ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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Jesus e Deus – 3º
herdeiros de Deus e co-herdeiros
de Jesus Cristo.
No exame do problema da
identidade de Jesus com Deus, do Filho com Pai, é justo e conveniente
auscultemos, também, a opinião dos apóstolos.
Precisamos conhecer o pensamento, o testemunho daqueles que foram vasos
escolhidos para o ministério evangélico.
Diz Allan Kardec, com a prudência e sensatez que lhe caracterizavam
o Espírito: “De todas essas opiniões, as de maior
valor são, incontestàvelmente, as dos apóstolos,
uma vez que estes O assistiram em sua missão, e uma vez também
que, se Ele lhes houvesse dado instruções secretas, respeito
à Sua natureza, alguns traços dessas instruções
se descobririam nos escritos deles. Tendo vivido na sua intimidade,
melhor do que ninguém haviam eles de conhecê-Lo.”
Ouçamos a palavra de Pedro, o velho Barjonas, que assistiu a
Jesus desde a primeira hora.
“O Deus de nossos Pais ressuscitou a Jesus, que vós fizestes
morrer, pendurando-o no madeiro.” — Atos, capítulo
5º, versículo 30.
“Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o
Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós.. .“
— Atos, capítulo 2º, versículo 22.
“A este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos
testemunhas.” — Atos, capítulo 2º, versículo
32.
“Que, pois, toda a Casa de Israel saiba, com absoluta certeza,
que Deus fez Senhor e Cristo a esse Jesus que vós crucificastes.”
— Atos, capítulo 2º, versículo 36.
“Foi por vós, primeiramente, que Deus suscitou seu Filho
e vo-lo enviou para vos abençoar, a fim de que cada um se convertesse
da sua má vida.” — Atos, capítulo 3º,
versículo 26.
* * *
Ouçamos, agora,
a Paulo de Tarso, o erudito e sublimado Doutor dos Gentios.
Paulo de Tarso — o ardoroso discípulo de Gamaliél
e seu presumível substituto no Sinédrio.
Conheçamos, também, o vigoroso e inspirado pensamento
do notável bandeirante do Evangelho do Reino, “cujos escritos
prepararam os primeiros formulários da religião cristã”.
“Se o confessais de boca que Jesus Cristo é o Senhor e
se credes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, sereis salvos.”
— Romanos, capítulo 10º, versículo 9.
“Porque se nós, quando inimigos fomos reconciliados com
Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados,
seremos salvos pela Sua vida.” — Romanos, capítulo
5º, versículo 10.
“Deus, em sua bondade, tendo querido que Ele mor¬resse por
todos — por ser Ele bem digno de Deus...“ — Hebreus,
capítulo 2º, versículo 9.
“Se somos filhos, somos também herdeiros, herdei¬ros
de Deus e co-herdeiros de Jesus-Cristo.” — Romanos, capítulo
8º, versículo 17.
* * *
Como se vê, assimilando
o pensamento de Jesus, os apóstolos dão testemunho sobre
a personalidade do Mestre.
Dezenas de passagens semelhantes poderiam ser alinhadas, sem qualquer
dificuldade, todas elas estabelecendo clara distinção
entre Deus e Jesus, entre o Pai e o Filho.
Depois do auto-pronunciamento do Cristo, inegàvelmente as opiniões
mais abalizadas são as dos apóstolos, uma vez que participaram
da vida de Jesus, em todos os instantes da sua atividade pública.
Privaram da intimidade do Senhor.
Recebiam-lhe, diretamente dos lábios, os ensinos e as instruções.
Ouviam-lhe, diuturnamente, as lições de eterna beleza
e de eterna sabedoria.
Acatar-lhes, pois, o pensamento, constitui homena¬gem viva de nossas
almas àqueles homens pelo próprio Mestre escolhidos, e
pré-escolhidos, para o ministério evangélico.
Se a palavra de Jesus e as opiniões dos apóstolos nos
merecem fé, não tenhamos dúvida em afirmar que
Deus é um, e Jesus é outro.
Deus — é o Pai.
Jesus — é o Filho.
E nós, os humanos, somos os irmãos de Jesus.
Herdeiros de Deus.
