INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS - FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER
DITADO POR DIVERSOS ESPÍRITOS
Em memória de ALLAN KARDEC
Homenagem do "Grupo Meimei"
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ORAÇÃO
A noite de 29 de julho
de 1954 foi para nós de gratidão e júbilo. Antevéspera
do
segundo aniversário de nossa fundação, foi a escolhida
para a inauguração da sede
definitiva do nosso Grupo, em Pedro Leopoldo.
Instalados então em nossa casa simples, entregamo-nos à
alegria íntima,
através do serviço habitual, sem qualquer manifestação
festiva de ordem exterior.
No término de nossas tarefas, Emmanuel, o nosso benfeitor de
sempre, ocupou
os recursos psicofônicos do médium e pronunciou a presente
oração de
agradecimento, que acompanhamos com toda a alma.
Senhor Jesus, vimos de
longe para agradecer-te a bondade.
Viajantes no tempo, procedemos de Tebas, da Babilônia, de Heliópolis,
de
Atenas, de Esparta, de Roma...
Tantas vezes, respiramos na grandeza terrestre!.
Petrificados na ilusão, povoamos palácios de orgulho,
castelos de soberba,
casas solarengas da vaidade e dominamos cruelmente os fracos, desconhecendo
a
bênção do amor...
Reunidos aqui, hoje, em nosso pouso de fraternidade e oração,
rogamos-te
força para converter a existência em colaboração
contigo!
Nós que temos guerreado e ferido a outrem, imploramos-te, agora,
recursos
para guerrear as nossas fraquezas e ferir, de rijo, nossas antigas viciações,
a fim de
que nos transformemos, afinal, em teus servos...
Ajuda-nos a regenerar o coração pela tua Doutrina de Luz,
para que estejamos
conscientes de nosso mandato.
Para isso, porém, Senhor, fase-nos pequeninos, simples e humildes...
Oleiro Divino, toma em tuas mãos o barro de nossas possibilidades
singelas e
plasma a nossa individualidade nova, ao calor de tua inspiração,
para que, como a
fonte, possamos estender sem alarde os dons de tua misericórdia,
na gleba de ação
em que nos convidas a servir.
Sem tuas mãos, estaremos relegados às nossas próprias
deficiências; sem teu
amor, peregrinaremos, abandonados à miséria de nós
mesmos...
Mestre, cujos ouvidos vigilantes escutam no grande silêncio e
cujo coração
pulsa, invariável, com todas as necessidades e esperanças,
dores e alegrias da
Terra, nós te agradecemos pelo muito que nos tens dado e, ainda
uma vez,
suplicamos-te acréscimo de forças para que não
estejamos distraídos...
Senhor, cumpra-se em nós a tua vontade e que a nossa vida seja,
enfim,
colocada a teu serviço, agora e sempre...
Houve expressivo interregno na comunicação do amigo espiritual.
Em seguida,
modificando a inflexão de voz, como se estivesse retirando o
próprio sentimento da
invocação a Jesus para entrar em familiaridade conosco,
passou a dirigir-nos a
palavra, em tom mais íntimo, continuando:
E a vós, meus
amigos, com quem misturamos nossas lágrimas de regozijo e
reconhecimento, dirigimos também nosso apelo!...
Achamo-nos em nova casa de trabalho...
Quantas vezes temos visto, no curso dos milênios, colunas aparentemente
gloriosas transubstanciadas em pó, albergando ilusões
que nos arremessaram ao
charco das zonas inferiores!...
Nós que temos caminhado sobre os nossos próprios ídolos
mortos, na
insignificância da nossa condição de hoje, atentemos
para a magnitude das nossas
obrigações, aprendendo, por fim, a humildade, para não
trairmos a confiança
recebida...
Cessem para sempre em nós a impulsividade e a crítica,
o egoísmo e a
crueldade, porque toda a nossa grandeza terrena do pretérito
foi bem miserável,
restando-nos tão-somente a felicidade de estender mãos
fervorosas ao Mestre
Divino, para que ele nos ampare e renove...
Em nosso novo templo, sentimos a simplicidade reconquistada para que
nos
disponhamos ao espírito de serviço.
Prevaleça, então, em nós a compreensão fraternal
cada vez mais ampla! que o
amor do Cristo nos governe os atos de cada dia, através da bondade
e da paciência
incessantes.
