a uma Pastoral.
Naturalmente que uma autobiografia não se faz decorado e por
mais estudada que fosse sempre existiriam vácuos na sua confecção.
Algumas fontes foram pesquisadas como: In-“Sol de Esperança”,
psicografado por Divaldo Pereira Franco; Revista de espiritismo, dos
meses de setembro e outubro de 1929; Revista “Além”,
janeiro e fevereiro de 1948, editada pela sociedade Portuense de estudos
Psíquicos e outras obras da literatura portuguesa. Espero ter
contribuído mais uma vez para levar aos conterrâneos brasileiros
mais conhecimentos de homens ilustres que se destacaram na doutrina
espírita. Assim seja.
enviado por
ANTONIO PAIVA
RODRIGUES - Oficial Superior da Polícia Militar-Bacharel
em Segurança Pública-Gestor de Empresas e Estudante de
Jornalismo da FGF.
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