Chico Xavier
Visões
da falecida Mãe
Com
mais de 400 obras publicadas e 25 milhões de exemplares vendidos,
Chico
Xavier é inquestionavelmente um dos maiores fenômenos
editoriais do país.
O único
brasileiro que o superou é Paulo Coelho, com 30 milhões
de livros vendidos.
Filho
de família modesta, só pôde estudar até
a 4º série primária e ainda criança começou
a trabalhar para ajudar sua extensa família.
Seu
pai, João Candido Xavier, teve nove filhos com sua mãe,
Maria João de Deus, que morreu quando Chico tinha cinco anos.
Depois de sofrer dois anos nas mãos da madrinha Rita de Cássia,
que o surrava quase que diariamente, voltou a morar com seu pai quando
ele se casou com a segunda mulher, Cidália, e teve mais seis
filhos.
Foi
quando penava nas mãos da madrinha que Chico começou
a ter as primeiras visões. Ele via a falecida mãe, que
o consolava dos maus-tratos e lhe dava conselhos de obediência
e humildade, marcas presentes em toda a sua vida.
Dada
sua precária formação escolar, quando publicou
sua primeira obra Parnaso Além-Tumulo, que chegou às
livrarias em 1932, causou alvoroço.
Era
uma coletânea de 59 poemas assinados por poetas ilustres mortos.
Na época
do lançamento, o livro era um escândalo. Ninguém
entendia por que o jovem autor do livro não assumia a autoria
dos poemas, mas Chico manteve-se firme aos ataques, recusando todas
as propostas de negar o fato de que todos aqueles poemas haviam sido
ditados pelos espíritos de defuntos tão ilustres.
Desde
que iniciou sua fértil carreira de escritor mediúnico,
Chico abriu mão de todo e qualquer benefício oriundo
de sua privilegiada verve psicográfica.
Sempre
recusou direitos autorais, favores pessoais, empregos e mesmo presentes
dados em troca de suas consultas e "mensagens particulares"
psicografadas por ele com mais freqüência a partir de 1967,
quando completou 40 anos de contato com além.
Vive
até hoje com a aposentadoria de escrevente-datilógrafo
de uma inspetoria regional do Ministério da Agricultura e com
a ajuda modesta de amigos e admiradores.
Tanto
os direitos autorais como as grandes somas e vultuosos presentes que
recebeu sempre foram passados adiante para alguma instituição
de caridade ou
pessoa necessitada.
Em 1981,
o deputado Freitas Nobre entregou 110 quilos de documentação
ao Instituto Nobel, na Suécia, que justificavam a indicação
de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz.
Os papéis
faziam um resumo da trajetória do médium: 64 obras assistenciais
ajudadas por ele serviam como amostragem das quase duas mil entidades
que giravam em torno da renda gerada por suas campanhas beneficentes
e por seus 183
títulos publicados até então.
Viúva
do deputado Freitas Nobre, Marlene Nobre, presidente da Associação
Médico-Espírita do Brasil, conta que só nessa
época houve uma preocupação de contabilizar as
obras assistenciais geradas a partir de Chico.
Ele
lembra que as atividades assistenciais do médium se iniciaram
quando ele ainda vivia em Pedro Leopoldo. "Uma pessoa mais pobre
que ele era impossível, entretanto, ele juntava pães
e ia doar aos mais pobres.
O princípio
de Chico sempre foi: doe das suas horas, do seu conhecimento e do
seu bolso, sem esperar recompensa".
Ela
conta que a partir desse exemplo, inúmeros centros espíritas
começaram a fazer o mesmo, embora esta prática já
tenha sido estimulada pelo Dr. Bezerra de Menezes, que exerceu função
marcante na doutrina no século XIX.
"Os
espíritas nunca se acomodaram diante do fato de estarmos em
um país pobre.
Somos
empenhados em minimizar a dor do irmão do lado", diz ela
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