INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS - FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER
DITADO POR DIVERSOS ESPÍRITOS
Em memória de ALLAN KARDEC
Homenagem do "Grupo Meimei"
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A ORAÇÃO CURATIVA
A reunião da noite
de 11 de novembro de 1954 trouxe-nos a confortadora visita
do Espírito de Padre Eustáquio.
Sacerdote extremamente consagrado ao bem, nosso amigo residiu, por alguns
anos, em Belo Horizonte, onde, através de seu nobre coração
e de sua
mediunidade curadora, inúmeros sofredores encontraram alívio.
Sempre rodeado por verdadeira multidão de Infelizes, Padre Eustáquio
foi o
apóstolo das curas, das quais se ocuparam largamente os jornais
de nosso País. E,
continuando, além-túmulo, o seu ministério sublime,
conforme a observação dos
médiuns clarividentes de nosso grupo, compareceu às nossas
preces acompanhado
por uma pequena multidão de Espíritos conturbados e infelizes
a lhe pedirem
socorro.
O prezado visitante senhoreou as faculdades psicofônicas do médium
com
todas as características de sua personalidade, inclusive a mímica
oratória e a voz
que lhe eram peculiares quando encarnado.
Sua alocução, de grande beleza para nós, em vista
da simplicidade em que foi
vazada, é portadora de expressivos apontamentos com respeito
à oração.
Meus amigos.
Que a paz do Cristo permaneça em nossos corações,
conduzindo-nos para a
luz.
Fui padre católico romano, naturalmente limitado às concepções
do meu
ambiente, mas não tanto que não pudesse compreender todos
os homens como
tutelados de Nosso Senhor.
A morte do corpo veio dilatar os horizontes de meu entendimento e agora
vejo
com mais clareza a necessidade do esforço conjunto de todas as
nossas escolas de
interpretação do Evangelho, para que nos confraternizemos
com fervor e
sinceridade, à frente do Eterno Amigo.
Com esse novo discernimento, visito-vos o núcleo de ação
cristianizante,
tomando por tema a oração como poder curativo e definindo
a nossa fé como dom
providencial.
O mundo permanece coberto de males de toda a sorte.
Há epidemias de ódio, desequilíbrio, perversidade
e ignorância, como em outro
tempo conhecíamos a infestação de peste bubônica
e febre amarela.
Em toda parte, vemos enfermidades, aflições, descontentamentos,
desarmonias...
Tudo é doença do corpo e da alma.
Tudo é ausência do Espírito do Senhor.
Não ignoramos, porém, que todos temos a prece à
nossa disposição como força
de recuperação e de cura.
É necessário orientar as nossas atividades, no sentido
de adaptar-nos à Lei do
Bem, acalmando nossos sentimentos e sossegando nossos impulsos, para,
em se-
guida, elevar o pensamento ao manancial de todas as bênçãos,
colocando a nossa
vida em ligação com a Divina Vontade.
Sabemos hoje que outras vibrações escapam à ciência
terrestre, além do
ultravioleta e aquém do infravermelho.
À medida que se desenvolve nos domínios da inteligência,
compreende o
homem com mais força que toda matéria é condensação
de energia.
Disse o Senhor: - "Brilhe vossa luz" - e, atualmente, a experimentação
positiva revela que o próprio corpo humano é um gerador
de forças dinâmicas,
constituído assim como um feixe de energias radiantes, em que
a consciência
fragmentária da criatura evolui ao impacto dos mais diversos
raios, a fim de
entesourar a Luz Divina e crescer para a Consciência Cósmica.
Vibra a luz em todos os lugares e, por ela, estamos informados de que
o
Universo é percorrido pelo fluxo divino do Amor Infinito, em
freqüência muitíssimo
elevada, através de ondas ultracurtas que podem ser transmitidas
de espírito a
espírito, mais facilmente assimiláveis por intermédio
da oração.