Convosco temos aprendido a alegria de confiar e servir e, nas horas
escuras ou
claras, agradáveis ou difíceis, temos sido ao vosso lado,
não o orientador que nunca
fomos, mas sim o companheiro e o irmão que podemos ser...
Nessa posição, estaremos em vossa companhia, cultivando
o ideal de nossa
transformação em Cristo Jesus.
Aprendamos, enfim, a dar de nós mesmos, em esperança e
boa-vontade,
trabalho e suor, tudo aquilo que constitui nossa própria vida,
a benefício dos outros,
para entrarmos na posse da Vida Abundante, reservada aos que se rendem
à
cooperação com a Providência Divina...
Partilham-nos a prece deste momento não apenas aqueles que se
constituíram
associados de nossa presente tarefa espiritual, mas também velhos
amigos, dentre
os quais avultam sacerdotes, guerreiros, juizes, legisladores, legionários,
combatentes, intérpretes de leis humanas e inúmeras almas
queridas que, em outro
tempo, vitimadas pelos próprios enganos, desceram conosco ao
despenhadeiro de
lutas expiatórias!...
Todos, de armas ensarilhadas, desejamos atualmente para nós a
espada do
Cristo, a cruz, cuja lâmina, em se voltando para baixo, nos ensina
que o trilho de
paz e renunciação é o único capaz de conduzir-nos
à verdadeira ressurreição.
Convosco lutamos, contando com o vosso concurso no trabalho constante
do
bem, pelo qual, um dia, nascerá a nossa comunhão perfeita
com a luz divina.
Meus amigos, em nome de quantos oram conosco e de quantos esperam por
nós, reiteramos o nosso profundo reconhecimento ao Senhor, implorando-lhe
auxílio
em socorro de nossas necessidades e levando-lhe igualmente a certeza
de que
perseveraremos no esforço de nossa regeneração,
até o fim.
Emmanuel
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UM AMIGO QUE VOLTA
Finalizando as nossas
atividades socorristas às entidades sofredoras, na noite
de 5 de agosto de 1954, tivemos a visita de velho e conhecido amigo
que, um ano
antes, passara em Espírito por nossa casa.
Alberto, que assim se chamava, foi médico distinto em Belo Horizonte,
de quem
nos escusamos fornecer maiores elementos de identificação,
por motivos óbvios.
Em sua primeira passagem por nosso templo, denotava a emoção
e as
preocupações peculiares ao Espírito recém-desencarnado,
como que preso ainda
ao esgotamento que lhe impôs o trespasse, mas na presente mensagem
revela-se
plenamente recuperado, dispondo da Inteligência, da vivacidade
e da agudeza de
espírito que lhe marcavam a personalidade brilhante.
Leiamos a sua palestra que ficou intitulada "Um amigo que volta'.
Enquanto nos escravizamos
ao corpo de carne e sangue em que o homem mal
se define, não é fácil apreender as realidades
do espírito, porque, soterrados nos
títulos e nas convenções superficiais, deambulamos
no mundo, enfarpelados com
as ilações provisórias da ciência ou encastelados
em teorias que só a morte
consegue modificar.
Indiscutivelmente, bastaria um exame mais acurado das maravilhas da
mente
para descortinarmos aí alguma coisa do sublime reino da alma,
preparando com se-
gurança o futuro; entretanto, caminhamos na Terra, em câmara
lenta, cosendo-nos
à vaidade pessoal, como a tartaruga se prende ao pesado estojo
que lhe é próprio.
Com a técnica científica, interferimos no cérebro,
usando hormônios e
estupefacientes ou empregando ablações cirúrgicas;
todavia, presumindo descobrir
nele o órgão secretor do pensamento, apenas tateamos a
sombra carente de luz,
porque o cérebro surge, na essência, tão longe do
Espírito que através dele se
manifesta, como o violino se distancia do artista que o maneja, na execução
da
melodia em que se lhe expressa o gênio musical.
Nossos enganos, porém, diante da vida eterna, guardam a frágil
consistência da
neblina perante o fulgor do sol.
Rege-se a Natureza por leis inelutáveis e o túmulo nos
aguarda, impassível,
restituindo-nos ao entendimento as verdades mais simples do coração.
E daqui, dos vastos horizontes que se nos desdobram à vista,
reconhecemos
agora o imperativo de libertação da consciência
humana, vítima dos fósseis da ciên-
cia e da religião a lhe empecerem a marcha.
