EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E WALDO VIEIRA
DITADO PELO ESPÍRITO ANDRE LUIZ
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Corpo espiritual
RETRATO DO CORPO MENTAL
— Para definirmos de alguma sorte, o corpo espiritual, é
preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo
do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico
que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual,
retrata em si o corpo mental (3) que lhe preside a formação.
Do ponto de vista da constituição e função
em que se caracteriza na esfera imediata ao trabalho do homem, após
a morte, é o corpo espiritual o veículo físico
por excelência, com sua estrutura eletromagnética, algo
modificado no que tange aos fenômenos genésicos e nutritivos,
de acordo, porém, com as aquisições da mente que
o maneja.
Todas as alterações que apresenta, depois do estágio
berço-túmulo, verificam-se na base da conduta espiritual
da criatura que se despede do arcabouço terrestre para continuar
a jornada evolutiva nos domínios da experiência.
Claro está, portanto, que é ele santuário vivo
em que a consciência imortal prossegue em manifestação
incessante,
(3) O corpo mental, assinalado
experimentalmente por diversos estudiosos, é o envoltório
sutil da mente, e que, por agora, não podemos definir com mais
amplitude de conceituação, além daquela em que
tem sido apresentado pelos pesquisadores encarnados, e isto por falta
de terminologia adequada no dicionário terrestre. — (Nota
do Autor espiritual).
além do sepulcro,
formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente
porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra
faixa vibratória, à face do sistema de permuta visceralmente
renovado, se distribuem mais ou menos à feição
das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica,
comportando-se no espaço segundo a sua condição
específica, e apresentando estados morfológicos conforme
o campo mental a que se ajusta.
CENTROS VITAIS — Estudado no plano em que nos encontramos, na
posição de criaturas desencarnadas, o corpo espiritual
ou psicossoma é, assim, o veículo físico, relativamente
definido pela ciência humana, com os centros vitais que essa mesma
ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecer.
Nele possuímos todo o equipamento de recursos automáticos
que governam os bilhões de entidades microscópicas a serviço
da Inteligência, nos círculos de ação em
que nos demoramos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser,
em milênios e milênios de esforço e recapitulação,
nos múltiplos setores da evolução anímica.
É assim que, regendo a atividade funcional dos órgãos
relacionados pela fisiologia terrena, nele identificamos o centro coronário,
instalado na região central do cérebro, sede da mente,
centro que assimila os estímulos do Plano Superior e orienta
a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e
a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada, nas cintas de
aprendizado que lhe corresponde no abrigo planetário. O centro
coronário supervisiona, ainda, os outros centros vitais que lhe
obedecem ao impulso, procedente do Espírito, assim como as peças
secundinas de uma usina respondem ao comando da peça-motor de
que se serve o tirocínio do homem para concatená-las e
dirigi-las.
Desses centros secundários, entrelaçados no psicossoma
e, conseqüentemente, no corpo físico, por redes plexiformes,
destacamos o centro cerebral contíguo ao coronário, com
influência decisiva sobre os demais, governando o córtice
encefálico na sustentação dos sentidos, marcando
a atividade das glândulas endocrínicas e administrando
o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação,
atividade e mecanismo, desde os neurônios sensitivos até
as células efetoras; o centro laríngeo, controlando notadamente
a respiração e a fonação; o centro cardíaco,
dirigindo a emotividade e a circulação das forças
de base; o centro esplênico, determinando todas as atividades
em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações
de meio e volume sangüíneo; o centro gástrico, responsabilizando-se
pela digestão e absorção dos alimentos densos ou
menos densos que, de qualquer modo, representam concentrados fluídicos
penetrando-nos a organização, e o centro genésico,
guiando a modelagem de novas formas entre os homens ou o estabelecimento
de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação
e à realização entre as almas.
CENTRO CORONÁRIO — Temos particularmente no centro coronário
o ponto de interação entre as forças determinantes
do espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas.
Dele parte, desse modo, a corrente de energia vitalizante formada de
estímulos espirituais com ação difusível
sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais
centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, idéias
e ações, tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes
entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais
implementos de nossa constituição particular, plasmando
em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis
de nossa influência e conduta.
A mente elabora as criações que lhe fluem da vontade,
apropriando-se dos elementos que a circundam, e o centro coronário
incumbe-se automaticamente de fixar a natureza da responsabilidade que
lhes diga respeito, marcando no próprio ser as conseqüências
felizes ou infelizes de sua movimentação consciencial
no campo do destino.
ESTRUTURA MENTAL DAS CÉLULAS — É importante considerar,
todavia, que nós, os desencarnados, na esfera que nos é
própria, estudamos, presentemente, a estrutura mental das células,
de modo a iniciarmo-nos em aprendizado superior, com mais amplitude
de conhecimento, acerca dos fluídos que nos integram o clima
de manifestação, todos eles de origem mental e todos entretecidos
na essência da matéria primária, ou Hausto Corpuscular
de Deus, de que se compõe a base do Universo Infinito.