Cada aprendiz do Evangelho necessita, assim, afeiçoar-se ao culto
da prece, no
próprio mundo íntimo, valorizando a oportunidade que lhe
é concedida para a co-
munhão com o Infinito Poder.
Para isso, contudo, é indispensável que a mente e o coração
da criatura estejam
em sintonia com o amor que domina todos os ângulos da vida, porque
a lei do amor
é tão matemática como a lei da gravitação.
Mentalizemos a eletricidade, por exemplo, na rede iluminativa. Caso
apareça
qualquer hiato na corrente, ninguém se lembrará de acusar
a usina, como se o fluxo
elétrico deixasse de existir. Certificar-nos-emos sem dificuldade
de que há um
defeito na lâmpada ou na tomada de força.
Derrama-se o amor de Nosso Senhor Jesus-Cristo para todos os corações,
no
entanto, é imprescindível que a lâmpada de nossa
alma se mostre em condições de
receber-lhe o Toque Sublime.
Os materiais que constituem a lâmpada são apetrechos de
exteriorização da luz,
mas a eletricidade é invisível.
Assim também, nós vemos o Amor de Deus em nossas vidas,
por intermédio do
Grande Mediador, Jesus-Cristo, em forma de alegria, paz, saúde,
concórdia,
progresso e felicidade; entretanto, acima de todas essas manifestações,
abordáveis
ao nosso exame, permanece o invisível manancial do Ilimitado
Amor e da Ilimitada
Sabedoria.
Usando imagens mais simples, recordemos o serviço da água
no abrigo
doméstico.
Logicamente, as fontes são alimentadas por vivas reservas da
Natureza, mas,
para que a água atinja os recessos do lar, não prescindiremos
da instalação ade-
quada.
A canalização deve estar bem disposta e bem limpa.
Em vista disso, é necessário que todas as atitudes em
desacordo com a Lei do
Amor sejam extirpadas de nossa existência, para que o Inesgotável
Poder penetre
através de nossos humildes recursos.
O canal de nossa mente e de nosso coração deve estar desimpedido
de todos
os raciocínios e sentimentos que não se harmonizem com
os padrões de Nosso
Senhor.
Alcançada essa fase preparatória, é possível
utilizar a oração por medida de
reajuste para nós e para os outros, incluindo quantos se encontram
perto ou longe
de nós.
Ninguém pode calcular no mundo o valor de uma prece nascida do
coração
humilde e sincero diante do Todo-Misericordioso.
Certamente as tinturas e os sais, as vitaminas e a radioatividade são
elementos
que a Providência Divina colocou a serviço dos homens na
Terra.
É também compreensível que o médico seja
indispensável, muitas vezes, à
cabeceira dos doentes, porque, em muitas situações, assim
como o professor
precisa do discípulo e o discípulo do professor, o enfermo
precisa do médico, tanto
quanto o médico necessita do enfermo, na permuta de experiência.
Isso, porém, não nos impede usar os recursos de que dispomos
em nós
mesmos. E estejamos convictos de que, ligando o fio de nossa fé
à usina do Infinito
Bem, as fontes vivas do Amor Eterno derramar-se-ão através
de nós, espalhando
saúde e alegria.
Assim como há lâmpadas para voltagens diversas, cada criatura
tem a sua
capacidade própria nas tarefas do auxílio. Há quem
receba mais, ou menos força.
Desse modo, conduzamos nossa boa-vontade aos companheiros que sofrem,
suplicando a Infinita Bondade em favor de nós mesmos.
É indispensável compreender que a oração
opera uma verdadeira transfusão de
plasma espiritual, no levantamento de nossas energias.
Se nos sentimos fracos, peçamos o concurso de um companheiro,
de dois
companheiros ou mais irmãos, porque as forças reunidas
multiplicam as forças e,
dessa forma, teremos maiores possibilidades para a eclosão do
Amparo Divino que
está simplesmente esperando que a nossa capacidade de transmissão
e de sintonia
se amplie e se eleve, em nosso próprio favor.
