ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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Reencarnação e Família
Ninguém verá
o Reino de Deus se não nascer de novo.
Um dos argumentos mais
comuns aos opositores do Espiritismo é o de que a Reencarnação,
sua lei básica, destrói os laços de família.
Tal argumento, como tantos outros que a ignorância e a má
fé suscitaram, visando a obstar a marcha triunfante e galharda
da Terceira Revelação, não resiste ao mais simples
raciocínio.
Não suporta o mais leve exame da lógica e do bom Senso.
É por meio da Reencarnação — e graças
exclusiva-mente a ela — que os laços da fraternidade se
ampliam e se fortalecem, notadamente nos círculos da consangüinidade.
Sem as noções da palingenesia, reduzida seria a nos¬sa
família espiritual, porque, em princípio, também
reduzida seria a nossa família corporal.
Pela Reencarnação, prolongam-se as afeições
além da vida física.
Continuam, os laços e vínculos espirituais, noutros mundos
e noutras existências.
Por seu intermédio, estabelecem-se ligações eternas
entre corações que se reencontram, inúmeras vezes,
na paisagem do mundo, renovando experiências de aprimoramento.
Impossível se nos afigura considerar a Reencarnação
por doutrina prejudicial aos laços de família.
Somente podemos entendê-la como afirmação de so¬lidariedade
entre os seres, a refletir, assim, em toda a sua plenitude, a Bondade
Celeste.
Somente podemos entendê-la por elemento divino de reunião
de almas, no mesmo grupo ou ambiente, povo ou nacionalidade, para consolidação
de afetos iniciados, noutros grupos e noutros povos, em tempos que se
foram.
Existe, ainda, outro aspecto que igualmente revela a excelsitude, a
benemerência da Reencarnação: se, por ela, amigos
se reaproximam no mesmo lar, também no mesmo lar adversários
se reencontram para a definitiva extinção de ódios
que se perdem nas brumas do pretérito.
Não fôra a Reencarnação — faltar-nos-iam
oportunidades de reconciliação com aqueles a quem ofendemos
ou ferimos, ou que nos ofenderam ou feriram.
Logo, benéficos são os efeitos, as consequências
da Reencarnação.
Como poderíamos, igualmente, restabelecer o contacto com almas
que semearam espinhos em nosso caminho e com almas que tiveram em seu
caminho pedras colocadas por nós?
Como poderíamos voltar ao cenário terrestre a fim de,
ao lado de companheiros de outras jornadas, concluir programas individuais
ou coletivos apenas esboçados ou simplesmente iniciados?
Como nos reabilitarmos perante almas que, situadas em nossa estrada
evolutiva, na condição de filhos e esposas, parentes e
amigos, tiveram suas vidas e seus desti¬nos complicados pela nossa
desatenção aos preceitos do Evangelho?
Como vemos, ao invés de destruir os laços de família,
os liames da consangüinidade, a Reencarnação os fortalece
e consolida.
Assegura-lhes a perpetuidade na Terra e noutros mundos.
Se o Divino Mestre exaltou-a várias ocasiões, inclusive
com o “ninguém verá o Reino de Deus se não
nascer de novo”, a Doutrina Espírita glorificou-a na síntese
admirável que a bandeira do nosso movimento filosófico
ostenta, galhardamente: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda,
progredir continuamente, tal é a Lei.”
Jesus e Kardec plenamente identificados na lei mag¬nânima.
A Reencarnação nega o Egoísmo, pois afirma, de
maneira eloquente, a solidariedade entre os seres.
Divulgá-la, torná-la conhecida, é acender no coração
da Humanidade a lâmpada da Esperança.
Ela dissolve o preconceito, em qualquer de suas ma¬nifestações.
A Reencarnação é bálsamo, também,
para o sofrimento.
É chave que abre a porta para a compreensão dos mais complexos
problemas humanos.
É luz que clareia a noite de nossos sofrimentos e de nossos anseios
para a Vida Mais Alta.
A Reencarnação, em síntese, é Amor...
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Advertência
Andai enquanto tendes
a luz.
