“Aos irmãos menos felizes,
auxilia como possas, esquece as faltas alheias, e sim, pensemos nas
nossas.”
(Cornélio Pires)
Um Espírito que
irradia ternura e sabedoria, despertando-nos para a vivência do
amor na sua mais elevada expressão, mesmo que, para vivê-lo,
seja-nos imposta grande soma de sacrifícios. Trata-se do Espírito
que se faz conhecido pelo nome Joanna de Ângelis, e que, nas estradas
dos séculos, vamos encontrá-la na mansa figura de Joana
de Cusa, uma discípula de Francisco de Assis, na grandiosa Sóror
Juana Inês de La Cruz e na intimorata Joanna Angélica de
Jesus. Joana de Cusa, uma das piedosas mulheres do Evangelho. Era esposa
de Cuza, procurador de Herodes, o Tetrarca (governador de uma tetrarquia),
(cada uma das partes de um estado ou província dividida em quatro
governos). Joana foi curada por Jesus (Lucas VIII 2 e 3), com Maria
de Madalena, Suzana e muitas outras mulheres, as quais lhe prestava
assistência com os seus bens. Em Lucas 24:10 é mencionada
entre as mulheres que, na manhã da Páscoa, tendo ido ao
sepulcro de Jesus, o encontraram vazio.
Em Roma, no ano de 27
de agosto de 68, por não ter renunciado sua fé em Jesus,
é sacrificada, numa fogueira no Coliseu. Desencarnou perdoando
seus carrascos. Joana de Cusa, segundo informações de
Humberto de Campos, no livro “Boa Nova”, era alguém
que possuía verdadeira fé. Narra o autor que: “Entre
a multidão que invariavelmente acompanhava Jesus nas pregações
do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação
e nobre caráter, das mais altamente colocadas na sociedade de
Cafarnaum”. “Trata-se de Joana, consorte de Cusa, intendente
de Ântipas, na cidade onde se conjugavam interesses vitais de
comerciantes e de pescadores.” O seu esposo, alto funcionário
de Herodes, não lhe compartilhava os anseios de espiritualidade,
não tolerando a doutrina daquele Mestre que Joana seguia com
acendrado amor. Vergada ao peso das injunções domésticas,
angustiada pela incompreensão e intolerância do esposo,
buscou ouvir a palavra de conforto de Jesus que, ao invés de
convidá-la a engrossar as fileiras dos que o seguiam pelas ruas
e estradas da Galiléia, aconselho-a a seguí-Lo a distância.
Servindo-O dentro do próprio lar, tornando-se um verdadeiro exemplo
de pessoa cristã, no atendimento ao próximo mais próximo:
seu esposo, a quem deveria servir com amorosa dedicação,
sendo fiel a Deus, amando o companheiro do mundo como se fora seu filho.
Jesus traçou-lhe um roteiro de conduta que facultou viver com
resignação o resto de sua vida. Mais tarde, tornou-se
mãe. Com o passar do tempo, as atribuições se foram
avolumando. O esposo, após uma vida tumultuada e inditosa, faleceu,
deixando Joana sem recursos e com o filho para criar. Corajosa buscou
trabalhar. Esquecendo “o conforto da nobreza material, dedicou-se
aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos
afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão”.
Trabalhou até a velhice. Já com a idade avançada,
com os cabelos embranquecidos, foi levada ao circo dos martírios,
juntamente com o filho moço, para testemunhar o amor por Jesus,
o Mestre que havia iluminado a sua vida acenando-lhe com esperanças
de um amanhã feliz. Narra Humberto de Campos no livro citado:
“Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações.
Abjura!... Exclamava um executor das ordens imperiais, de olhar cruel
e sombrio”. A Antiga discípula do Senhor contempla o Céu,
sem uma palavra de negação ou queixa. Então o açoite
vibra sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas: “Repudia
a Jesus minha mãe!... Não vês que nós perdemos?!
Abjura!... por mim, que sou teu filho!...” Pela primeira vez,
dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas.
As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe
retalham o coração. Após recordar sua existência
inteira, responde: “Cala-te, meu filho!”. Jesus era puro
e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora
dolorosa, porque, acima de todos as felicidades transitórias
do mundo, é preciso ser fiel a Deus. Logo em seguida, as labaredas
consomem seu corpo envelhecido libertando-a para a companhia de seu
Mestre, a quem tão bem soube servir e com quem aprendeu a sublimar
o amor.
ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ALOMERCE E
DA ACI
TODO CONTEÚDO DAS
ORAÇÕES, MENSAGENS ESPÍRITAS E PSICOGRAFIAS PODERÁ
SER COPIADO, PUBLICADO, DIVULGADO SEM AUTORIZAÇÃO PRÉVIA
DESDE QUE SEJA SEM FINS LUCRATIVOS.