INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO POR DIVERSOS ESPÍRITOS
Em memória de ALLAN KARDEC

Homenagem do "Grupo Meimei"

11
REFLEXÕES

À hora habitual das instruções, na reunião da noite de 20 de maio de 1954,
fomos honrados com a visita do grande instrutor que conhecemos por Frei Pedro de
Alcântara, animador de nossos estudos e tarefas, desde a primeira hora de nossa
agremiação, e que, apesar de sua elevada hierarquia na Vida Superior, não
desdenha o socorro aos irmãos em sofrimento, inclusive a nós mesmos,
insignificantes aprendizes da verdade. (1)
Com a sabedoria que lhe é peculiar, em sua mensagem psicofõnica inclina-nos
à responsabilidade e à meditação, para que saibamos valorizar o tempo e o serviço
como empréstimos do Senhor.

Filhos, clareando cónsciências alheias, defendamo-nos contra a dominação das
trevas.
- "Vem e segue-me!" - diz o Senhor ao Apóstolo.

(1) Frei Pedro de Alcântara foi contemporâneo da grande mística espanhola
Teresa d'Ávila e, tanto quanto ela, é venerado na Igreja Católica. - Nota do
organizador.

- "Levanta-te e anda!" - recomenda Jesus ao paralítico.
Para justos e injustos, ignorantes e sábios, o chamamento do Cristo é pessoal e
intransferível.
O Evangelho é serviço redentor, mas não haverá salvação para a Humanidade
sem a salvação do Homem.
No mundo, é imperioso refletir algumas vezes na morte para que a existência
não nos seja um ponto obscuro dentro da vida, porque o Espírito desce à escola
terrena para educar-se, educando.
Dia a dia, milhares de criaturas tornam à Pátria Espiritual.
Esse caiu sob o fio da espada, aquele tombou ao toque de balas mortíferas.
Alguns expiram no conforto doméstico, muitos partem do leito rijo dos hospitais.
Todos imploram luz, mas, se não fizeram claridade em si mesmos, prosseguem
à feição de caravaneiros ocultos na sombra.
Não valem títulos do passado, nem exterioridades do presente.
Esse deixou o ouro amontoado com sacrifício.
Aquele renunciou ao consolo de afeições preciosas.
Outro abandonou o poder que lhe não pertencia.
Aquele outro, ainda, foi arrancado à ilusão.
Quantas vezes examinais conosco essas pobres consciências em desequilíbrio
que a ventania da renovação vergasta no seio da tempestade moral!...
É por isso que, sob a invocação do carinho e da confiança, rogamos
considereis a estrada percorrida.
Convosco brilha abençoada oportunidade.
O Espiritismo é Jesus que volta ao convívio da dor humana.
Não sufoqueis a esperança na corrente das palavras. Emergi do grande mar da
perturbação para o reajuste indispensável!
Não julgueis para não serdes julgados, porque seremos medidos pelo padrão
que aplicarmos à alheia conduta.
Ninguém sabe que forças tenebrosas se congregaram sobre as mãos do
assassino.
Ninguém conhece o conteúdo de fel da taça que envenenou o coração
arremessado ao grande infortúnio.
O malfeitor de hoje pode ser o nosso benfeitor de amanhã.
Desterrai de vossos lábios toda palavra de condenação ou de crítica!...
Desalojai do raciocínio e do sentimento toda névoa que possa empanar a
luminosa visão do caminho!...
Somos chamados ao serviço de todos e a nossa inspiração procede do Senhor,
que se converteu no escravo da Humanidade inteira.
Filhos, urge o tempo.
Sem o roteiro da humildade, sem a lanterna da paciência e sem a bênção do
trabalho, não alcançaremos a meta que nos propomos atingir...
Quão fácil mandar, quão difícil obedecer!
Quanta simplicidade na emissão do ensinamento e quanto embaraço na
disciplina aos próprios impulsos!...
Jesus ajudou...
Duas grandes e inesquecíveis palavras bastam para cessar a revolta e
congelar-nos qualquer ansiedade menos construtiva.
Se Jesus ajudou, por que haveremos de perturbar?
Se Jesus serviu, com que privilégio exigiremos o serviço dos outros?
Reunimo-nos hoje em velhos compromissos.
Digne-se o Senhor alertar-nos na reconstituição de nossos destinos.
Não vos pedimos senão a dádiva do entendimento fraterno, com aplicação aos
princípios que esposamos, reconhecendo a insignificância de nossas próprias
almas.
Somos simplesmente um amigo.
Não dispomos de credenciais que nos assegurem o direito de exigir, mas
rogamos observeis os minutos que voam.
Desdobrar-se-ão os dias e a perda de nossa oportunidade diante do Cristo pode
ser também para nós mais distância, mais saudade, mais aflição...
Não aspiramos para nós outros senão à felicidade de amar-vos, desejando-vos
a beleza e a santidade da vida.
Aceitamos nosso trabalho e nossa lição. Quem foge ao manancial do suor,
costuma encontrar o rio das lágrimas.
Aqueles que não aprendem a dar de si mesmos não recolhem a celeste herança
que nos é reservada pelo Senhor.
Filhos de nossa fé, urge o tempo!
Isso equivale dizer que a cessação do ensejo talvez não tarde.
Façamos luz na senda que nos cabe percorrer.
Retiremo-nos do nevoeiro.
Olvidemos o passado e convertamos o presente em glorioso dia de preparação
do futuro!...
E que Jesus, em sua infinita bondade, nos aceite as súplicas, revigorando-nos o
espírito no desempenho dos deveres com que fomos honrados, à frente de seu
incomensurável amor.