Mentalizemos o órgão enfermo, a pessoa necessitada ou
a situação difícil, à
maneira de campos em que o Divino Amor se manifestará, oferecendo-lhes
nosso
coração e nossas mãos, por veículos de socorro,
e veremos fluir, por nós, os
mananciais da Vida Eterna, porque o Pai Todo-Compassivo e Jesus Nosso
Senhor
nunca se empobrecem de bondade.
A indigência é sempre nossa.
Muitos dizem "não posso ajudar porque não sou bom",
mas, se já fôssemos
senhores da virtude, estaríamos noutras condições
e noutras esferas.
Consola-nos saber que somos discípulos do bem e, nessa posição,
devemos
exercitá-lo.
Movimentemos a boa-vontade.
Não temos ainda as árvores da generosidade e da compreensão,
da fé
irrepreensível e da perfeita caridade, mas possuímos as
sementes que lhes
correspondem. E toda semente bem plantada recolhe do Alto a graça
do
crescimento.
Assim, pois, para que tenhamos assegurado o êxito da nossa plantação
de
qualidades superiores, é preciso nos disponhamos a fazer da própria
vida um canal
de manifestação do Constante Auxílio.
Todos temos provas, dificuldades, moléstias, aflições
e impedimentos, contudo,
dia a dia, colocando nosso espírito à disposição
do Divino Amor que flui do centro
do Universo para todos os recantos da vida, desenvolver-nos-emos em
entendimento, elevação e santificação.
Trabalhemos, portanto, estendendo a oração curativa.
A vossa assembléia de socorro aos irmãos conturbados na-
sombra é uma
exaltação da prece desse teor, porque trazeis ao vosso
círculo de serviço aquilo que
guardais de melhor e contais simplesmente com o Divino Poder, já
que nós, de nós
mesmos, nada detemos ainda de bom senão a migalha de nossa confiança
e de
nossa boa-vontade.
Em nome do Evangelho, sirvamos e ajudemos.
E que Nosso Senhor Jesus-Cristo nos assista e abençoe.
Eustáquio
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MENSAGEM DE UM SACERDOTE
Em nossa reunião
da noite de 18 de novembro de 1954, os recursos
psicofônicos do médium foram ocupados pelo nosso Irmão
C. T., que fora, algum
tempo antes, assistido em nossa agremiação.
Nosso amigo C. T., que não podemos designar senão pelas
iniciais, por motivos
facilmente compreensíveis, trouxe-nos Interessante relato de
suas próprias
experiências, do qual salientamos o trecho em que se reporta à
emoção de que se
viu possuido, quando, ao fitar, compungido, um velho crucifixo, escutou
a voz de um
Amigo Espiritual, acordando-lhe a consciência para a verdadeira
compreensão de
Jesus; consideramos de Indizível beleza semelhante tópico
da presente mensagem
por referir-se ao Cristo Vivo, fora dos santuários de pedra,
servindo
incessantemente em favor do mundo.
Irmãos.
A experiência dos mais velhos é auxílio para os
mais jovens.
Quem atravessou o vale da morte pode ajudar aos que ainda transitam
nos
trilhos obscuros da existência carnal...
A gratidão, por isso, impele-me a trazer-vos algo de mim.
Quando de meu primeiro contacto convosco, saí vencido, não
convencido...
Acreditei fôsseis magnetizadores socorrendo um enferino difícil.
E eu despertava de um pesadelo horrível... Acordava, identificando
a mim
próprio e, reconhecendo-me o sacerdote categorizado que eu era,
ressurgia,
revoltado e impenitente.
Debalde benfeitores espirituais estenderam-me os braços.
Em vão, consoladoras vozes se me fizeram ouvir. As ordenações
e
convencionalismos da Terra jaziam petrificados em minha cabeça-dura.
Fizera da autoridade a minha expressão de força. Usara
a mitra com o orgulho
do padre invigilante que se eleva nas funções hierárquicas,
com o propósito de
dominar o pensamento dos próprios irmãos.