Co-herdeiros de Jesus.
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Reconciliação
Os meus discípulos
serão conhecidos por muito se amarem.
Relativamente à
vida presente, a reconciliação com os adversários
proporciona uma série de inapreciáveis benefícios.
Paz na Consciência — o maior tesouro que o homem pode desejar
no mundo.
Ausência de inquietações e remorsos — patrimônio
que ajuda na aquisição do equilíbrio interior.
Sono tranquilo — assegurando bem-estar espiritual enquanto o corpo
descansa.
Despertar sereno — premiando o coração que se enriqueceu
de experiências novas, no contacto com benfeitores desencarnados.
Construção de preciosas amizades, nesta e na vida extrafísica
— o que é fundamental para todos nós, especialmente
os imortalistas-reencarnacionistas.
A inimizade é uma brasa no coração humano. Queima,
fere, abre chagas profundas. Faz sangrar por muito tempo.
Quando nos dispusermos a compreender e seguir o conselho do Mestre —
“Os meus discípulos serão conhecidos por muito se
amarem” —, nossos corações inundar-se-ão
de um júbilo diferente.
De um júbilo sublime, que nenhum tesouro do mundo pode substituir
ou compensar.
Feliz a criatura que diàriamente, após honesto exame de
consciência, pode dizer:
“A minha alma está virgem de ressentimentos! Não
sinto, dentro de mim, nem ódio, nem rancor, nem desejos de vingança!
Não tenho inimigos! A todos estimo, a todos prezo, a todos desejo
o bem!
Podem existir criaturas que não me compreendam as atitudes, o
idealismo, mas eu as compreendo!”
Como se vê, a Reencarnação, fazendo luz sobre a
palavra evangélica, é, realmente, benéfica e construtiva.
Favorece a extinção não só dos antagonismos
do pretérito, em geral promovidos por nós mesmos, como
também ajuda a dissolver as inimizades que a nossa invigilância
forjou no presente.
Com vistas ao Amanhã, a confraternização com os
adversários, em outras palavras, a reconciliação
com os inimigos, aconselhada por Jesus, apresenta vantagens, de natureza
espiritual, imprescindíveis ao nosso pro¬gresso.
Assegura-nos, hoje, aquela euforia que nos dará, amanhã,
em definitivo, a verdadeira felicidade.
A maioria das obsessões resulta de ódios que se fixaram,
no Tempo e no Espaço, na poeira dos séculos e milênios,
pela incapacidade do perdão recíproco.
Conhecemos casos de vingança que atravessaram a noite escura
dos tempos, desceram ao abismo dos milênios, levando hoje à
alucinação e à delinquência almas que praticaram
ou se acumpliciaram em crimes hediondos...
A estima fraternal garante, para o porvir de nossas lutas evolutivas,
reencarnações liberadas de penosos compromissos e dolorosas
consequências.
O desatamento de laços hostis, ou, simplesmente, antipáticos,
que muita vez distanciam companheiros de jornada, abre aos nossos Espíritos
sublimes oportunidades de construirmos, em vez de apenas reconstruirmos.
Tais considerações, formuladas à base do raciocínio
palingenésico, demonstram a sabedoria de Jesus, quando afirmou
que o Espírito de Verdade restauraria os Seus ensinamentos.
Quanta lógica e quanto bom-senso!
Quanta claridade nos conceitos evangélicos, Se interpretados
à luz do Espiritismo!
O nosso coração se enriquece, a nossa alma se torna feliz,
a nossa consciência se ilumina, por havermos aceito esta fortuna,
este patrimônio inavaliável que o Cristo de Deus, através
da personalidade missionária de Allan Kardec, legou à
Humanidade planetária
Reconciliemo-nos, pois, com os adversários, de ontem e de hoje,
se os tivermos, na certeza inabalável de que o perdão
irrestrito, com o esquecimento de toda a falta, abrir-nos-á a
porta que nos introduzirá, mais tarde, no Santuário de
Luz da Vida Infinita.
E não esqueçamos, a benefício da nossa própria
felicidade, agora e sempre, a suave advertência de Nosso Senhor
Jesus Cristo: — “Os meus discípulos serão
conhecidos por muito se amarem.”
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