A morte não nos regenera tão-somente a visão interior,
purificando-nos o
discernimento, mas também nos constrange a contemplar a glória
nascente do novo
dia, cujas realizações reclamam a mobilização
de todos os nossos recursos de
serviço, no socorro e no esclarecimento das criaturas.
A universidade possui a lógica.
O santuário retém a intuição.
É imprescindível trabalhar com desassombro para que a
escola e o templo se
reúnam no nível de mais elevada compreensão, a
benefício da Humanidade.
Se hoje avançadas organizações compelem a inteligência
à domesticação do
átomo e da energia cósmica, concitemos o coração
à fé racional sobre os princípios
evolutivos, moldando os tempos novos nas concepções do
progresso infinito e do
amor universal.
Nesse sentido, o Espiritismo, redizendo o ensinamento de Jesus, é
a força de
restauração e equilíbrio que nos compete enobrecer
e dilatar.
Sou daqueles que beberam em vossa fonte, reajustando o próprio
coração.
E, agradecendo-vos o ingresso ao novo campo de conhecimento que comecei
a
lavrar, digo-vos, confiante:
- Fazei o bem a tudo e a todos.
Tolerai e perdoai!...
Acendei a esperança!
Não extingais a luz.
Ajudai, hoje e sempre!...
A floresta dominadora não procede do trovão que brame
ou da ventania que
arrasa, mas, sim, da semente humilde que aprendeu a esquecer-se, a calar,
a
ajudar, a produzir e a esperar.
Alberto
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COMPANHEIRO EM LUTA
A fase terminal de nossas
tarefas, na noite de 12 de agosto de 1954, trouxe-nos
à presença antigo companheiro de lides espíritas
em Belo Horizonte, que
passaremos a nomear simplesmente por Irmão Lima, já que
o respeito fraternal nos
impede Identificá-lo plenamente.
Lima, que era pai de família exemplar, desfrutava excelente posição
social e,
por muitos anos, exerceu os dons mediúnicos de que era portador
em ambientes
íntimos. Em 1949, como que minado por invencível esgotamento,
suicidou-se sem
razões plausíveis, trazendo, com isso, dolorosa surpresa
a todos os seus amigos.
Na noite a que nos referimos, naturalmente trazido por Amigos Espirituais,
utilizou-se das faculdades psicofônicas do médium e ofertou-nos
o relato de sua
história comovente, que constitui para nós todos uma advertência
preciosa.
Venho da escura região
dos mortos-vivos, à maneira de muitos vivos-mortos
que se agitam na Terra.
O Espiritismo foi minha grande oportunidade.
Fui médium.
Doutrinei.
Contribuí para que irmãos sofredores e transviados recebessem
uma luz para o
caminho.
Recolhi as instruções dos mestres da sabedoria e tentei
acomodar-me com as
verdades que são hoje o vosso mais alto patrimônio espiritual.
Fui consolado e consolei.
Doentes, enfraquecidos, desesperados, tristes, fracassados, desanimados,
derrotados da sorte, muitas vezes se reuniam junto de nós e junto
de mim...
Através da oração, colaborei para que se lhes efetivasse
o reerguimento.
Mas, no círculo de minhas atividades, a dúvida era como
que um nevoeiro a
entontecer-me o espírito e, pouco a pouco, deixei-me enredar
nas malhas de velhos
inimigos a me acenarem do pretérito - do pretérito que
guarda sobre o nosso
presente uma atuação demasiado poderosa para que lhe possamos
entender, de
pronto, a evidência...
E esses adversários sutilmente me impuseram à lembrança
o passado que se
desenovelou, dentro de mim, fustigando-me os germes de boa-vontade e
fé, assim
como a ventania forte castiga a erva tenra.
Enquanto a vida foi árdua, sob provações aflitivas,
o trabalho era meu refúgio.
No entanto, à medida que o tempo funcionava como calmante celeste
sobre as mi-
nhas feridas, adoçando-me as penas, o repouso conquistado como
que se infiltrou
em minha vida por venenoso anestésico, através do qual
as forças perturbadoras
me alcançaram o mundo íntimo.
E, desse modo, a idéia da autodestruição avassalou-me
o pensamento.
Relutei muito, até que, em dado instante, minha fraqueza transformou-se
em
derrota.
Dizer o que foi o suicídio para um aprendiz da fé que
abraçamos, ou relacionar
o tormento de um espírito consciente da própria responsabilidade
é tarefa que es-
capa aos meus recursos.
Sei somente que, desprezando o meu corpo de carne, senti-me sozinho
e
desventurado.