A palavra do Mestre abrange
variegadas nuances da experiência humana, compelindo-nos a raciocínios
evidentemente simples, porém, mais dilatados, na esfera do aprendizado
para a Vida Superior.
Enquanto andamos no Mundo, desfrutamos de ex¬cepcionais vantagens,
que nos enriquecem a marcha redentora.
Os pés para a locomoção.
Os braços e as mãos para o trabalho.
A visão física integral.
A faculdade de ouvir, falar, sentir, escrever.
A saúde do corpo e a razão esclarecida proporcionando
o equilíbrio do binômio “alma-corpo”.
Em torno de nossos passos, infinitas bênçãos se
desdobram, fartas e exuberantes, suaves e perfumadas.
O encanto das noites enluaradas.
A beleza dos céus estrelados.
O esplendor da claridade solar.
A opulência da Natureza, com a graça de seus in¬comparáveis
panoramas e o delicado aroma de suas flores — tudo isto constitui
bênção em nosso caminho.
Chova ou faça sol, dispomos, invariàvelmente, de vinte
e quatro horas que se repetem, na ampulheta do Tempo, descortinando
cada manhã novas searas, novos recursos educativos na senda do
aperfeiçoamento.
Na senda do progresso, pois não somos órfãos da
misericórdia celeste.
No esforço de aprimoramento, visto que não somos deserdados
da sorte.
* * *
Semelhantes patrimônios
foram acrescidos, há dois milênios, dos tesouros do Evangelho,
das sublimes claridades que Jesus Cristo deixou no Mundo para que no
Mundo fosse possível à criatura humana palmilhar a estrada
evolutiva sob a bênção do entendimento maior.
Somos, hoje, beneficiários da luz da Razão — que
nos garante a escolha do melhor, do mais conveniente.
Brilha-nos a Consciência, por divina aquisição,
no santuário de nossa individualidade eterna — a nos preservar
do obscurantismo.
Adquirimos, na esteira dos milênios sem conta, o senso moral —
que nos distancia da irracionalidade.
Magníficos patrimônios, indestrutíveis, inalienáveis,
milenárias porfias nos legaram.
A oportunidade, na presente reencarnação, de nos enriquecermos
para o futuro, caracteriza-se não só por todos esses elementos
de progresso consciente, mas, tam¬bém, pelos benefícios
da normalidade somática e da lu¬cidez psíquica.
Desconhecendo o instante em que a nossa alma “será pedida”,
em virtude da indefectível transição a que todo
ser encarnado está sujeito, é imprescindível não
despre¬zemos a luz.
Urge buscar a claridade, “enquanto estamos a caminho”, para
que o Amanhã, no Espaço ou de novo na Terra, não
nos responda em termos de sombra e angústia, confusão
e desespero.
Os problemas do após-morte — nenhum espírita esclarecido
desconhece semelhante realidade — relacionam-se, intimamente,
com o nosso atual comportamento psico-físico, não só
na esfera dos atos, prôpriamente ditos, como da palavra e do pensamento.
Falar e agir, pensar e escrever, constituem sementeiras que produzirão,
mais tarde, em qualquer tempo e lugar, os frutos que se lhes equivalem.
Todos os fenômenos com que nos defrontaremos, após a transposição
dos pórticos do Além-Túmulo, resultarão
da maneira pela qual tivermos “andado no Mundo”.
Fenômenos agradáveis ou desagradáveis, de equilíbrio
ou desajuste, de paz ou de remorso, de ventura ou de infortúnio...
Por isso, decerto, asseverava fraternalmente o Mestre: “andai
enquanto tendes a luz...”
Andai enquanto todas as possibilidades vos felicitarem o caminho —
é o que certamente recomendava o Cristo, através da suave
advertência, do amoroso aviso.
A Doutrina Espírita, revivendo as imortais lições
do Celeste Benfeitor, lembra aos homens a necessidade do aproveitamento
da oportunidade de nossa presença no corpo físico, de
modo a convertermos os preciosos mi¬nutos de nossa existência
em abençoado ensejo de crescimento e iluminação.
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