ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA
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Liberdade Cristã - 3º
Ninguém busque
o seu próprio interesse; e, sim, o de
outrem.
A exortação
de Paulo é um convite à fraternidade, ao amor, à
misericórdia e
ao altruísmo.
Que as diversões sejam, apenas, um derivativo em nossa existência
- é
lícito.
Que o livro vulgar continue alimentando ilusões, intoxicando
mentes,
plasmando futilidades, roubando horas - é coisa lícita.
Que a visita convenciOnal, formalista, desprovida de sinceridade e carinho,
permaneça fomentando a hipocrisia entre os que nela se comprazem
- é coisa
lícita.
Merece, contudo, nosso apreço o conselho de Paulo:
"Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim,
o de outrem."
O homem ou a mulher que, apesar de imperfeitos, buscam, no cumprimento
de suas obrigações espirituais, a própria edificação,
pela compreensão de que,
na vida terrestre, tudo passa, devem continuar preferindo o comportamento
construtivo.
A visita fraterna, sempre que possível.
A leitura substanCiosa.
As tarefas do bem.
Os labores do Evangelho e da Doutrina.
O estudo e o trabalho, enfim.
Assim convém ao Espírito já desperto, em processo
de plenificação cristã.
No lugar das diversões excessivas, há muita coisa útil
a fazer.
A visita ao hospital, onde o indigente permanece esquecido.
O amigo enfermo ou acossado por um problema moral, ansiando por um
instante de prosa confortadora.
O leito do sofrimento, que a distração ou a falta de tempo
da maioria olvida.
Ao invés do livro comum, prefiramos a obra séria, respeitável,
que fale de
fraternidade e evolução, imortalidade e progresso, luz
e amor.
Obra que enriqueça a inteligência, com benefícios
para o interesse de outrem
-
Não mais a visita convencional; agora, a solidariedade aos que
sofrem.
A palavra carinhosa, no leito do moribundo.
O gesto afetuoso e compreensivo, simples e espontâneo, com o criminoso
que a sociedade despreza.
O reconforto à viúva que chora, com os filhos, a ausência
do esposo que se
foi na Grande Viagem.
* * *
Todo esforço no
sentido da auto-espiritualização é lucro para a
alma eterna -
Toda redução de futilidades constitui, inegàvelmente,
um passo à frente na
senda libertadora -
Contra os nossos anseios de crescimento - asseguram os Instrutores
Espirituais - conspiram milênios de sombra.
A jornada de ascensão se realiza "sob a cruz de sucessivos
testemunhos" -
avisa-nos a bondade de Emmanuel.
Mas, o verbo dos Amigos Devotados ressoa ainda mui fragilmente em nossa
consciência.
Ainda buscamos, avidamente, o interesse próprio, em detrimento
do alheio,
desatentos ao conselho do Apóstolo.
Temos dificuldade em conjugar, em todos os seus tempos e modos, o verbo
"servir".
O serviço, para nós, constitui, ainda, uma disciplina
- abençoada disciplina
que nos afeiçoará, gradualmente, ao estado de ajudar espontaneamente.
Não temos espírito de renúncia.
Temos dificuldade em sacrificar-nos pelo próximo.
Mas, se preferirmos o conveniente ao lícito, o edificante ao
permitido, o
proveitoso e útil ao simplesmente agradável, atingiremos,
com certeza, a nossa
sublime destinação dentro da Eternidade.
A destinação do Bem e da Moral.
Da Sabedoria e do Amor, com o Mestre da Cruz... Outras esferas, outros
mundos, outros sóis, aguardam que aprendamos, aqui, a lição
da renúncia e do
desinteresse.
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Inferno
Ali haverá choro
e ranger de dentes.
A Humanidade de hoje
não aceita a clássica definição de inferno,
adotada e
ensinada por algumas religiões.
Com alguma boa vontade, pode-se admitir que, no alvorecer dos tempos,
quando ainda rastejava o pensamento humano, a tese de um inferno, do
qual
jamais se sai, tivesse alguma utilidade.
Concedendo, portanto, a semelhante tese um crédito de compreensão
e
tolerância, em homenagem à sua ancianidade, poder-se-á
admitir a sua serventia
numa época em que a Humanidade se encontrava mergulhada, "de
corpo e
alma", nos profundos oceanos do obscurantismo.