Perambulei nas sombras de mim mesmo, qual se estivera amarrado a madeiro
de fogo, lambido pelas chamas do remorso.
Após muito tempo de agoniada contrição, percebi
que o alívio celeste me
visitava.
Senti-me mais sereno, mais lúcido...
Desde então, porém, estou na condição daquele
rico da parábola evangélica,
porque muitos dos encarnados e desencarnados que recebiam junto de mim
as
migalhas que nos sobravam à mesa surgem agora, ante a minha visão,
vitoriosos e
felizes, enquanto me sinto queimar na labareda invisível do arrependimento,
ouvindo a própria consciência a execrar-me, gritando:
- Resigna-te ao sofrimento expiatório! Quando te regalavas no
banquete da
luz, os lázaros da sombra, hoje triunfantes, apenas conheceram
amarguras e lá-
grimas!...
Imponho-me, assim, o dever de clamar a todos os companheiros quanto
aos
impositivos do serviço constante.
A ação infatigável no bem é semelhante à
luz do Sol, a refletir-se no espelho de
nossa mente e a projetar-se de nós sobre a estrada alheia. Contudo,
no descanso
além do necessário, nossa vida interior passa a retratar
as imagens obscuras de
nossas existências passadas, de que se aproveitam antigos desafetos,
arruinando-
nos os propósitos de regeneração.
Comunicando-me convosco, associo-me às vossas preces.
Sou o vosso Irmão Lima, companheiro de jornada, médium
que, por vários
anos, guardou nas mãos o archote da verdade, sem saber iluminar
a si próprio.
Creio que um mendigo ulcerado e faminto à vossa porta não
vos inspiraria
maior compaixão.
Cortei o fio de minha responsabilidade...
Amigos generosos estendem-me aqui os braços, no entanto, vejo-me
na
posição do sentenciado que condena a si mesmo, porqüanto
a minha consciência
não consegue perdoar-se.
Sinto-me intimado ao retorno...
A experiência carnal compele-me à volta.
Antes, porém, da provação necessária, visito,
quanto possível, os ambientes
familiares de nossa fé, buscando mostrar aos irmãos espiritistas
que a nossa mesa
de fraternidade e oração simboliza o altar do amor universal
de Jesus-Cristo.
Temos conosco aquele cenáculo simples, em que o Senhor se reuniu
aos
companheiros de sublime apostolado...
De todas as religiões, o Espiritismo é a mais bela, por
facultar-nos a prece pura
e livre, em torno desse lenho sagrado, como sacerdotes de nós
mesmos, à procura
da inspiração divina que jamais é negada aos corações
humildes, que aceitam a dor
e a luta por elementos básicos da própria redenção.
Estou suplicando ao Senhor me conceda, oportuna-mente, a graça
de
reencarnar-me num bordel. Isso por haver desdenhado o lar que era meu
templo...
Indispensável que eu sofra, para redimir-me, diante de mim mesmo.
Não mereço agora o sorriso e os braços abertos
de nossos benfeitores, perante
o libelo de meu próprio juízo.
Cabia-me aproveitar o tesouro da amizade, enquanto o dia era claro e
quando o
corpo carnal - enxada divina - estava jungido à minha existência
como instru-
mento capaz de operar-me a renovação.
Ah! meus amigos, que as minhas lágrimas a todos sirvam de exemplo!...
Sou o trabalhador que abandonou o campo antes da hora justa...
O tormento da deserção dói muito mais que o martírio
da derrota.
Devo regressar...
Reentrarei pela porta da angústia.
Serei enjeitado, porque enjeitei..
Serei desprezado, por haver desprezado sem consideração...
E, mais tarde, encadear-me-ei, de novo, aos velhos adversários.
Sem a forja da tentação, não chegaremos ao reajuste.
Rogo, pois, a Deus para que o trabalho não se afaste de minhas
mãos e para
que a aflição não me abandone... Que a carência
de tudo seja socorro espiritual em
meu benefício e, se for necessário, que a lepra me cubra
e proteja para que eu
possa finalmente vencer.
Não me olvideis nas vibrações de amizade e que
Jesus nos abençoe.
Lima
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PÁGINA DE FÉ
Na reunião da
noite de 19 de agosto de 1954, em rematando as nossas tarefas,
tivemos a visita do Espírito Célia Xavier, que ocupou
as faculdades psicofônicas do
médium, oferecendo-nos expressiva página de fé.
