Chico Xavier

Santidade Espírita

A comoção dos fiéis

Para o antropólogo Bernardo Lewgoy, o contato privilegiado que Chico Xavier tem com o mundo espiritual justifica a aura de santidade que lhe conferem, bem como as conversões que ele provoca em torno de si. "Ele traz revelações, tem muitos dons mediúnicos privilegiados, que muitas pessoas não tem", diz o antropólogo.

Ele acaba de defender sua tese de doutorado na USP, na qual discorre sobre a religião espírita e o mundo das letras, com um capítulo ao médium mineiro.

"Chico não se pensa como santo, o espiritismo não o faz, mas ele é objeto de uma santificação popular, um pouco como o padre Cícero, por ser visto como alguém que está mais próximo de Jesus e por ter sido escolhido entre tantas pessoas para receber as mensagens dos mortos".

O antropólogo observa, entretanto, que a santidade espírita não pode ser entendida da mesma maneira como os católicos a entendem.

"Ele é um santo que não se retira do mundo. Ele é um renunciante, tem uma ligação privilegiada com o outro mundo, mas nunca deixa de ter o pé na terra.

Ele fica entre os dois mundos e representa um modelo novo de santidade".

Santificado ou não, para quem o conhece ou teve algum tempo de convivência, a humildade sincera de Chico é talvez a característica mais marcante.

"Ele é uma pessoal genuinamente humilde, bondosa e de profundo amor pela humanidade, mas nada o incomoda mais do que elogiá-lo, dizer que ele é uma pessoa ímpar, sem igual. Isso o incomoda profundamente", diz a médica Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, que conheceu e trabalhou com Chico logo que ele chegou a Uberaba, em 1959.

"Ele sempre declarou que todos os livros que recebeu pertencem aos espíritos e que ele mesmo não tem valor. Ele luta ainda contra suas própria imperfeições e já declarou que não quer ver a ficha espiritual dele antes de desencarnar".

Outra característica marcante na vida de Chico Xavier é a sua disciplina, sua postura de "inflexível cumpridor de ordens, amante das normas e legalista até o extremo", ou seja, um perfeito "caxias", como explica o antropólogo Bernardo Lewgoy.

"Ele é um modelo de santo e cidadão. É um espírita exemplar, um homem religioso e ao mesmo temo um cumpridor de deveres cívicos", diz ele.

De fato, Chico foi um "funcionário" exemplar tanto no mundo físico, por sua dedicação ao trabalho, ao familiares e aos fiéis, como do mundo espiritual, visto que obedeceu diligentemente as instruções de seu mestre espiritual, Emmanuel, que a certa altura lhe declarou literalmente que sua vida havia sido "desapropriada" pelos "mentores da vida superior", que determinaram que sua atual existência na Terra fosse dedicada à divulgação dos princípios espíritas cristãos.

Além de receber a tarefa de escrever centenas de obras que popularizaram o espiritismo no Brasil - e daqui exportaram-se para o mundo - Chico sempre teve que se conformar em não receber nenhum tipo privilégio espiritual, nem mesmo para ajudar na cura de tantas doenças que constantemente abalaram sua saúde e dificultaram seu dia-a-dia.

"Com Chico a gente aprende essa caridade superlativa que é a abnegação.

O fato de ele dormir pouco, não constituir família, receber milhares de pessoas toda a vida sem esperar nada em troca e com a nítida impressão de que fazia pouco", sintetiza a amiga Marlene Nobre.

Grupo Mensagem da Paz


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