E por mais que a piedade me dirigisse cativanteS exortações,
recalcitrei,
desesperado...
Não supunha fosse a morte aquele fenômeno de reavivamento.
Minhas impressões do corpo físico mostravam-se intactas
e minhas faculdades,
intangíveis...
Reclamei meus títulos e exigi minha casa e, naturalmente, para
se não
delongarem através de conversação inútil,
companheiros espirituais tomaram-me as
mãos.
Num átimo, vi-me à porta selada de meu domicílio,
mas, agora, sem ninguém...
Decerto, meus caridosos condutores entregavam-me à própria
consciência.
Aflito, gritei por meus servidores, contudo, minhas vozes morreram sem
eco.
A noite avançara...
Desrespeitosa algazarra alcançou-me os ouvidos.
Desafetos gratuitos pronunciavam sarcasticamente o meu nome, em meio
da
sombra espessa:
- "Abram a porta ao senhor bispo ! "
- "Assistência para o dono da casa!..
- "Atendam ao visitante ilustre..."
- "Lugar para Sua Eminência!..
Isso tudo de permeio com irreverentes gargalhadas.
Receando o ridículo, busquei a igreja que me era familiar.
Sacerdotes amigos vigiavam em oração. Contudo, por mais
que apelasse para a
minha condição de chefe, ninguém me assinalou as
súplicas aflitivas.
Ajoelhei-me diante das imagens a que rendia culto, no entanto, jamais
como
naquela hora havia reparado com tanta segurança a frieza dos
ídolos que
representavam objetos sagrados de minha fé.
Desejava fazer-me sentido, ouvido, tocado...
Então, como se um ímã me provocasse, retrocedi
apressadamente...
Em passos ligeiros, desci à pequena câmara escura.
Fora atraído por meus próprios restos.
Ali descansava, na escuridão silenciosa, o corpo que me servira.
O bafio repelente do túmulo obrigava-me a recuar... Algo, porém,
me
constrangia a compulsória aproximação.
Toquei as vestes rotas e senti que minhalma se justapunha aos ossos
desnudados...
Queria reassumir a posição vertical entre os homens.
Mas apenas vermes e mais vermes eram, ali, a única nota de vida.
Dominado de terrível pavor, tornei ao altar para as orações
mais íntimas...
Orações que brotassem de mim, diferentes daquelas que
decorara para iludir o
tempo.
Procurei um velho crucifixo.
Ali, estava a cruz do Senhor.
Não era um ídolo, era um símbolo.
Via-me sozinho, desanimado, e orei, compungidamente.
Rememorei os ensinamentos do Mestre Divino, que recolhia as almas
desarvoradas e enfermas para restituir-lhes o alento...
E uma voz à retaguarda, cuja inflexão de energia e brandura
não conseguiria
traduzir, exclamou para meu espírito fatigado:
- Amigo, tua casa na Terra cerrou-se com teus olhos!...
Teus poderes eclesiásticos estão agora reduzidos a um
punhado de cinzas...
E de todas as atividades sacerdotais que exerceste, permanece tão-só
esta de
agora - a de tua própria fé ressuscitada na humildade
do coração!
Cristo não permanece crucificado nos altares de pedra, disputando
a reverência
daqueles que supôem prestigiar-lhe a memória, a preço
de incenso e ouro...
Jesus está lá fora! Com as mães que se sentem desamparadas,
com os
discípulos que sustentam em si mesmos duro combate!...
O Senhor caminha ao longo da velha senda que o homem palmilha, há
milênios,
procurando aqueles que anelam amealhar fraternidade e luz, serviço
e renovação...
Avança ao encontro das almas fiéis que repartem o tempo
entre a lição que
educa e o trabalho que santifica...
Busca as crianças sem ninho, asilando-as nos braços daqueles
que lhe
recordam a amorosa exortação...
Respira nas fábricas, onde o suor dos humildes pede socorro...
Ora nos círculos atormentados da luta redentora, onde corações
restaurados no
Evangelho intentam a construção de nova estrada para o
futuro...