Célia Xavier é abnegada servidora espiritual do Evangelho
num dos templos
espíritas de Belo Horizonte.
Á frente do ataúde
ou perante o sepulcro aberto, clama o homem desesperado:
- Maldita seja a morte que nos impõe a separação
para sempre...
Não suspeita de que os seus entes amados, na vanguarda do além,
prosseguem evoluindo entre a alegria e a dor, compartilhando-lhe esperanças
e
ansiedades.
E não se apercebe de que ele mesmo atravessará, um dia,
aflito e espantado, o
portal de pó e cinza para colher o que semeou.
No entanto, somos hoje, os espíritas e os Espíritos, batedores
da Era Nova e
servos da Nova Luz.
Unidos, estamos construindo o túnel da grande revelação,
pela qual se
expressará, enfim, a vida plena e Vitoriosa.
Conhecemos de perto vosso combate, vossa tarefa, vossa fadiga...
A Verdade, que pediu outrora o martírio aos pioneiros da fé
cristã, atualmente
vos reclama o sacrifício por norma de triunfo.
Antigamente, era a perseguição exterior, através
dos circos de sangue ou das
fogueiras cruéis.
Agora, é a batalha íntima com os monstros da sombra a
se aninharem, sutis,
em nosso próprio coração, declarando oculta guerra
ao nosso idealismo superior.
Ontem, poderia ser mais fácil morrer, de um átimo, sob
o cutelo da flagelação
física.
Hoje, porém, é muito difícil sofrer, pouco a pouco,
o assalto das trevas,
sustentando suprema fidelidade à glória do espírito.
Entretanto, não podemos trair a excelsitude do mandato que nos
foi confiado.
Somos lidadores da renovação e arautos da luz, a quem
incumbe a obrigação
de acendê-la na própria alma, para que o nosso mundo suba
no céu para o
esplendor de céus mais altos.
É preciso não temer as serpes do caminho, nem recear os
fantasmas da noite.
Nosso programa essencial na luta é o aprimoramento próprio,
a fim de que o
mundo, em torno de nós, também se aperfeiçoe.
Aprendendo e ensinando, lembremo-nos, pois, de que o nosso amanhã
será a
projeção do nosso hoje e, elegendo no bem o sistema invariável
de nosso reto
pensamento e de nossa reta conduta, continuemos unidos na cruzada contra
a
morte, esforçando-nos para que o homem compreenda que o amor
e a justiça
regem a vida no Universo e que o trabalho e a fraternidade são
as forças que geram
na eternidade a alegria e a beleza imperecíveis.
Célia Xavier
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ROGATIVA
Findas as nossas tarefas
de socorro espiritual, na noite de 26 de agosto de
1954, foi Emmanuel, o nosso amigo de sempre, quem se utilizou das faculdades
psicofônicas do médium, pronunciando a oração
que transcrevemos.
Senhor Jesus!
Associa-se a nossa voz a todas as súplicas que te rogam a bênção
de amor, a
fim de que possamos trabalhar em harmonia com os teus superiores desígnios.
Dá-nos consciência de nossas responsabilidades e infunde-nos
a noção do
dever.
Reveste-nos com a dignidade da resistência pacífica, diante
do mal que nos
conclama à perturbação, e faze-nos despertos na
construção espiritual que fomos
chamados a realizar contigo, dentro da renunciação que
nos ensinaste.
Apaga em nosso pensamento as labaredas da discórdia e ajuda-nos
a
responder com silêncio, serenidade e diligência no bem toda
ofensiva da
leviandade, da violência e do ódio.
Instila-nos a coragem de esquecer tudo o que expresse inutilidade e
aviva-nos a
memória no cultivo dos valores morais indispensáveis à
edificação do nosso futuro.
Mestre, não nos deixes hipnotizados pela indiferença que
tantas vezes tem sido
o nosso clima de invigilância pessoal em tua obra de luz.
Que a fraternidade e a ordem, a compreensão humana e o respeito
recíproco
nos presidam à tarefa de cada dia, em teu nome, na execução
de tua divina von-
tade, são os votos que repetimos com todo o coração,
hoje e sempre.
Emmanuel
TODO CONTEÚDO
DAS ORAÇÕES, MENSAGENS ESPÍRITAS E PSICOGRAFIAS
PODERÁ SER COPIADO, PUBLICADO, DIVULGADO SEM AUTORIZAÇÃO
PRÉVIA DESDE QUE SEJA SEM FINS LUCRATIVOS.