O EFEITO BORBOLETA, KARMA, DESTINO E O LIVRE-ARBÍTRIO

1. EFEITO BORBOLETA, O FILME

Evan Treborn, vivido pelo ator Ashton Kutcher, perdeu o sentido do tempo. Ainda criança, vive verdadeiros lapsos temporais, onde eventos significativos da sua vida caem no buraco negrodo esquecimento.
A juventude cheia de frustações é repleta de acontecimentos dolorosos, dos quais alguns ele não consegue recordar. Evan Treborn assiste as vidas das pessoas a seu redor, em especial de seus amigos de infância - Kayleigh (Amy Smart), Lenny (Elden Henson) e Tommy(William Lee Scott) -, serem alvo de duros revéses.
Sob cuidados psicológicos desde a infância, ele é incentivado a escrever um diário, onde registra suaa atormentada existência. Na faculdade, aparentemente livre das “crises” de lapso de memória, Evan, em determinado momento do filme é levado a rever seus diários, e no instante em que começa a ler suas memórias, sente algo espantosamente inexplicável: faz uma viagem no tempo, ao passado.
Evan Treborn percebe que, os cadernos-diários guardados desde a infância são um veículo que o leva de volta ao passado, para recuperar as memórias “perdidas”. Entretanto, as recordações trazidas ao presente carregam uma alta carga de “culpa”, fazendo com que ele sinta-se responsável pelas vidas destruídas dos amigos – um deles com sérios traumas emocionais -, principalmente a vida de Kayleigh, a namorada da infância, que ele continuou a amar até adulto.
Descobrindo a possibilidade de “viajar no tempo”, Evan, começa a voltar sequencialmente ao passado, pois pode manter a mente de adulto no corpo de criança, decidido a fazer coisas da qual era incapaz na época, para tentar reescrever a VIDA e poupar aos amigos e às pessoas queridas aquelas experiências traumáticas.
Entretanto, toda a vez que Evan Treborn MUDA UM ACONTECIMENTO PASSADO, ao voltar ao presente, descobre que seus atos tiveram CONSEQÊNCIAS INESPERADAS E DESASTROSAS NO PRESENTE.
O personagem vai aos poucos percebendo uma dinâmica existencial, muito mais intrincada e complexa do que poderia supor, além do raciocínio cartesiano da temporalidade linear de passado-presente-futuro.
O filme aborda a questão da “LEI DE AÇÃO E REAÇÃO”, utilizando os princípios da chamada TEORIA DO CAOS, que preconiza a existência do EFEITO BORBOLETA.

2. A TEORIA DO CAOS (O EFEITO BORBOLETA).

Filha da cibernética e da teoria da informação, a TEORIA DO CAOS surgiu no séc. XX, meados da década de 60 com as elaborações do matemático Benoilt Mandelbrot a respeito do tempo metereológico. Os trabalhos de Mandelbrot começava nos limites da ciência clássica, que era extremamente influenciada pela invenção do relógio. O relógio simbolizou para muitos cientistas, a ordem do universo, porque seus movimentos são “totalmente previsíveis”.
Na visão cartesiana da natureza proposta pela ciência tradicional, bastava “desmontar” os fenômenos do universo, para conhecer seu funcionamento, e essa visão mecanicista do mundo ganhou uma metáfora no DEMÔNIO DE LAPLACE.
O cientista francês propôs que: se uma “consciência” soubesse todos os dados de todas as partículas do universo e fosse capaz de fazer os cálculos necessários, teria condições de prever o seu funcionamento com perfeição. O Demônio Laplaciano teria diante de si O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO.

2.1 O EFEITO BORBOLETA

Quando falamos de determinismo – o demônio de Laplace – podemos pensar numa simples viagem de avião: se soubermos a distância a ser percorrida, a velocidade do avião, a existência ou não de escalas, poderemos calcular com absoluta precisão o horário de chegada no local de destino.
A situação pode funcionar na teoria, mas na prática a realidade é outra. Uma turbulência imprevista, a formação de um teto baixo no aeroporto de destino, impossibilitando o pouso, um defeito numa peça da aeronave, e outras ocorrências, poderão provocar atrasos, ou impossibilitar simplesmente a viagem.
Tais possibilidades estão presentes, em concordância com a Teoria do Caos, porque a maioria dos sistemas não pode ser deteminado em decorrência da chamada “dependência sensível das condições iniciais, ou EFEITO BORBOLETA”.
A expressão “efeito borboleta” é usada para denominar um fenômeno no qual uma borboleta, batendo suas asas na muralha da China, pode provocar uma tempestade em Nova York, ou seja, fenômenos em que um pequeno fator provoca grandes transformações são mais comuns do que se pensa.

3. DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO

A tese filosófica do DETERMINISMO, debatida há milênios pelos filósofos, sustenta em termos gerais que, tudo o que acontece está predeterminado , ou seja, o livre-arbítrio seria quase uma ilusão.
A ciência e a filosofia tem sustentado que a matéria comporta-se de forma completamente determinista, e a partir dos séculos XVI e XVII, tal posicionamento foi ratificado com as teorias do brilhante Sir Isaac Newton.
Podemos afirmar com alguma segurança que, no âmbito dos fenômenos materiais, o determinismo pode ser utilizado como parâmetro para prevermos o comportamento de sistemas, em dado momento e condições específicas, com “ absoluta” precisão.
Entretanto, quando aplicamos o chamado determinismo ao ser humano, e sua existência no atual panorama planetário, surgem vários obstáculos que impedem a “pré-determinação”.

3.1 LIVRE-ARBÍTRIO E FATALIDADE

Ao lidarmos com o ser humano, a visão materialista de que tudo no homem é MATÉRIA, coloca-nos em conflito com a delicada questão do LIVRE-ARBÍTRIO.
Se o homem fosse composto apenas de matéria, que está sujeita a leis rígidas segundo a ciência clássica, como poderíamos modificar nosso destino? Haveria por conseqüência a chamada FATALIDADE?
Buscando a definição de fatalidade no dicionário encontramos: “fatalidade é a marca do que é fatal, a força daquilo que predispõe irrevogavelmente os acontecimentos, o destino”.
Na definição de fatalidade surge o adjetivo fatal, que segundo sua definição é: “aquilo que é certo, prescrito pelo destino, inadiável, , irrevogável, que necessariamente acontecerá, inevitável, decisivo funesto, nefasto”(grifos nossos).
Logo, quando falamos de destino, vinculamos ao mesmo à idéia de fatalidade, algo fatal, simplesmente irrevogável, inevitável, decisivo, funesto e nefasto.
A noção de destino, como algo fatal, e fatal como funesto e nefasto está implícito em nosso inconsciente – há muitas vidas, provavelmente-, e tem levado o ser humano a conclusões equivocadas a respeito dos acontecimentos de sua vida.

3.2 KARDEC E A FATALIDADE

Kardec questiona os espíritos sobre a FATALIDADE na questão nº 851, do Livro dos Espíritos, e obtém como resposta que, “a fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca ãs provas morais e tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir ...” (grifos nossos).
A resposta é clara, precisa, e afirma categóricamente que a fatalidade, entendida como destino, nada mais é do que um conjunto de escolhas prévias, feitas pelo Espírito antes de sua reencarnação
Ainda dentro da mesma resposta surge a idéia de que a noção de determinismo pode, em princípio, ser aplicada às PROVAS FÍSICAS ( doenças congênitas, por exemplo), enquanto que nas PROVAS MORAIS ( opção por um vício como o do tabagismo), vige o livre-arbítrio do homem.
O conceito de FATALIDADE trazido pelos Espíritos é, em resumo NEUTRO, ou seja, não há nada necessáriamente funesto ou nefasto nos acontecimentos, senão o que o rumo definido pelo próprio homem aos mesmos.
Na resposta à questão nº 859, da obra acima citada, os Espíritos são contundentes quando dizem: “...A fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao momento em deveis aparecer e desaparecer deste mundo.”(grifos nossos).
Atententemos bem para a indicação de que a rigidez do que convencionamos chamar DESTINO, existe, com alto percentual de certeza, para os momentoas do NASCIMENTO-REENCARNE e MORTE-DESENCARNE.

4. CARMA E DESTINO

Carma é uma palavra de origem sânscrita, e quer dizer “AÇÃO”. O uso do vocábulo em nossa tradição espiritual, acabou por identificá-lo com a LEI DE AÇÃO E REAÇÃO, associando-o por conseqüência à nossa idéia de DESTINO.
O Carma está ligado – em nossa cultura espiritual-ocidental -, à colheita no presente da semeadura realizada no passado pela consciência em evolução. Entretanto, precisamos fazer alguns reparos na conceituação a respeito do Carma:
1. Carma não é destino, não havendo ligação sequer de significado, entre um e outro;
2. No conceito mais lógico do Carma, não existe qualquer “má sorte”, ou “azar”, que possa estar implícito no mesmo;
3. O Carma não deve ser aceito como algo INEXORÁVEL, IMUTÁVEL, para o qual “não há remédio”, ou seja, o popular “NÃO TEM JEITO, É O MEU CARMA”;
4. O conceito de Carma nào pode ser utilizado para explicar tudo, absolutamente tudo – como é usual alguns fazerem -, que acontece com o ser humano encarnado, ou desencarnado;
5. Ampliando a ação da Lei do Carma ou de Causas e Efeitos para multiexistências, do mesmo espírito (várias encarnações), a mesma não é linear, ou exemplificando: “bateu, apanhou”;
6. A Lei do Carma só faz sentido, dentro de uma ordem de evolução harmoniosa, ascensional, se a linearidade for substituída pelo conceito do LIVRE-ARBÍTRIO, que possibilita à consciência “mudanças efetivas de rumo existencial”;
7. O Carma trabalha, provavelmente, num sistema de ressonância dinâmica, no qual as atitudes do presente, selecionam as conexões a serem estabelecidas com as vidas passadas, com todas as consequências subsequentes.