O homem embrutecido, o homem selvagem, o homem que lutava por atingir
o
estágio da Razão - um homem assim, primitivo, atrasado,
possivelmente
necessitaria de algo que o atemorizasse, de algo que lhe contivesse
os violentos
e animalizados impulsos, gerados pela feroz ignorância.
Hoje, contudo, o homem já se esclareceu... embora não
se tenha iluminado.
A Ciência realiza, na atualidade, os mais arrojados voos na direção
do
conhecimento, desnudando audaciosamente da Natureza as mais notáveis
manifestações.
A Filosofia, por seu lado, não lhe tem ficado atrás no
afã de explicar os
enigmas da Vida e da Imortalidade.
A Religião, por sua vez, aliando-se a ambas, desdobra ao Espírito
do
Homem horizontes mais amplos, perspectivas mais belas e consoladoras,
no
esperançoso cenário da Evolução.
O inferno aceito e difundido pela teologia não mais impressiona
a ninguém.
As próprias crianças não o levam a sério.
O homem do século 20 aceita uma fórmula única,
simples e lógica, para
definir o inferno: estado consciencial.
Fórmula que a Doutrina Espírita também aceita e
adota, difunde e prega.
Fórmula que assegura a integridade da Justiça Divina,
a excelsitude do Amor
do Pai.
Na concepção teológica, é um lugar onde
as almas sofrem eternamente; na
concepção espírita, é um estado dalma, transitório,
efêmero.
De acordo com a teologia, é Causa; de acordo com o Espiritismo,
é Efeito.
Com a primeira, foi criado e nele são lançados, eternamente,
os infelizes;
com o segundo, o homem é quem o cria e nele imerge, temporàriamente,
vivendo-lhe as emoções e deprimências.
Duas teses, por conseguinte, inconciliáveis.
Os Instrutores Espirituais, com a sabedoria e a clareza de sempre, ensinam:
não há tormentos eternos para os pecadores, mas, sim,
"homens infernais
criando infernos para si mesmos".
Quem, portanto, fabrica o inferno para o homem éo próprio
homem.
Não seria Deus - ILIMITADO AMOR e INFINITA COMPAIXÃO -
quem haveria
de engendrar, com requintes de apurada crueldade, como não o
faria o mais
desumano carcereiro do mundo, tão desalmada prisão para
as suas criaturas.
Se a permanência no inferno tivesse a duração de
cem, duzentos ou
trezentos anos, contanto que lhe dessem um limite qualquer, um final,
mesmo
demorado, ainda haveria possibilidade de se admitir, no Criador, algum
resquício
de piedade.
Mas o inferno que afirmam haver Deus reservado aos infelizes - inferno
que
se vai desmoronando como uma casa velha - esse jamais existiu.
Admiti-lo, seria considerar o mais rigoroso pai terrestre muito mais
compassivo e generoso que o Pai do Céu.
Entretanto, continuam a ensinar que Deus permite que nele sejam
eternamente torturados os Seus filhos, num fogo que jamais se apaga.
Jamais se apaga...
Eterno...
Sem fim...
Seu fogo queima, mas não consome as almas.
Horrível, pavoroso, alucinante!
Mais do que isso: ENLOUQUECEDOR!...
Nele crepitam, incessantemente, rubras labaredas.
Línguas de fogo, vermelhas, atrozes, quentes.
E, dentro delas, queimando-se por toda a eternidade, mas sem se
consumirem - o que seria uma "sinistra esperança",
mas sempre uma
esperança - as criaturas que o próprio Deus pôs
no mundo para evoluirem.
Amigos, dispamos a crisálida do fanatismo.
Amigos, vistamos a túnica do raciocínio e o ponhamos a
funcionar...
O Espiritismo não aceita esse inferno, que nega e destrói
o mínimo de Amor,
Bondade, Ternura e Misericórdia que o Amantíssimo Pai
poderia ofertar aos
Seus filhos.
Não aceitamos, bem assim outros religiosos, esse inferno circunscrito,
geogràficamente delimitado.
Aceitamos, isto sim, o "choro e ranger de dentes" que o Evangelho
menciona.
Aceitamos a existência de planos de sofrimento, em várias
partes do
Universo.
De planos inferiores, onde permanecem almas que desrespeitaram as leis
divinas, conspurcaram a moralidade e o bem, menosprezaram a virtude
e o
saber, até que se disponham, elas mesmas, a receber o auxílio
divino, sempre
disposto a socorrê-las.
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