Pedro de Alcântara


12
ANTE A REENCARNAÇÃO

Nas tarefas da noite de 27 de maio de 1954, consoante as informações dos
nossos Benfeitores Espirituais, e, segundo deduzimos das diversas comunicações
obtidas de entidades sofredoras, nosso Grupo achava-se repleto de companheiros
desencarnados, sequiosos de reencarnação, muitos deles implorando a volta à
carne como único recurso de solução aos problemas que lhes torturavam a alma.
Primeiramente Emmanuel, o nosso instrutor de sempre, incorporou-se ao
médium e transmitiu-nos o apontamento que passamos a transcrever:

Meus amigos, a paz do Senhor seja conosco.
Enquanto a Escola Espiritual na Terra prepara as criaturas reencarnadas para o
fenômeno da morte, em nosso plano de ação essa mesma Escola prepara as cria-
turas desencarnadas para o aprendizado da existência no corpo físico.
Atento a este programa, nosso irmão Cornélio tomará hoje o equipamento
mediúnico a fim de dirigir-se, por alguns momentos, à grande assembléia de compa-
nheiros que se achegam ao nosso recinto, suspirando pelo retorno ao templo de luta
na matéria mais densa.
Passemos, desse modo, a palavra ao nosso amigo e que Jesus nos abençoe.

Emmanuel

Logo após, o irmão Cornélio Mylward, que foi generoso médico em Minas
Gerais e que freqüentemente nos assiste com a sua dedicação fraterna, tomou o
campo mediúnico e, em voz grave e pausada, dirigiu aos desencarnados presentes
o apelo a seguir:

