ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
1
Na Pregação
Onde anunciavam o Evangelho.
Nos instantes de vida
interior, permitidos pelas lutas que se renovam dia a dia, volve o homem
o olhar para o futuro, cheio de esperança, na certeza de que
a Terra conhecerá dias melhores, quando vier a se inundar das
sublimes vibrações da Fraternidade Legítima.
O homem crê nesse futuro.
Nessa era de compreensão e paz entre as criaturas.
Por isso, luta e sofre, confia e espera...
Luta e sofre, confia e espera o advento de uma fase áurea, rica
de Espiritualidade, com inteira ausência dos sentimentos inferiores
que emolduram, indiscutivelmente, a fisionomia do mundo atual.
Ausência do Ódio que provoca a guerra.
Ausência do orgulho — que favorece a prepotência.
Ausência do ciúme — que acende o fogo do desespero.
Ausência da inveja — que estimula a discórdia
Ausência da ambição que abre caminho à loucura.
Esse mundo melhor não pertencerá, exclusivamente, aos
nossos filhos e netos, como asseguram os que crêem, apenas, na
unicidade das existências.
Pertencerá a nós mesmos, às nossas individualidades
espirituais empenhadas hoje, na construção desse mundo
feliz.
Desse mundo onde o mal não terá acesso, onde não
haverá lugar para a sombra, porque o bem e a luz lhe serão
magnífica constante.
Pela Reencarnação estaremos amanhã, de novo, no
cenário terrestre, aqui ou em qualquer parte, utilizando outros
corpos, prosseguindo, destarte, experiências evolutivas iniciadas
em remotos milênios.
Amanhã, na ceifa, colheremos o fruto do nosso plantio de
hoje.
Assim como participáramos, ontem, de redentoras lutas, que se
ocultaram, momentâneamente esquecidas, na poeira dos milênios,
na atualidade estamos, igualmente, contribuindo para a edificação
do porvir.
As conquistas de ordem material prosseguem, deslumbrantes, em acelerado
ritmo.
Temos a certeza de que, pelo esforço da Ciência e pela
sublimidade da Arte, desfrutaremos, mais tarde, o bem-estar e o conforto,
com absoluta exclusão do egoísmo.
No entanto, na atualidade, uma série de indagações
invadem o nosso Espírito.
De que valem imponentes cidades e pontes maravilhosas, interligando
continentes; naves maravilhosas, cruzando o espaço, em todas
as direções, e soberbos empreendimentos de Medicina,
se, apesar de todo esse arrojo e toda essa audácia do pensamento
humano, continuamos, em maioria, deficientes de Espiritualidade?
Permanecemos, em verdade, mendigos de amor.
Indigentes de bondade.
Maltrapilhos de compreensão.
Estátuas vivas do egoísmo.
* * *
Com Nosso Senhor Jesus-Cristo
teve início, na Terra, a preparação espiritual
da Humanidade para os jubilosos dias do futuro.
Depois dEle, como legatários de valioso patrimônio, espalharamse
os discípulos por toda a parte, visitando cidades e aldeias.
Plenos de alegria, “anunciavam o Evangelho”...
Eram eles, já àquele tempo, os precursores, os pioneiros
da Civilização do Terceiro Milênio, eis que o Evangelho
é, insofismàvelmente a base, o alicerce, o fundamento,
a pedra angular dessa “Civilização-Luz” que
o mundo conhecerá.
Não bastou, todavia, pregassem a Boa Nova da Imortalidade
durante o Cristianismo Nascente.
Nem que derramassem o sangue generoso nos circos romanos, os corpos
dilacerados por leões africanos, em holocausto ao sublime ideal
do Cristianismo.
Ideal sublime, contagiante, irresistível, envolvente... Com o
tempo, cessaram os martírios físicos, as sevícias,
o ultraje.
Os circos converteram-se em pó, os tiranos foram esquecidos.
O serviço de expansão evangélica prossegue, contudo.
E prosseguirá, séculos em fora, edificando as bases do
mundo diferente, os alicerces do mundo melhor que desejamos, pelo qual
lutamos, no qual cremos, mas que não está muito próximo,
como alguns Supõem.
Sem o conhecimento, e, principalmente, sem a assimilação
evangélica, tão cedo conhecerá o mundo dias melhores.
A engenharia continuará levantando os mais belos monumentos.
Multiplicar-se-ão as maravilhas do mundo.
Sublimar-se-ão as manifestações do pensamento e
da cultura acadêmica.
Mas, se o Espírito do Cristianismo não for, realmente,
sentido e aplicado, o mundo de amanhã — o decantado mundo
do Terceiro Milênio — assemelhar-se-á a imensa necrópole,
com soberbos e glaciais sarcófagos.
Insensíveis, sem calor, sem vida...
Sepultura triste — guardando as cinzas da presunção
e da vaidade.
Urge, pois, seja o Evangelho intensamente anunciado, a fim de que
o seu divino perfume aromatize as florestas, os campos, os mares
profundos, os céus longínquos.
Não preconizamos, obviamente, o simples anúncio, oral
ou escrito.
O anúncio da tribuna, do jornal, do livro, apenas. Referimo-nos,
sobretudo, ao anúncio vivido, exemplificado, capaz de contagiar,
de converter, de transformar quantos lhe sintam a influência
dinâmica, renovadora.
