ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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Mocidade e Trabalho
Ninguém despreze
a tua mocidade...
De modo geral podemos
dizer que os jovens espírítas da atualidade são
almas experimentadas na sublime oficina do serviço evangélico.
Almas, pois, que respondem pela construção do mundo melhor
de amanhã.
Formularam, sem dúvida, as mais edificantes promessas regenerativas,
nas
divinas assembléias que preparam o retorno, aos planos purificadores,
de
milhares de tarefeiros.
Essa plêiade de entidades que voltam ao cenário da Terra
precisa de ser
despertada para o combate contra as forças destruidoras que ameaçam
sufocar
os bons sentimentos, retardando, assim, a evolução.
Não foi por casualidade que surgiu em todos os recantos do Brasil
- "Pátria
do Evangelho e Coração do Mundo" - esse movimento
renovador das
mocidades espíritas cristãs, esse sopro dinâmico
e consciente que tende a
operar, em bases evangélicas, extraordinária revolução
nos costumes da
sociedade hodierna.
Não constitui um acidente, na Terra de Santa Cruz, esta JUVENTUDE
EM
MARCHA - Juventude que estuda e trabalha, aprimorando a inteligência
e o
coração.
Não tem sido obra do acaso a transplantação das
atividades de vultos
eminentes, pela cultura e expressão moral, para o novo campo
de trabalho que se
desdobrou no Espiritismo: a luta, sincera e constante, pela reforma
moral dos
jovens, adaptando-os às tarefas doutrinárias.
Os tempos estão, realmente, chegados.
Os Ministros Divinos, sob o amoroso comando do Anjo Ismael, trabalham
infatigavelmente, nos planos superiores, inspirando os seareiros encarnados
na
preparação do terreno.
As responsabilidades se estendem, igualmente, aos jovens.
As tarefas da mocidade espírita, em face do mundo, em face do
futuro, estão
ampla e claramente definidas.
Os labores evangélicos e doutrinários não comportam
mais o indiferentismo,
a dubiedade, a vacilação.
O momento é de luta - luta de renovação íntima.
A hora é de trabalho - trabalho fraternal.
* * *
E não se diga,
impropriamente, que a tarefa pertence e cabe apenas aos
servidores adultos.
Com o "nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir continuamente",
preceituado pela Doutrina, o conceito de idade física cede lugar
ao conceito
universal de idade espiritual.
Se o tarefeiro mais velho dispõe da bênção
da experiência, adquirida no
labor fecundo, possui o moço o entusiasmo que, bem dirigido,
opera prodígios.
O jovem espírita, operoso e sensato, não é simplesmente
uma promessa,
mas uma afirmação.
O vigor físico, a saúde, o idealismo, as esperanças
- tudo isso constitui a
muralha granítica capaz de destroçar a idéia de
que a mocidade não está em
condições de cooperar, ao lado dos mais velhos, na construção
das bases do
mundo feliz de amanhã.
A palavra evangélica ou espírita, semeada pela juventude,
será a chama
abençoada que iluminará o porvir.
Todavia, o seu vigor e eficácia serão tanto maiores quanto
maiores e mais
positivos forem os exemplos do jovem no trabalho com o Mestre.
É indispensável que o moço, tanto quanto o velho,
ao lançarem mão à
charrua evangélica, para a grandiosa tarefa da regeneração
da Humanidade,
fiquem em condições de pregar, exemplificando.
Já disse alguém, com inteira propriedade, que a missão
do próprio Cristo
teria sido nula, se Ele não houvesse dado, de tudo quanto ensinou,
o mais
vivificante exemplo.
As Suas lições não teriam atravessado os séculos.
O conceito se aplica, com absoluta justeza, aos que desejam continuar,
com
o Mestre, a Sua divina obra.
O moço espírita procure, portanto, realizar sinceramente
a tarefa preliminar
de auto-regeneração.
Busque desenvolver, através da luta constante, os sentimentos
e as virtudes
do bem, da moral e da sabedoria - valores que dormitam, potencialmente,
no
Espírito Imortal, como resultante lógica das conquistas
elevadas do ser humano,
no passado desconhecido.
Se não é justo, aos mais velhos, desprezar dos jovens
a mocidade, estuante
de energia e idealismo, muito menos razoável será o próprio
moço menosprezar
o patrimônio que a Divina Bondade lhe concedeu.
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Razão e Fé
E disse-lhe: Sai da tua
terra e da tua parentela, e vem para a terra que
eu te mostrarei.
Merece consideração
a passagem em epígrafe, relembrada pelo jovem
Estevão - primeiro Mártir do Cristianismo - ao comparecer
ante o Sinédrio, o
poderoso tribunal israelita.
Sublinhemos as palavras tua terra - tua parentela e, por fim, a terra
que eu te
mostrarei.
Meditemos, pois.
O patriarca Abraão vivia, na terra dos Caldeus, atento às
atividades normais
e rotineiras do campo, cuidando de seus rebanhos de ovelhas, bois e
jumentos.
Vivia preso à sua terra, vinculado à sua parentela. Era,
por conseguinte, um
homem circunscrito, limitado em seus objetivos, confinado em suas aspirações.