Sim, disputais novos recursos de esclarecimento e redenção no precioso
santuário da carne...
Muitos de vós aguardais para breve essa dádiva, através de petições que não
nos é lícito examinar.
Indubitavelmente, na maioria das vezes, nosso regresso ao trabalho no mundo
físico exprime verdadeiro prêmio de luz...
Para que obtenhamos tal concessão, porém, é indispensável nosso concurso
com a Lei Divina, obedecendo-lhe aos regulamentos que definem o Bem Infinito, em
todas as suas manifestações.
É preciso modificar os nossos "clichês" mentais para que a nossa volta à
escola terrestre signifique recomposição e refazimento. Essa transformação,
contudo, não será levada a efeito apenas à força de preces, meditações e
conclusões em torno do passado.
Faz-se imprescindível a dinâmica da ação.
O serviço será sempre o grande renovador de nossa vida consciencial,
habilitando-nos à experiência reconstrutiva, sob a inspiração de nosso Divino Mestre
e Senhor.
Não conquistaremos o vestuário carnal entre os homens sem aquisição de
simpatia entre eles.
É necessário gerar no espírito daqueles nossos associados do pretérito, que se
encontram no educandário humano, a atitude favorável à solução dos nossos pro-
blemas.
Templos religiosos, estabelecimentos hospitalares, círculos de assistência
moral, domicílios angustiados, cárceres de sofrimento, palcos de tortura expiatória...
eis nosso vasto setor de concurso fraterno!
Nessas esferas de regeneração e corrigenda, companheiros encarnados e
desencarnados, padecentes e aflitos, expressam o material de nossa preparação.
A fim de esquecer velhas provas, aliviemos as provas alheias.
Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a
libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando
aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo
tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem próvidos
braços da Vida Superior.
Pacifiquemos o espírito, oferecendo mãos amigas aos que peregrinam conosco,
e construiremos o trilho de acesso à preciosa luta de que carecemos na própria rea-
bilitação.
Somente a atividade em socorro ao próximo conseguirá renovar-nos a fonte do
pensamento, traçando-nos seguras diretrizes, pois sob o guante de nossas lembran-
ças constringentes o esforço da reencarnação redundará impraticável, de vez que
nossas reminiscências infelizes são fatores desequilibrantes de nosso mundo
vibratório, impedindo-nos a formação de novo instrumento fisiológico suscetível de
conduzir-nos à reorganização do próprio destino.
Expurguemos a mente, apagando recordações indesejáveis e elevando o nível
de nossas esperanças, porque, na realidade, somos arquitetos de nossa ascensão.
Somente ao preço de uma vontade vigorosa e pertinaz, situada no bem comum,
é que lograremos conquistar o interesse dos Grandes Instrutores em prol da
concretização de nossas aspirações mais nobres.
Regenerando a química de nossos sentimentos, o que decerto nos custará
renunciação e sacrifício, atingiremos mais clara visão para reencontrar os laços de
nosso pretérito, e, então, segundo os dispositivos da hereditariedade, que traduz
parentesco de inclinações e compromissos, seremos requisitados pelas criaturas
que se afinam conosco, tanto quanto, desde agora, estão elas sendo requisitadas
por nossos anseios.
Reaproximar-nos-emos, desse modo, de quantos se harmonizam com a
experiência em que nos demoramos, e, aderindo-lhes à existência, seremos
defrontados pelas provas condizentes com a nossa natureza inferior, comungando-
lhes o pão de luta, indispensável à recuperação de nossa felicidade.
Mas, se nos abeiramos de nossos futuros pais e de nossos futuros lares,
envoltos na tempestade da incompreensão e da indisciplina, apenas espalharemos,
ao redor de nós, desarmonia e frustração, porqüanto, em verdade, o nosso caminho
na vida será sempre a projeção de nós mesmos.
Purifiquemo-nos por dentro quanto seja possível, olvidando todo o mal!
Lançar sobre os elementos genésicos a energia viciada dos lamentáveis
enganos que nos precipitaram à sombra, será prejudicar o corpo que a herança
terrena nos reserva, reduzindo-nos as possibilidades de vitória no combate de
amanhã.
Só existe, portanto, para nós um remédio eficaz: - O trabalho digno com que
possamos erguer o espírito ao plano superior que presentemente buscamos.
Trabalho que nos corrija e nos aproxime de Deus.

Cornélio Mylward


13
ELEVAÇÃO

Na reunião da noite de 3 de junho de 1954, nosso Instrutor Emmanuel ocupou,
de novo, o instrumento mediúnico, transmitindo-nos valioso apelo à ação constante
no bem.

