ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA

37
Mocidade e Renúncia

... aos moços como a irmãos.

O apóstolo aconselha a Timóteo fale aos moços "como a irmãos", isto é, com
sinceridade e amor, com respeito e seriedade.
Por isso a nossa linguagem com os jovens deve ser clara e franca,
especialmente ao lhes falarmos das profundas, imensas responsabilidades que o
Cristo atribui à juventude.
Responsabilidades inalienáveis, imediatas, intransferiveis.
A geração do futuro ha-de ser um reflexo das gerações de hoje; assim,
ninguém prescinde, no seu aprendizado, do exemplo dos mestres.
A geração atual deve ser, um espelho para as gerações do Amanhã.
E a face desse espelho não pode, nem se deve deixar embaraçar pelas
nódoas da iniquidade, que geram o desequilíbrio e o mau exemplo.
Lancemos mão, pois, da charrua evangélica, sem olhar para trás, porque, na
luta edificante, não serão admitidos recuos, nem vacilações.
Recordemos o "pregai em tempo e fora do tempo", do Convertido de
Damasco.
Aquele que deseja seguir ao Cristo, tem de renunciar a si mesmo, tomar a
sua cruz e segui-Lo. Essa exortação, profundamente sábia, atravessou os
milênios, e tem, hoje, a ressonância sublime de uma advertência amiga,
generosa.
Renunciemos, jovens, às preocupações materiais, porque as tarefas
evangélicas aí estão, exigindo renúncia, abnegação, sacrifício.
Ofertemos ao Mundo apenas o indispensável.
Renunciemos, para que a coletividade inteira, a grande família humana se
beneficie da grandiosa obra de regeneração planetária no mais curto espaço de
tempo.
Do esforço empregado, dependerá a maior ou menor amplitude de tempo.
O trabalho dos jovens espíritas tem, pois, características inimagináveis.
Com a força moral, adquirida no estudo e na exemplificação evangélica,
valiosos empreendimentos serão levados a efeito.
Nas instituições juvenis, a palavra de fé, entusiasmo e convicção será ouvida
por outros jovens que não encontraram, por certo, em outras doutrinas, a seiva
vivificante da realidade cristã - despida de fórmulas, rituais e símbolos.
No recesso dos lares, na exemplificação constante da bondade, da
meiguice, da correção, do respeito filial, exaltando, assim, o "honrai o vosso pai e
a vossa mãe".
Nas Universidades e Ginásios, apresentando-se como perfeitos cavalheiros,
educados, estudiosos e aplicados, constituindo exceções que não poderão
deixar de ser notadas.
Nas repartições, no comércio, na indústria, como funcionários zelosos,
dedicados e honestos, ou chefes humanos, liberais.
Enfim, no seio da sociedade, sempre eivada de preconceitos, fortalecidos e
amparados na convicção evangélica, darão testemunhos edificantes, alheando-
se, serenamente, dos abusos e desvios anticristãos.
Teremos, então, a mocidade espírita de hoje, constituindo, amanhã, para
glória de Deus e felicidade de todos, a elite cristã dos professores e médicos,
dos magistrados e governantes.
Homens dignos, humanos, justiceiros, agindo consentâneamente com as
lições do Cristo Imortal, de quem tanto nos temos separado.
Iluminados, então, em definitivo, pelas claridades da Terceira Revelação - O
ESPIRITISMO -, caminharemos, unidos na Paz e no Amor, na Concórdia e na
Fraternidade, para a Frente e para o Alto - com Nosso Senhor Jesus-Cristo!
A posteridade, respirando no clima da legítima compreensão, abençoará,
dos moços espíritas de hoje, o esforço renunciativo às glórias do Mundo.


38
A Força do Exemplo

vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz,
façais também vós.

A influência do Espiritismo não se faz, apenas, nos meios que lhe são
peculiares.
A sua atuação, salutar e construtiva - altamente construtiva, convém
ressaltar -, estende-se, sem dúvida, a outros ambientes, outros setores, outras
esferas.
Reformando-se, pouco a pouco, à medida que vai compreendendo, sentindo
e aceitando de coração a mensagem renovadora da Doutrina, o Espírita começa,
muitas vezes sem o notar, a ser um elemento proveitoso ao meio onde vive.
Isso acontece, decerto, por ser o Espiritismo uma Doutrina de auto-
responsabilidade.
Quando o homem começa a sentir a influência renovadora da Terceira
Revelação, sente, igualmente, simultaneamente, uma noção de responsabilidade
irresistível, que o faz iniciar, logo, a sua metamorfose íntima, principiando, de
modo especial, a preocupar-se com o problema da exemplificação.
Se exerce, lá fora, na vida pública, funções de mando, sente o imperativo de
ser justo e bom, porque bondade e justiça são qualidades que o Espiritismo
aponta por essenciais à felicidade e ao progresso.
Se, ao contrário, desempenha atividades subalternas, logo compreende a
necessidade de esmerar-se no cumprimento de suas obrigações, com disciplina,
respeito e boa vontade, porque boa vontade, respeito e disciplina são virtudes
que a Doutrina lhe recomenda.
Administrando, pois, ou servindo, o comportamento do Espírita esclarecido
tende para o Bem e para a Verdade, eis que os preceitos doutrinários não se
harmonizam com a maldade e a mentira, por se acharem, aqueles, impregnados
de substância evangélica.
Não se pode exigir, evidentemente, do obreiro espírita, a santificação
compulsória, de um dia para outro, uma vez que profundas são as nossas
vinculações ao pretérito; contudo, pode se-lhe sugerir esforço e boa vontade,
perseverança e fidelidade na correção de defeitos e na conquista de qualidades
enobrecidas.
Constitui sempre motivo de alegria para os Instrutores Espirituais -
encarnados e desencarnados - perceberem que o indivíduo, ao tornar-se
Espírita, modifica-se para melhor.
Se fora vingativo e rancoroso, converte-se, via de regra, num ser generoso e
cordato, esforçando-se, infatigavelmente, para perdoar e servir aos que antes lhe
ofenderam.
Se fora preguiçoso e comodista, transforma-se num obreiro diligente e
operoso.
Se se comprazia no comentário maledicente, com relação a tudo e a todos,
torna-se discreto, habituando-se, inclusive, a observações ponderadas e
sinceras.
Transformando-se, assim, gradualmente, para o Bem e para a Luz, para o
Amor e para o Conhecimento, o servidor do Espiritismo pode influenciar, de
maneira satisfatória, a comunidade a que pertence.
Beneficiar o ambiente onde a Suprema Bondade o situou.
Melhorar a coletividade de que participa.
Reajustar caracteres e aprimorar sentimentos de companheiros que lhe
partilham a experiência evolutiva.
Isso porque o exemplo - a Força do Exemplo -constitui a mais edificante
pregação que o homem fiel a si mesmo pode realizar, a benefício seu e do
próximo.
A palavra, embora culta e superior, pode ser esquecida.
O bom exemplo, observado e sentido, permanece, indelével, na retina e nos
refolhos conscienciais.
Daí ter o Mestre asseverado aos discípulos, após lhes ter lavado os pés: "...
eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais também vós.

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