O Senhor, pela voz de Poderosas Entidades que se comunicavam pela voz
direta - pneumatofonia, retira-o da Mesopotâmia para cumprimento,
junto ao
heróico povo hebreu, de elevada missão fraternista.
Retira-o de sua terra, de sua parentela, de sua família, para
confiar-lhe uma
família maior, numerosa descendência, incontável
como as estrelas: "Olha para o
céu, e conta, se podes, as estrelas." Depois, acrescentou:
"Assim será a tua descendência."
Nenhuma força transformará o Cristianismo em "uma
religião" formalista,
convencional, subordinada a rituais, desvitalizada.
Ninguém lhe alterará a substância, a feição
universalista, abrangente, eterna,
divina.
O Cristianismo não cabe numa redoma.
Sendo a Religião do Amor, é, por conseguinte, a Religião
Cósmica - eis
que o Amor é a força que rege o Universo em todas as suas
manifestações
visíveis e invisíveis, objetivas e subjetivas.
Universo físico.
Universo moral.
Universo mental.
O Cristianismo nunca foi, não é, nem será, jamais,
um movimento
condicionado - familiar, grupal, racial.
Nem mesmo planetário.
A sua essência oloriza não só a Terra - mundo onde
a Divina Bondade nos
situou, presentemente.
Não exerce sua influência, apenas, nos orbes que gravitam
em torno do Sol.
O Cristianismo - Filosofia do Amor Universal - aromatiza e vivifica
os
bilhões de planetas que rolam no Infinito de Deus.
* * *
O Pai Celestial, pela
voz de Seus iluminados Servidores, do plano extrafísico
principalmente, vem, com ternura, desde os primórdios das humanidades,
procurando dilatar o nosso entendimento.
Ampliar a nossa capacidade efetiva.
Despertar-nos para o altruísmo.
Libertar-nos, enfim, dos acanhados preconceitos de família, grupo,
crença,
raça.
À maneira do velho Abraão, o homem terrestre precisa deixar
a sua terra, a
sua parentela, e integrar-se na grande família universal.
Tão grande, tão numerosa quanto as estrelas que refulgem
nas constelações
distantes, que não podem ser contadas.
O homem que deixa, subjetivamente, filosoficamente, mentalmente, a sua
terra, a sua parentela, não as repudia, como pode parecer.
Longe disso.
Estima-as com a mesma intensidade com que estima outras terras e outras
gentes, porque sabe que o menor pedaço de terra e a criatura
que nasceu no
ponto mais distante do Globo pertencem - terra e criatura - a Deus,
que é
também o seu Criador.
Ama-as com a mesma pureza, o mesmo carinho com que ama a terra onde
nasceu e seus compatriotas.
Ama-as sem quaisquer laivos de egoísmo.
Sabe que o povo mais humilde, como o mais civilizado, é filho
de Deus
quanto ele próprio aqui e em qualquer recanto do Universo.
Sabe, outrossim, que o habitante de Marte ou de Júpiter também
é seu
irmão, membro da grande família universal.
Assim como Deus indicou a Abraão outra terra, que seria o santuário
da
Primeira Revelação, o Templo da Segunda também
nos mostra o abençoado
rumo da fraternidade, preparando-nos a Inteligência para a Sabedoria.
O Coração - para o Amor.
A Alma Eterna - para a Luz que se não extingue.
* * *
Estevão é
bem o símbolo do homem realizado, do homem que encontrou
outra terra.
"... cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes
sinais entre o povo."
"E não podiam sobrepor-se à sabedoria e ao espírito
com que ele falava."
"Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os
olhos em Estêvão,
viram o seu rosto como se fosse de anjo."
Abraão simboliza o ontem da Humanidade, arrancada de sua terra
e de sua
parentela.
Estevão, inundado de amor evangélico, simboliza O amanhã
da Humanidade,
vivendo já noutra terra.
Abraão, numa demonstração de fé - da fé
que não encara a razão face a
face - ergue o cutelo contra Isaac, seu amado filho, para entregá-lo
em
holocausto.
É sem dúvida, o homem de ontem.
Estevão, sentenciado à morte, apedrejado, vertendo sangue
por todo o
corpo, o semblante esfacelado, confia-se, ele mesmo, sereno,
imperturbável, ao sacrifício. Ë, sem dúvida,
o homem de amanhã.
O primeiro, preserva a sua vida e entrega a do próprio filho;
o segundo,
entrega a própria vida para salvar a de muitos.
Estevão, fitando a Jesus, cujos olhos pousavam com amargura em
Saulo,
roga compreensão para seu implacável verdugo: "Senhor,
não lhe imputes este
pecado."
E quando sua extremosa irmã Abigail lhe apresenta o algoz por
noivo, por
depositário de suas juvenis esperanças, tem forças
ainda para dizer: "Cristo os
abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um
irmão... Saulo deve ser
bom e generoso; defendeu Moisés até o fim... Quando conhecer
a Jesus, servi-lo-
á com o mesmo fervor... Sê para ele a companheira amorosa
e fiel."
Estevão simboliza, indubitàvelmente, o homem do amanhã.
Guarda no peito a fé iluminada pela razão.
Possui no cérebro a razão sublimada pela fé.
" ... viram o seu rosto como se fosse de anjo."
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