Meus amigos:
É preciso lembrar que a Providência Divina nos oferece degraus de ascensão
em todas as circunstâncias da existência.
Devemos, todavia, sustentar a disposição de subir a fim de encontrá-los.
Tudo nos domínios do Universo é sagrada elevação. Desentranha-se o verme,
fugindo às trevas do subsolo, para buscar na superfície da Terra o beijo fecundante
da luz.
Desenfaixa-se o princípio germinativo da semente, despojando-se dos pesados
envoltórios que o enleiam, para enriquecer a espiga farta, ante a música do vento,
ao esplendor festivo do sol.
Não vos detenhais na indiferença ou na expectaçãO. Escalai pacificamente a
senda preparatória do imenso futuro!
Não percais o Sublime Presente com os fantasmas da noite, a se expressarem
nas palavras vazias ou nos pensamentos inúteis.
Todos somos chamados à exaltação do Eterno Dia!
Amai, aprendei, servi, crede e esperai!...
Cultivemos, sobretudo, a alegria e a bondade, para que a paz laboriosa, em
nossa estrada, se exprima em trabalho frutífero e incessante.
Acordai, cada manhã, procurando os degraus do aperfeiçoamento que nos
impelem à harmonia e à vitória!...
Ei-los que surgem, conduzindo-nos à grande superação...
É a dificuldade gerando experiência, a dor argamassando alegria, o mal
desafiando-nos ao bem e o ódio reclamando-nos amor.
Ouçamos o apelo silencioso das horas e dirijamo-nos para o Mais Alto, porque a
vida é o carro triunfante do progresso, avançando sobre as rodas do tempo, e
quando não nos firmamos, no lugar que nos cabe dentro dele, arremessamo-nos à
sombra da retaguarda ou somos lamentavelmente acidentados por sua marcha
incoercível.
Que o Senhor nos abençoe.

Emmanuel


14
A MELODIA DO SILÊNCIO

Na fase terminal de nossas tarefas na noite de 10 de junho de 1954, tivemos a
afetuosa visita de Meimei, a nossa companheira de sempre, que, utilizando os
recursos psicofônicos do médium, falou-nos sobre os méritos do silêncio, em nossa
construção espiritual.

Repara a melodia do silêncio nas criações divinas.
No Céu, tudo é harmonia sem ostentação de força.
O Sol brilhando sem ruído...
Os mundos em movimento sem desordem...
As constelações refulgindo sem ofuscar-nos...
E, na Terra, tudo assinala a música do silêncio, exaltando o amor infinito de
Deus.
A semente germinando sem bulício...
A árvore ferida preparando sem revolta o fruto que te alimenta...
A água que hoje se oculta no coração da fonte, para dessedentar-te amanhã...
O metal que se deixa plasmar no fogo vivo, para ser-te mais útil.
O vaso que te obedece sem refutar-te as ordens...
Que palavras articuladas lhes definiriam a grandeza?
É por isso que o Senhor também nos socorre, através das circunstâncias que
não falam, por intermédio do tempo, o sábio mudo.
Não quebres a melodia do silêncio, onde tua frase soaria em desacordo com a
Lei de Amor que nos governa o caminho!
Admira cada estrela na luz que lhe é própria...
Aproveita cada ribeiro em seu nível...
Estende os braços a cada criatura dentro da verdade que lhe corresponda à
compreensão...
Discute aprendendo, mas, porque desejes aprender, não precisas ferir.
Fala auxiliando, mas não te antecipes ao juízo superior, veiculando o verbo à
maneira do azorrague inconsciente e impiedoso.
"Não saiba tua mão esquerda o que deu a direita" - disse-nos o Senhor.
Auxilia sem barulho onde passes.
Recorda a ilimitada paciência do Pai Celestial para com as nossas próprias
faltas e ajudemos, sem alarde, ao companheiro da romagem terrestre que, muitas
vezes, apenas aguarda o socorro de nosso silêncio, a fim de elevar-se à comunhão
com Deus.

Meimei


15
ADVERTÊNCIA

Em nossas atividades da noite de 17 de junho de 1954, antes do socorro
habitual aos irmãos conturbados e sofredores, havíamos efetuado breve leitura
acerca da mediunidade e do amor cristão, preparando ambiente adequado às
nossas tarefas. E, ao término da reunião, fomos agradavelmente surpreendidos com
a visita de um novo amigo que não conhecíamos pessoalmente, em nossas lides de
intercâmbio - Argeu Pinto dos Santos -, logo identificado por um de nossos
companheiros que lhe foi filho na experiência física.
Espírita convicto, Argeu militou na mediunidade, em Cachoeiro de Itapemirim,
Estado do Espírito Santo, trazendo-nos na presente mensagem o resultado de seus
próprios estudos.