Na passagem em estudo, ultrajados e incompreendidos, os pegureiros
do Cristianismo fugiam para outras cidades, “onde anunciavam o
Evangelho” com o mesmo
denodo, o mesmo entusiasmo, o mesmo idealismo, a mesma perseverança.
Invencíveis, deixavam em suas pegadas luminosos rastilhos.
A Civilização do Terceiro Milênio ficará
retardada se cruzarmos os braços, se não espiritualizarmos
as aquisições humanas.
Será um agradável sonho, se não aliarmos a todas
as conquistas da Ciência o mais belo aspecto da vida, que é
o Espiritual.
O mais notável monumento pode converter-se, num instante, em
escombro e cinza.
Mas o coração que, pela força do Evangelho, se
ergue para o Amor — é luz dentro da Eternidade, que nunca
mais se apagará...
2
No Esforço Evolutivo
Ide e pregai o Evangelho.
No maravilhoso drama da
evolução universal, é o homem, na Terra e no Espaço,
valioso colaborador de Deus.
Se os Espíritos Superiores operam, no plano extrafísico,
visando ao aperfeiçoamento dos encarnados, estes, por seu turno,
empregam esforços no mesmo sentido, sintonizando-se, integrando-se
na sublime tarefa do esclarecimento espiritual.
Não existem duas vidas distintas, separadas, independentes.
Há, pelo contrário, uma só vida, que se caracteriza
por duas etapas.
A primeira, no mundo espírita ou espiritual, que sobrevive a
tudo, que preexiste ao nascimento na Terra, consoante esclarece a Doutrina.
A segunda, após o nascimento, no mundo corpóreo, no chamado
mundo material ou físico.
Essas duas etapas são, no entanto, correlatas.
Reagem uma sobre a outra incessantemente — informam os Instrutores
Espirituais, esclarece a Codificação.
Quanto maior o número de almas nobres que venham a reencarnar
na Terra, mais depressa ascenderá esta no concerto dos Mundos
que, em fabulosos turbilhões, rolam pelo espaço imensurável.
De igual maneira, quanto maior o número de almas edificadas que
retornarem da Terra, mais se purificará o ambiente espiritual
nas regiões próximas à crosta.
Como se vê, a posição dos encarnados influi na vida
do Além-Túmulo, quanto o comportamento dos Espíritos
influi na paisagem física do Globo.
Urge, pois, haja simultaneidade no trabalho — neste sublime intercâmbio
entre o Mundo Espírita e o Mundo Corpóreo.
A Humanidade terrena não pode, nem deve ensarilhar armas
no afã de, combatendo as próprias deficiências,
corrigindo as próprias imperfeições, preparar fortes
contingentes espirituais que, mais tarde, voltarão infalivelmente
ao mundo, a fim de ao mundo restituirem os valores sublimados e eternos
aqui recebidos.
Quando Jesus, observando as lutas do proscênio terrestre,
aconselhou o “ide e pregai o Evangelho”, não pretendeu,
de forma alguma, fossem os discípulos, tão somente, levar
conforto aos sofredores, consolação aos aflitos,
bom ânimo aos desalentados do caminho.
Desejou, evidentemente, que, aldeia por aldeia, cidade por cidade,
preparassem almas para o Reino que oportunamente haveria de construir
no coração da Humanidade inteira.
Jesus veio, também, educar.
E o objetivo da pregação educativa do Mestre estende-se,
tanto hoje como ontem, além fronteiras do nosso parco entendimento.
A palavra do Senhor é, simultaneamente, pão e luz na estrada.
Na Terra e no Espaço.
“Eu sou o pão da vida.”
“Eu sou a luz do mundo.”
Pão que alimenta, fortalece, encoraja.
Luz que esclarece, orienta, dá responsabilidade.
Comendo desse pão subjetivo, nutre-se o homem em definitivo.
Não terá mais fome.
Banhando-se nessa luz, torna-se consciente do seu glorioso destino,
artífice de sua própria evolução.
Entende que lhe cabe, na obra geral, coletiva, de aperfeiçoamento
dos seres, uma contribuição que, por diminuta, nem por
isso é menos valiosa.
Há, nessa colaboração, um mérito indiscutível:
— o da boa vontade.
Aquele que sente, dentro de si, uma réstia da claridade
divina, pode e deve influenciar no sentido de que todos co-participem
do seu programa de aprimoramento.
Esta influência nem sempre se verificará pelo maior ou
menor número de livros que escreve, ou de conferências
que profere, mas pela efetiva exemplificação no Bem.
Na Moral e no Saber.
Se o contingente maior de encarnados se constitui, inegàvelmente,
de seres retardados, infelizes, o campo de atividades do tarefeiro evangélico
é muito grande.
A extensão desse campo desafia-lhe o esforço e a perseverança,
o dinamismo e a resistência.
Inteligências menos desenvolvidas vagueiam nas sombras da
Terra e do Espaço, reclamando orientação caridosa.
Nos desvãos do crime e da loucura jazem desventurados companheiros
de jornada, aguardando simplesmente uma frase alentadora, um conceito
renovador.
A palavra do Mestre continua ressoando, ressoando.
Imperativa e fraterna, por mensagem de Esperança.
“Ide e pregai o Evangelho”.
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