A Idéia da Reencarnação
Através dos Tempos
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
É plenamente conhecido que a idéia de reencarnção
faz parte da cultura dos povos orientais, particularmente aos que adotam
religiões e filosofias profundas como o Budismo e a Hinduismo,
geralmente vistas como 'exóticas'. Menos reconhecido, porém
é o fato de que esta idéia também está presente
na herança intelectual do ocidente. Os gregos, por exemplo, a
reconheciam como uma hipótese válida, e os órficos
(ver a Home Page Orfeu e o Orfismo), que representavam a casta do sistema
religioso mais avançado dos gregos (Reale & Antiseri, volume
1, 1993; Reale, volume I, 1994), expunham sua concepção
paligenésica (da reencarnação) numa roupagem filosoficamente
avançada, que influenciou sobremaneira Sócrates e Platão
, dentre outros. Platão, especialmente, nos legou fortemente
sua crença na reencarnação, como podemos ver, entre
outros diálogos escritos por ele, no Fédon. Antes dele,
Pitágoras também a adotou como condição
sine qua non para a evolução plena da alma. Posteriormente,
Plotino e Orígenes, o Cristão, também a divulgariam.
São Clemente de Alexandria (posteriormente cassado pela Igreja
Católica) também a considerava uma doutrina de profundo
sentido. Na Europa gaulesa e britânica, os druidas acreditavam
na reencarnação em termos semelhantes aos gregos e budistas,
e os hebreus, na fase helênica, não a desconheciam, sobretudo
pelo intercâmbio com o mundo greco-romano, donde a idéia
de ressureição ter algo consfuso da idéia da reencarnação
(por isso as passagens em que se diz que Jesus ou João Batista
seriam a ressureição de algum profeta antigo, como se
pode ver em algumas passagens dos evangelhos, como em Mateus, 17, 11-13;
Marcos, 9, 11-13; João, 3, 3-7 e Lucas 1, 17). Enfim, enquanto
culturalmente em outras partes do mundo a idéia na reencarnação
era discutida e endossada, pelo menos como uma proposta filosófica
coerente, ela teve lugar no pensamento ocidental e como parte da doutrina
cristã até o Consilho de Constantinopla de 533 DC, quando,
por motivos políticos, foi formalmente repudiada pelo clero (Fadiman
& Frager, 1986, p. 176).
Mesmo assim, esta idéia persistiou entre as pessoas que tinham
acesso aos filósofos clássicos e ao contato com as crenças
antigas. Os Cátaros, no século XII, especialmente, tinham
uma visão cristã original, onde a idéia da reencarnação
era vista como verdade inquestionável. E foi este, entre outras
coisas (ameaçando o poder ideológico e econômico
da igreja de Roma, principalmente, devido à crescente popularidade
que possuia, contestando a hegemonia imperialista típica da Igreja
Romana) que levou à única cruzada em solo europeu da história,
objetivando a elimiação do pensamento cátaro com
uma truculência assassina que parecia prever os posteriores misteres
macabros da Inquisição, por parte das forças católicas,
num requinte de perversidade aterrador. O movimento cátarista
foi um dos muitos precursores da inevitável reforma protestante
de Lutero e outros. Posteriormente aos cátaros, outros movimentos
sentiram a mão de ferro da inquisição, que teve
um de seus mais famosos lumiares em Giordano Bruno, queimado em 1600,
e que defendia idéias bastante fortes contra o sistema de crenças
dogmáticas da Igreja de Roma, o que incluia a reencarnação.
No século passado, o contato com as doutrinas orientais, particularmente
a Budista, trouxe à tona novamente o estudo da paligênese,
e com desenvolvimento do Espiritismo e de outras correntes de pensamento,
estimulou-se um ressurgir do interesse sobre a reencarnação.
As smiliaridades entre o que diz o espiritismo moderno e a concepção
budista da reencarnação, que também é evolucionista,
não podem ser negligenciadas, ainda que alguns pseudo-intelectuais
queiram passar a idéia de que expressem coisas opostas.
Hoje em dia, como vimos, a tese da reencarnação passou
da esfera religiosa e filosófica para a área da pesquisa
científica. Devemos ficar, pois, atentos ao progresso desta pesquisa,
com as conseqüências sem dúvida de grande gravidade
que elas poderão trazer à nossa visão de mundo
e, conseqëntemente, à forma de como nos comportamos em relação
a nós mesmo e a nossos semelhantes. E, como nos falam os Doutores
James Fadiman e Robert Frager, "se há a possibilidade de
aceitar o fenômeno, então a possível origem da personalidade
e das características físicas pode incluir eventos ou
experiências de encarnações anteriores. Tudo o que
se pode afirmativamente dizer é que existe uma evidência
fatual que não pode ser facilmente descartada" (Fadiman
& Frager, 1986, p. 176).
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