Meus amigos, vossa leitura desta noite abordou, com oportunos ensinamentos,
a mediunidade e o amor fraterno. Dois temas vivos que se conjugam, encarecendo
a excelência do serviço que repousa em nossas mãos.
É importante lembrar que o Espiritismo é o Evangelho redivivo e puro, atuando,
de novo, entre os homens, a fim de que não sejamos inclinados ao vampirismo,
admiravelmente rotulado de preciosidade doutrinal.
De nossa parte, usufruimos também o privilégio de partilhar a tarefa espírita, no
setor mediúnico, em passado próximo.
E, agora, cremo-nos habilitados a declarar que espiritista algum, enquanto na
carne, consegue avaliar em toda a sua extensão o tesouro de bênçãos que lhe enri-
quece a alma, porque semelhantes bênçãos exprimem o trabalho e a
responsabilidade com que devemos assimilar a nossa Doutrina, venerável escultora
do caráter cristão em nossa própria vida.
O nosso Ênio (1) dará testemunho das notícias que vos trazemos.
Depois do regresso à Pátria Espiritual, reconhecemos que a mediunidade não
basta só por si.
Espíritos que se graduam na esfera do sentimento, nos mais diversos tons
evolutivos, acompanham de perto a marcha humana e é preciso evitar a companhia
daqueles irmãos que, embora exonerados do corpo denso, jazem ainda
profundamente vinculados às sensações inferiores do campo físico, a fim de que
não venhamos a transformar o nosso movimento de elevação moral em descida às
zonas escuras de subnivel.
É fácil observar que muitos companheiros começam abraçando a fé e acabam
esposando preocupações subalternas.
Muitos iniciam o apostolado, assinalando a grandeza dos compromissos que
assumem, entretanto, por vezes, olvidam, apressados, que Espiritismo é ascensão
com Jesus ao calvário de nosso acrisolamento para a Luz Divina e confiam-se a
entidades que ainda sofrem o fascínio do comércio malsão, metamorfoseando-Se
em caçadores do êxito mundano, no qual tantos nos barateiam

(1) O comunicante se refere ao nosso irmão Ênio Santos, companheiro do
Grupo, que lhe foi filho na vida material. - Nota do organizador.

o estandarte de princípios sagrados, convertendo-o na bandeira cinzenta do
desânimo para todos os que nos batem à porta, suspirando por socorro espiritual e
terminando, desapontados, diante do nosso exemplo desencorajador.
A mediunidade, para triunfar, precisa reconhecer que o amor fraterno é a chama
capaz de purificá-la.
Compete-nos hipotecar nossas forças à obra de redenção das nossas
atividades, porqüanto não é justo oferecer pão ao faminto e agasalho aos nus,
relegando-lhes o espírito à sombra da ignorância.
É louvável dar o que temos nas mãos; contudo, émais importante dar nossas
mãos para que o ajudado aprenda a ajudar-se.
Consideramos indispensável uma campanha de boa-vontade, suscetível de
alijar da nossa luta benemérita tudo aquilo que represente acomodação com o
menor esforço, para que o nosso ideal traduza lição de Nosso Senhor Jesus-Cristo
em nossas atitudes de cada hora.
Para isso, porém, é inadiável o esforço ingente de nossa própria regeneração,
de modo a não perdermos tanta esperança na música das palavras vazias.
Devemos estabelecer a competência mediúnica em base de solidariedade
humana, a expressar-se em serviço aos semelhantes, entendendo, no entanto, que
ninguém pode servir, ignorando como servir.
Disso decorre o impositivo de luz em nosso cérebro e em nosso coração, para
que o serviço espiritista Seja realização do Divino Mestre conosco e por nós.
Arejemos, pois, o mundo íntimo no santuário da educação, para que a
mediunidade e o amor não se escravizem à sombra, e roguemos ao Pai Celestial
nos conceda a precisa coragem de viver o Evangelho de Jesus, hoje e sempre.

Argeu Pinto dos Santos

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