ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA

25
Jesus e Deus – 3º

herdeiros de Deus e co-herdeiros de Jesus Cristo.

No exame do problema da identidade de Jesus com Deus, do Filho com Pai, é justo e conveniente auscultemos, também, a opinião dos apóstolos.
Precisamos conhecer o pensamento, o testemunho daqueles que foram vasos escolhidos para o ministério evangélico.
Diz Allan Kardec, com a prudência e sensatez que lhe caracterizavam o Espírito: “De todas essas opiniões, as de maior valor são, incontestàvelmente, as dos apóstolos, uma vez que estes O assistiram em sua missão, e uma vez também que, se Ele lhes houvesse dado instruções secretas, respeito à Sua natureza, alguns traços dessas instruções se descobririam nos escritos deles. Tendo vivido na sua intimidade, melhor do que ninguém haviam eles de conhecê-Lo.”
Ouçamos a palavra de Pedro, o velho Barjonas, que assistiu a Jesus desde a primeira hora.
“O Deus de nossos Pais ressuscitou a Jesus, que vós fizestes morrer, pendurando-o no madeiro.” — Atos, capítulo 5º, versículo 30.
“Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós.. .“ — Atos, capítulo 2º, versículo 22.
“A este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” — Atos, capítulo 2º, versículo 32.
“Que, pois, toda a Casa de Israel saiba, com absoluta certeza, que Deus fez Senhor e Cristo a esse Jesus que vós crucificastes.” — Atos, capítulo 2º, versículo 36.
“Foi por vós, primeiramente, que Deus suscitou seu Filho e vo-lo enviou para vos abençoar, a fim de que cada um se convertesse da sua má vida.” — Atos, capítulo 3º, versículo 26.

* * *

Ouçamos, agora, a Paulo de Tarso, o erudito e sublimado Doutor dos Gentios.
Paulo de Tarso — o ardoroso discípulo de Gamaliél e seu presumível substituto no Sinédrio.
Conheçamos, também, o vigoroso e inspirado pensamento do notável bandeirante do Evangelho do Reino, “cujos escritos prepararam os primeiros formulários da religião cristã”.
“Se o confessais de boca que Jesus Cristo é o Senhor e se credes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, sereis salvos.” — Romanos, capítulo 10º, versículo 9.
“Porque se nós, quando inimigos fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida.” — Romanos, capítulo 5º, versículo 10.
“Deus, em sua bondade, tendo querido que Ele mor¬resse por todos — por ser Ele bem digno de Deus...“ — Hebreus, capítulo 2º, versículo 9.
“Se somos filhos, somos também herdeiros, herdei¬ros de Deus e co-herdeiros de Jesus-Cristo.” — Romanos, capítulo 8º, versículo 17.

* * *

Como se vê, assimilando o pensamento de Jesus, os apóstolos dão testemunho sobre a personalidade do Mestre.
Dezenas de passagens semelhantes poderiam ser alinhadas, sem qualquer dificuldade, todas elas estabelecendo clara distinção entre Deus e Jesus, entre o Pai e o Filho.
Depois do auto-pronunciamento do Cristo, inegàvelmente as opiniões mais abalizadas são as dos apóstolos, uma vez que participaram da vida de Jesus, em todos os instantes da sua atividade pública.
Privaram da intimidade do Senhor.
Recebiam-lhe, diretamente dos lábios, os ensinos e as instruções.
Ouviam-lhe, diuturnamente, as lições de eterna beleza e de eterna sabedoria.
Acatar-lhes, pois, o pensamento, constitui homena¬gem viva de nossas almas àqueles homens pelo próprio Mestre escolhidos, e pré-escolhidos, para o ministério evangélico.
Se a palavra de Jesus e as opiniões dos apóstolos nos merecem fé, não tenhamos dúvida em afirmar que Deus é um, e Jesus é outro.
Deus — é o Pai.
Jesus — é o Filho.
E nós, os humanos, somos os irmãos de Jesus.
Herdeiros de Deus.
Co-herdeiros de Jesus.