Cristo vive lá fora, reconfortando os caluniados e enxugando
as lágrimas de
quantos se sentem morrer na solidão dos vencidos...
O Senhor, ainda e sempre, é o Celeste Peregrino do mundo...
Nas noites frias, é o agasalho dos que não receberam a
graça do lar...
Junto ao fogão sem lume, é o calor que regenera as energias
dos que não
puderam adquirir uma côdea de pão....
Enfermeiros nos hospitais, conchega de encontro ao peito os doentes
em
abandono...
Amigo infatigável dos cegos e dos leprosos, dos cansados e dos
tristes, instila-
lhes, generoso, a bênção da esperança...
O Mestre jamais envergou a túnica da ociosidade que lhe quadraria
ao coração
como um sudário de morte...
Vamos! Vamos em busca do Senhor Ressuscitado!
Procuremos o Cristo, além da cruz, tomando a cruz que nos é
própria, a fim de
encontrá-lo na grande ressurreição!...
Aflito, mas devolvido a mim mesmo, senti frio...
Minha igreja estava gelada, mas, ao calor da prece, roguei ao Céu
permissão
para esposar novo roteiro, sob a luz viva do Evangelho restaurado, na
religião do
esforço humanitário e social, com o templo guardando a
fé por base e a caridade
por teto...
E abraçando convosco a senda renovada, tento agora avançar
para o futuro
sublime ....
Que o Senhor nos ampare.
C. T.
38
PENSAMENTO
Em nossa reunião
de 25 de novembro de 1954, felicitou-se nosso Grupo com a
presença do Espírito Lourenço Prado que, pelos
canais psicofônicos, nos ofertou
expressiva palestra, acerca do pensamento.
Escritor largamente conhecido nos arraiais do Espiritualismo em nosso
País e
autor de vários livros de grande mérito, sua palavra,
na alocução que
transcrevemos, versa sobre sintonia, equilíbrio e colaboração
em nossa vida mental.
Depois da morte física,
empolgante é o quadro de surpresas que se nos
descortina à visão, contudo, para nós, cultores
do Espiritualismo, uma das maiores
dentre todas é a confirmação do poder mental como
força criadora e renovadora,
em todas as linhas do Universo.
O Céu, como domicilio espacial da beleza, existe realmente, porque
não
podemos imaginar o Paraíso erguido sobre um pântano, todavia,
acima de tudo, o
Céu é a faixa de pensamentos glorificados a que nos ajustamos,
com todas as
criaturas de nosso degrau evolutivo.
O Inferno, como sítio de sofrimento expiatório, igualmente
não pode ser
contestado, porque não será justo idear a existência
do charco num templo vivo,
mas, acima de qualquer noção de lugar, o Inferno é
a rede de pensamentos
torturados, em que nos deixamos prender, com todos aqueles que nos comungam
os problemas ou as aflições de baixo nível.
É preciso acordar para as realidades do mentalismo, a fim de
nos
desembaraçarmos dos grilhões do pretérito, criando
um amanhã que não seja
reflexo condicionado de ontem.
A Lei concede-nos, em nome de Deus, na atualidade, o patrimônio
de
revelações do moderno Espiritualismo para aprendermos
a pensar, ajudando a
mente do mundo nesse mesmo sentido.
O pensamento reside na base de todas as nossas manifestações.
Evoluímos no curso das correntes mentais, assim como os peixes
se
desenvolvem nas correntes marinhas.
Refletimos, por isso, todas as inteligências que se afinam conosco
no mesmo
tom.
Na alegria ou na dor, no equilíbrio ou no desequilíbrio,
agimos com todos os
espíritos, encarnados ou desencarnados, que, em nossa vizinhança,
se nos
agregam ao modo de sentir e de ser.
Saúde é o pensamento em harmonia com a lei de Deus. Doença
é o processo
de retificá-lo, corrigindo erros e abusos perpetrados por nós
mesmos, ontem ou
hoje, diante dela.