4.1 DESTINO – UMA VISÃO AMPLIADA

Os apontamentos feito no item anterior sobre o Carma, abrem novas possibilidades de entendimento a respeito do chamado DESTINO, ou a nossa atual situação existencial.
Ao tecermos considerações sobre os acontecimentos no curso de nossas existências, podemos utilizar três sistemas de possibilidades:
1. Todos os acontecimentos estariam predeterminados, com índice 100% de ocorrerem;
2. Nenhum dos acontecimentos estariam predeterminados, aleatoridade total;
3. Alguns dos acontecimentos indicariam maior indíce de probabilidade de ocorrerem.

Ao acolhermos a hipótese do item 1, simplesmente estaríamos concordando com uma existência “trancada”, na qual o homem seria um mero espectador, cumprindo apenas a “determinação dos deuses do destino”.
Nesse caso, sem poder optar, exercer sua vontade, demonstrar sua capacidade de discernimento, sem o exercício do livre pensamento, como poderia a consciência evoluir?
A hipótese nº 2 por sua vez enunciando a imprevisibilidade total, levaria a supormos que esta vida atual, não possui qualquer conexão com outras existências, e, ao final, excluiria como possibilidade até o instituto da reencarnação.
O bom senso indica que a hipótese nº 3, que informa da probabilidade maior de predeterminação de alguns acontecimentos é a mais próxima da lógica espírita.

4.2 DESTINO E PROGRAMAÇÃO EXISTENCIAL

Na medida em que o ser humano evolui, amadurece consciencialmente, pode avaliar todo o conjunto das susas últimas existências, e no intervalo intervidas determinar certos aspectos de sua futura encarnação, com o auxílio de Espíritos especializados em planejamento reencarnatório.
Os trabalhos mais avançados dos estudiosos na área da T.V.P. – Terapia de Vidas Passadas – indicam que, nossa atual existência está conectada com um mínimo de 6 (seis) encarnações passadas, significando que o nosso momento presente é o resultado dessas interações multiexistenciais, com todas as derivações delas decorrentes.

4.2.1 O MAPA EXISTENCIAL E O EFEITO BORBOLETA

Seguindo na linha de análise formulada, afirmamos que todo ser humano em evolução neste planeta, com especiais exceções, tem ao reencarnar um MAPA EXISTENCIAL.
O “mapa existencial” seria um modelo provável da vida, um sistema de traçado panorâmico de todas as circunstâncias envolvendo o ser, tais como o corpo físico, família, religião, profissão, casamento, e outras inerentes a vida no mundo físico.
Entretanto, ao admitirmos a teoria do caos e o efeito borboleta, em que uma pequena modificação num sistema, provoca profundas alterações no modelo inicial, concluímos que o MAPA EXISTENCIAL é constantemente alterado pelo livre-arbítrio.
O livre-arbítrio é o mecanismo que dispara novos traçados no MAPA EXISTENCIAL, levando-se em conta que todas as nossas ações, por insignificantes que sejam, fazem-se acompanhar de certos efeitos, que se vão superpondo uns aos outros, de forma intricada e complexa.
Evan Treborn, o personagem central do filme “O Efeito Borboleta”, aos poucos vai percebendo que suas pretensões de alterar o passado, para reconstruir o presente, são desprovidas de sucesso, pois não há como controlar o livre-arbítrio do ser humano.
Evan Treborn percebe, como a maioria de nós, tardiamente, que cada pessoa encontra-se num contexto parcialmente determinado pelo conjunto de suas açòes desta vida, das vidas anteriores e dos períodos na erraticidade, sempre levadas em conta suas necessidades de aprendizado, e evolução de um modo geral.
Quando entendermos melhor o porquê da nossa presente existência, com todas as suas implicações, veremos que tudo aquilo que creditamos a conta do DESTINO, nada mais é do que o uso – consciente ou inconsciente -, do nosso livre-arbítrio, resultando em nossa felicidade ou infelicidade, simplesmente a nossa SEMEADURA E COLHEITA.


Victor Sergio de Paula - victorlex@ig.com.br

TODO CONTEÚDO DAS ORAÇÕES, MENSAGENS ESPÍRITAS E PSICOGRAFIAS PODERÁ SER COPIADO, PUBLICADO, DIVULGADO SEM AUTORIZAÇÃO PRÉVIA DESDE QUE SEJA SEM FINS LUCRATIVOS.

  

As páginas da Magnífica® não enviam executáveis, anexos ou downloads.

E-MAIL - magnifica@magnifica.com.br

Follow sileneayub on Twitter

 


__________________________________________________________________


Pesquisa personalizada

      


Estilo Net - Direitos Reservados