ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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Guardar
Então se lembraram das suas
palavras.
Ante a realidade do túmulo vazio,
nos generosos domínios de José de
Arimateia, as mulheres que tinham vindo da Galileia se lembraram das
palavras
de Jesus, acerca da ressurreição no terceiro dia.
Enquanto o Senhor estava com elas, com os discípulos e com o
povo, que
Lhe desfrutavam a presença sublime, não Lhe conseguiam
guardar os ensinos.
Esqueciam-Lhe as lições, claras algumas vezes, noutras
ocasiões ocultas
sob o véu da alegoria e da parábola.
Ouviam, mas não guardavam.
Registravam a suave ressonância do seu verbo luminoso, mas não
lhe
absorviam o conteúdo divino e eterno.
Inúmeras vezes, conforme descrevem os evangelistas, confundem
os seus
ensinamentos, dando-lhes interpretações em desacordo com
o real sentido
deles.
Isso igualmente se repete nos dias que passam, com relação
ao intercâmbio
entre os dois planos da vida.
O mesmo fenômeno se verifica com referência às mensagens
que a
Espiritualidade Superior nos está enviando, em sucessivas ondas
de luz e amor,
numa demonstração de que as comportas celestes continuam
abertas de par em
par.
Jesus retornou ao mundo para educar e salvar, para consolar e esclarecer.
Trouxe-nos, de novo, fartas messes, que nos compete assimilar e reter,
ouvir
e guardar.
Orientação para o exercício da mediunidade - hífen
de luz entre o Céu e a
Terra.
Conselhos sobre a necessidade de obedecer e servir com humildade.
Lições em torno da fraternidade, para que o amor se expanda.
Incentivos ao estudo nobre, para que a cultura dignifique e eleve a
criatura
humana.
Exortações à indulgência, para que a compreensão
e o respeito favoreçam a
convivência harmoniosa.
Valiosos conceitos sobre o perdão, para que se não adube
a sementeira do
ódio.
Incessantes alvitres à reforma íntima, em consecutivas
efusões de luz e
misericórdia, enlevam-nos o coração comovido, sempre
que as mensagens
surgem, aqui e alhures...
Ao suave impulso da palavra do Alto, indefinível paz invade-nos
a alma,
trazendo-nos a confortadora certeza da Presença do Mestre no
santuário da
nossa consciência.
Todavia, nos labores mediúnicos e nas experiências da subalternidade
digna,
obediência e fraternidade, estudo e Indulgência, perdão
e esforço renovativo são,
ainda, os "grandes ausentes" da nossa caminhada.
Mais tarde, contudo, quando se der o inevitável retorno de nossos
Espíritos
aos planos subjetivos, pela desencarnação, lembrar-nos-emos,
surpresos ou
desolados, das palavras desses abnegados instrutores.
A mensagem renovadora é tão necessária ao Espírito
Imortal, como o pão
diário ao corpo transitório.
É imprescindível, contudo, não só assimilar
e reter, ouvir e entender, mas,
sobretudo, guardar e viver o que o Céu tem enviado, com tamanha
prodigalidade,
mercê de instrumentos mediúnicos devotados e seguros.
Guardar o ensino, exemplificando-o, constitui, em verdade, garantia
de
aproveitamento e iluminação.
Agora e sempre, hoje e amanhã...
Jesus está conosco, através dos ensinamentos que nos têm
felicitado as
almas sequiosas.
Nas lições que a psicografia materializa, em forma de
mensagens
substanciosas e belas, simples e edificantes.
Nos conceitos elevados que chegam até nós por estímulo
e reconforto.
Retendo a palavra do Mestre e aplicando-a à vida prática,
na medida de
nossos recursos, evitaremos a tardia memorização que nos
trará
desapontamento e surpresa, constrangimento e remorso.
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Cristo e Lázaro - 1º
Senhor, eis que está enfermo
aquele que tu amas.
Encontrava-se o Senhor em Jerusalém,
quando Marta e Maria - duas moças
residentes em Betânia - mandaram avisá-lo de que Lázaro,
irmão de ambas e
amigo de Jesus, estava enfermo.
Apesar da urgência do recado, permaneceu ainda o Divino Amigo
dois dias
onde estava, não obstante amar intensamente os amigos de Betânia.
Não era pequena a distância entre Jerusalém e a
aldeia, pelo que, quando
Jesus ali chegou, Lázaro já estava morto, segundo relata
o Evangelho.
Não temos o objetivo de formular considerações
doutrinárias sobre a morte e
a ressurreição do amigo do Senhor, na sua feição
biológica, embora disponha o
Espiritismo de explicação, clara e lógica, para
a ocorrência em si mesma.
Nosso desejo é referirmo-nos, exclusiva e simplesmente, às
três principais
frases proferidas por Jesus - o que será feito nos capítulos
seguintes -, nas
quais encontraremos preciosas e instrutivas conclusões ligadas
ao complexo
problema do despertamento espiritual do homem.
Meditando sobre tais frases, verificaremos que a pessoa "adormecida"
ou
"morta" para a Verdade Transcendente terá, como Lázaro,
de acordar, de erguer-
se, de caminhar sob a influência de fatores sutis e variados.
Fatores que dependem, inclusive, da interferência direta ou indireta
de
terceiros.
O despertamento é gradativo e se condiciona ao funcionamento,
eqüânime e
perfeito, das leis naturais que regem a evolução.
Ninguém desperta instantaneamente.
Ninguém se ergue, de um momento para outro, do túmulo
da ignorância, para
o santuário do conhecimento.
Ninguém dá um salto da cova do egoísmo para a catedral
da abnegação.
Ninguém, após levantar-se, conseguirá desenfaixar-se,
com fácilidade, sem o
concurso de amigos e benfeitores, sejam eles encarnados ou desencarnados.
Há sempre alguém intercedendo por nós, à
maneira de Marta e Maria, que se
apressaram a enviar mensageiros ao Cristo, a fim de que pudesse Lázaro
ser
restituído à dinâmica da vida.
O Mestre, ouvindo o apelo, compareceu à humilde aldeia de Betânia.
Atendendo ao aflitivo chamado das moças, que choravam o Irmão
morto,
pronunciou as três frases que, segundo a elucidação
espírita, indicam o lento
despertar do Espírito para as belezas da imortalidade.
"Tirai a pedra."
"Lázaro, sai para fora."
"Desligai-o, e deixai-o ir.
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