ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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A Terceira Frase - 4º
Desligai-o e deixai-o ir.
Estamos do lado de fora, ante o sol
do Evangelho do Senhor.
Mas, ó indisfarçável realidade! temos as mãos
e os pés ligados por faixas, o
rosto envolto num lenço, à maneira de Lázaro.
Estamos de pé, realmente - mas não podemos andar.
A luz fêz-se em torno de nós - mas nada enxergamos.
Ao redor de nós, pessoas e coisas: - mas nossos olhos nada percebem.
A pedra foi retirada por generosos amigos - mas permanece, tirana e
impiedosa, a atrofia muscular.
Já saímos do sepulcro, obedecendo à determinação
do Celeste Benfeitor.
Mais uma vez, no entanto, uma vez mais o Mestre roga o concurso de nossos
queridos cireneus, velhos amigos que removeram a pedra, quando não
apenas
"dormiamos", mas estávamos "mortos" para
as realidades da Vida Mais Alta.
Devotados amigos, benfeitores incansáveis de outras existências,
que
estiveram ao nosso lado na "morte", no "sono", no
"despertamento", acorrem de
novo, pressurosos, para nos desligarem as faixas e o lenço que
nos perturbam,
nos inibem, nos impedem de dar o passo decisivo.
Para a Frente e para o Alto.
Para a Sabedoria e para o Amor.
Para o Conhecimento e para a Bondade.
Jesus utiliza aqueles amigos, abnegados companheiros de outras jornadas
reencarnatórias, que, melhor aproveitando a bênção
do Tempo e as
oportunidades, de nós Se distanciaram pelo esforço próprio,
pela perseverança
no bem.
Companheiros que, certamente, como nós outros, tiveram há
milênios a sua
pedra, mas da qual se libertaram, em definitivo, desde o sublime instante
- o
glorioso minuto em que a voz do Cristo ecoou em suas consciências:
- "Sai
para fora."
Embora desperto - Lázaro não podia caminhar.
Estava enfaixado, inibido, obliterado.
Também nós outros, apesar de acordados, necessitamos ainda
de quem
retire as faixas mentais que nos impedem a Visão Maior.
Faixas de egoísmo, gerando outros males.
Ambição, orgulho, inveja, ódio...
Velhas faixas que nos conservam imantadoS à sepultura de nossas
ilusões,
que teimam em não morrer, em não se extinguir...
* * *
Não basta seja retirada a pedra,
por nossos amigos encarnados ou
desencarnados.
Não basta a repercussão, na acústica de nossa consciência,
da ordem do
Senhor, compelindo-nos a levantar e sair para fora.
Não basta que nos desliguem, nos desenfaixem, nos deixem ir,
sonolentos e
aturdidos - fantasmas sem rumo e sem vontade.
É imprescindível marchemos, conscientes e esclarecidos,
na direção da
Imortalidade Sublime, onde o serviço com Jesus pede, de cada
um, devotamento
e renúncia, decisão e boa vontade.
É imperioso, já que reconhecemos com Emmanuel que "toda
reação
substancial procede do interior para o exterior", empenhemos todo
o esforço
possível no sentido de nossa ascensão, definitiva, no
rumo da Vitória com o
Mestre.
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Discernimento
Conhece-se a árvore pelo fruto.
As comunicações mediúnicas
- espontâneas ou provocadas - não
constituem invenção do Espiritismo.
Essas comunicações sempre existiram, em todos os tempos
e lugares.
A história de todos os povos, ocidentais e orientais, demonstra
que o mundo
espiritual nunca esteve divorciado do mundo físico.
Na antigüidade tais fenômenos não eram desconhecidos,
embora
permanecessem limitados ao recinto fechado dos templos, monopolizados
pelos
iniciados, que se interessavam em ocultá-los do povo, deles tão
necessitado,
como seria demonstrado no futuro.
No tempo de Jesus, os fenômenos se intensificaram.
A presença do Cristo na Terra como que pôs em efervescência
as forças
espirituais, a ponto de os contemporâneos do Mestre se familiarizarem
de tal
modo com as comunicações, que as páginas evangélicas
estão repletas de fatos
dessa natureza.
Com o Cristo, pudemos notar que as cortinas dos templos iniciátivoS
se
tornaram transparentes.
Tornaram-se a tal ponto tênues, que as comunicações
se generalizaram,
atingindo as mais diversas camadas da sociedade da época.
Os fenômenos ganharam as ruas.
Foram para as aldeias mais distantes.
Penetraram nas metrópoles mais famosas.
Invadiram os campos e as praias.
Consagraram-se, afinal, como expressão imensurável do
Amor de Deus, no
glorioso Dia do Pentecostes.
Embora os surtos mediúnicos se tivessem ampliado com o Mestre,
fertilizando a lavoura da Boa Nova, caberia, contudo, ao Espiritismo,
ao
Consolador, por determinação do próprio Cristo,
a missão de metodizar-lhes a
prática, de discipliná-los, à maneira do engenheiro
que, ante a força
desgovernada da cachoeira, utiliza os recursos da técnica para
convertê-la em
alavanca do progresso e do bem-estar.
Coube ao excelso missionário da Codificação, não
apenas por meio de
trabalhos esparsos, mas, sobretudo, através de "O Livro
dos Médiuns",
estabelecer as principais linhas da prática mediúnica.
Aos herdeiros da Terceira Revelação assegurou Allan Kardec,
em "O Livro
dos Médiuns", o roteiro fundamental, a diretriz segura.
Se desejamos que a prática mediúnica, com finalidade educativa
e
consoladora, para nós e para os desencarnados, se realize de
acordo com os
preceitos do Evangelho e dentro das normas doutrinárias, é
imprescindível o
estudo desse livro, verdadeiro tratado experimental de Espiritismo,
que garante
ao Espírita base sólida para o desempenho eficaz de seus
encargos nesse
delicado e sublime campo da Doutrina.
O sabor do fruto revela a árvore.
O estudo e a observação levam ao discernimento.
Sem as luzes doutrinárias, hoje profusamente propagadas, dificilmente
conseguiremos êxito no serviço mediúnico.
Promover o intercâmbio com os Espíritos, sem a orientação
doutrinária e o
sentimento evangélico, em qualquer tempo e lugar, é caminho
aberto para desa-
gradáveis surpresas.
E o discernimento e a bondade - vigas mestras do setor mediúnico
- são
qualidades que somente a Doutrina e o Evangelho proporcionam.
Cabendo, pois, ao Espiritismo a missão de orientar a prática
mediúnica, não
podemos ignorar que, na qualidade de militantes da Doutrina, cada um
de nós
suporta, nos ombros, uma parcela de responsabilidade.
Na sua difusão, no seu desenvolvimento, no seu exercício.
Isso é o que nos parece acertado.
E a todos ha-de também parecer, supomos, porque a cartilha mediúnica
é
uma só: "O Livro dos Médiuns".
TODO CONTEÚDO
DAS ORAÇÕES, MENSAGENS ESPÍRITAS E PSICOGRAFIAS
PODERÁ SER COPIADO, PUBLICADO, DIVULGADO SEM AUTORIZAÇÃO
PRÉVIA DESDE QUE SEJA SEM FINS LUCRATIVOS.