26
Reconciliação

Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.

Relativamente à vida presente, a reconciliação com os adversários proporciona uma série de inapreciáveis benefícios.
Paz na Consciência — o maior tesouro que o homem pode desejar no mundo.
Ausência de inquietações e remorsos — patrimônio que ajuda na aquisição do equilíbrio interior.
Sono tranquilo — assegurando bem-estar espiritual enquanto o corpo descansa.
Despertar sereno — premiando o coração que se enriqueceu de experiências novas, no contacto com benfeitores desencarnados.
Construção de preciosas amizades, nesta e na vida extrafísica — o que é fundamental para todos nós, especialmente os imortalistas-reencarnacionistas.
A inimizade é uma brasa no coração humano. Queima, fere, abre chagas profundas. Faz sangrar por muito tempo.
Quando nos dispusermos a compreender e seguir o conselho do Mestre — “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem” —, nossos corações inundar-se-ão de um júbilo diferente.
De um júbilo sublime, que nenhum tesouro do mundo pode substituir ou compensar.
Feliz a criatura que diàriamente, após honesto exame de consciência, pode dizer:
“A minha alma está virgem de ressentimentos! Não sinto, dentro de mim, nem ódio, nem rancor, nem desejos de vingança!
Não tenho inimigos! A todos estimo, a todos prezo, a todos desejo o bem!
Podem existir criaturas que não me compreendam as atitudes, o idealismo, mas eu as compreendo!”
Como se vê, a Reencarnação, fazendo luz sobre a palavra evangélica, é, realmente, benéfica e construtiva.
Favorece a extinção não só dos antagonismos do pretérito, em geral promovidos por nós mesmos, como também ajuda a dissolver as inimizades que a nossa invigilância forjou no presente.
Com vistas ao Amanhã, a confraternização com os adversários, em outras palavras, a reconciliação com os inimigos, aconselhada por Jesus, apresenta vantagens, de natureza espiritual, imprescindíveis ao nosso pro¬gresso.
Assegura-nos, hoje, aquela euforia que nos dará, amanhã, em definitivo, a verdadeira felicidade.
A maioria das obsessões resulta de ódios que se fixaram, no Tempo e no Espaço, na poeira dos séculos e milênios, pela incapacidade do perdão recíproco.
Conhecemos casos de vingança que atravessaram a noite escura dos tempos, desceram ao abismo dos milênios, levando hoje à alucinação e à delinquência almas que praticaram ou se acumpliciaram em crimes hediondos...
A estima fraternal garante, para o porvir de nossas lutas evolutivas, reencarnações liberadas de penosos compromissos e dolorosas consequências.
O desatamento de laços hostis, ou, simplesmente, antipáticos, que muita vez distanciam companheiros de jornada, abre aos nossos Espíritos sublimes oportunidades de construirmos, em vez de apenas reconstruirmos.
Tais considerações, formuladas à base do raciocínio palingenésico, demonstram a sabedoria de Jesus, quando afirmou que o Espírito de Verdade restauraria os Seus ensinamentos.
Quanta lógica e quanto bom-senso!
Quanta claridade nos conceitos evangélicos, Se interpretados à luz do Espiritismo!
O nosso coração se enriquece, a nossa alma se torna feliz, a nossa consciência se ilumina, por havermos aceito esta fortuna, este patrimônio inavaliável que o Cristo de Deus, através da personalidade missionária de Allan Kardec, legou à Humanidade planetária
Reconciliemo-nos, pois, com os adversários, de ontem e de hoje, se os tivermos, na certeza inabalável de que o perdão irrestrito, com o esquecimento de toda a falta, abrir-nos-á a porta que nos introduzirá, mais tarde, no Santuário de Luz da Vida Infinita.
E não esqueçamos, a benefício da nossa própria felicidade, agora e sempre, a suave advertência de Nosso Senhor Jesus Cristo: — “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.”

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