CENTROS VITAIS E CÉLULAS — São os centros vitais
fulcros energéticos que, sob a direção automática
da alma, imprimem às células a especialização
extrema, pela qual o homem possui no corpo denso, e detemos todos no
corpo espiritual em recursos equivalentes, as células que produzem
fosfato e carbonato de cálcio para a construção
dos ossos, as que se distendem para a recobertura do intestino, as que
desempenham complexas funções químicas no fígado,
as que se transformam em filtros do sangue na intimidade dos rins e
outras tantas que se ocupam do fabrico de substâncias indispensáveis
à conservação e defesa da vida nas glândulas,
nos tecidos e nos órgãos que nos constituem o cosmo vivo
de manifestação.
Essas células que obedecem às ordens do espírito,
diferenciando-se e adaptando-se às condições por
ele criadas, procedem do elemento primitivo, comum, de que todos provimos
em laboriosa marcha no decurso dos milênios, desde o seio tépido
do oceano, quando as formações protoplásmicas nos
lastrearam as manifestações primeiras.
Tanto quanto a célula individual, a personalizar-se na ameba,
ser unicelular que reclama ambiente próprio e nutrição
adequada para crescer e reproduzir-se, garantindo a sobrevivência
da espécie no oceano em que respira, os bilhões de células
que nos servem ao veículo de expressão, agora domesticadas,
na sua quase totalidade em funções exclusivas, necessitam
de substâncias especiais, água, oxigênio e canais
de exoneração excretória para se multiplicarem
no trabalho específico que nosso espírito lhes traça,
encontrando, porém, esse clima, que lhes é indispensável,
na estrutura aquosa de nossa constituição fisiopsicossomática,
a expressar-se nos líquidos extracelulares, formados pelo líquido
intersticial e pelo plasma sangüíneo.
EXTERIORIZAÇÃO DOS CENTROS VITAIS — Observando o
corpo espiritual ou psicossoma, desse modo em nossa rápida síntese,
como veículo eletromagnético, qual o próprio corpo
físico vulgar, reconheceremos fácilmente que, como acontece
na exteriorização da sensibilidade dos encarnados, operada
pelos magnetizadores comuns, os centros vitais a que nos referimos são
também exteriorizáveis, quando a criatura se encontre
no campo da encarnação, fenômeno esse a que atendem
habitualmente os médicos e enfermeiros desencarnados, durante
o sono vulgar, no auxílio a doentes físicos de todas as
latitudes da Terra, plasmando renovações e transformações
no comportamento celular, mediante intervenções no corpo
espiritual, segundo a lei do merecimento, recursos esses que se popularizarão
na medicina terrestre do grande futuro.
CORPO ESPIRITUAL DEPOIS DA MORTE — Em suma, o psicossoma é
ainda corpo de duração variável, segundo o equilíbrio
emotivo e o avanço cultural daqueles que o governam, além
do carro fisiológico, apresentando algumas transformações
fundamentais, depois da morte carnal, principalmente no centro gástrico,
pela diferenciação dos alimentos de que se provê,
e no centro genésico, quando há sublimação
do amor, na comunhão das almas que se reúnem no matrimônio
divino das próprias forças, gerando novas fórmulas
de aperfeiçoamento e progresso para o reino do espírito.
Esse corpo que evolve e se aprimora nas experiências de ação
e reação, no plano terrestre e nas regiões espirituais
que lhe são fronteiriças, é suscetível de
sofrer alterações múltiplas, com alicerces na adinamia
proveniente da nossa queda mental no remorso, ou na hiperdinamia imposta
pelos delírios da imaginação, a se responsabilizarem
por disfunções inúmeras da alma, nascidas do estado
de hipo e hipertensão no movimento circulatório das forças
que lhe mantém o organismo sutil, e pode também desgastar-se,
na esfera imediata à esfera física, para nela se refazer,
através do renascimento, segundo o molde mental preexistente,
ou ainda restringir-se a fim de se reconstituir de novo, no vaso uterino,
para a recapitulação dos ensinamentos e experiências
de que se mostre necessitado, de acordo com as falhas da consciência
perante a Lei.
Outros aspectos do psicossoma examinaremos quando as circunstâncias
nos induzam a apreciar-lhe o comportamento nas regiões espirituais
vizinhas da Terra, dentro das sociedades afins, em que as almas se reúnem
conforme os ideais e as tarefas nobres que abraçam, ou segundo
as culpas dilacerantes ou tendências inferiores em que se sintonizam,
geralmente preparando novos eventos, alusivos às necessidades
e problemas que lhes são peculiares nos domínios da reencarnação
imprescindível.
Pedro Leopoldo, 19/1/58.
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