Obsessão é a idéia fixa em situações
deprimentes, provocando, em nosso
desfavor, os eflúvios enfermiços das almas que se fixaram
nas mesmas situações.
Tentação é a força viciada que exteriorizamos,
atraindo a escura influência que
nos inclina aos desfiladeiros do mal, porque toda sintonia com a ignorância,
ou com
a perversidade, começa invariavelmente da perversidade ou da
ignorância que
acalentamos conosco.
Um prato de brilhantes não estimulará a fome natural de
um cavalo, mas
excitará a cobiça do homem, cujos pensamentos estejam
desvairados até o crime.
Lembremo-nos, assim, da necessidade de pensar irrepreensivelmente,
educando-nos, de maneira a avançarmos para diante, errando menos.
A matéria, que nos obedece ao impulso mental, éo conjunto
das vidas inferiores
que vibram e sentem, a serviço das vidas superiores que vibram,
sentem e pensam.
O pensamento raciocinado é a maior conquista que já alcançamos
na Terra.
Procuremos, desse modo, aperfeiçoar nossa mente e sublimá-la,
através do
estudo e do trabalho que nos enobreçam a vida.
Felicidade, pois, é o pensamento correto.
Infortúnio é o pensamento deformado.
Um santuário terrestre é o fruto mental do arquiteto que
o idealizou, com a
cooperação dos servidores que lhe assimilaram as idéias.
O mundo novo que estamos aguardando é construção
divina, mentalizada por
Cristo, na exaltação da Humanidade. Trabalhadores que
somos, contratados por
nosso Divino Mestre, saibamos pensar com ele para com ele vencermos.
Lourenço Prado
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PROVAÇÃO
Complementando-nos as
tarefas, na noite de 2 de dezembro de 1954 fomos
surpreendidos com a presença do Irmão Mozart, desencarnado
há tempos, e que,
através do médium, nos relatou sua triste história.
Foi pessoalmente conhecido de alguns dos nossos companheiros de
agremiação e seu comunicado faz-nos lembrar as palavras
do Divino Mestre: -
"Muito se pedirá de quem muito recebeu."
Meus irmãos.
Sou um mendigo de consolação, batendo-vos à porta.
Lembro-me da seara
espírita com a tortura do exilado, chorando o paraíso
perdido, e recordo a mediuni-
dade com a aflição do lavrador, carregado de remorsos
por haver sentenciado a
enxada que lhe era própria ao desvalimento e à ferrugem.
Noutro tempo, partilhei o pão que vos nutre a mesa, no entanto,
envenenei-o
com a lama da vaidade e sofro as conseqüências.
Benfeitores espirituais auxiliaram-me na obtenção das
preciosas oportunidades
que desfrutei em minha última existência na Terra, contudo,
apesar de desligado
agora do veículo físico, ainda não consegui amealhar
suficiente luz para reaver o
caminho de retorno a eles.
Tenho os horizontes mentais sob o fumo do incêndio que ateei no
meu próprio
destino.
Amparado por recursos da Vida Superior, sob a flama de ardente entusiasmo,
comecei a missão da cura...
Utilizando a prece, via fluir por meus dedos a energia radiante e restauradora,
extasiando-me ante as feridas que se fechavam, ante as dores que desapareciam
e
ante os membros semimortos que readquiriam movimento.
Com o trabalho veio o êxito e com o êxito chegaram as considerações
públicas
e os caprichos individuais satisfeitos que me fizeram estremecer...
Não consegui suportar a coroa de responsabilidade que me ornava
a cabeça,
resvalando na perturbação e na inconsciência.
Asseverando-me espiritualista, recolhi do Espiritismo e do Esoterismo
conhecimentos e princípios que me favoreceram a extensão
da influência pessoal.
Cego para as lições claras da vida e surdo aos apelos
de ordem moral, intentei
dominar as mentes alheias e explorá-las a meu bel-prazer.
Manejando a força magnética, encastelei-me no poder oculto...
Tarde, porém, reconheci que o poder oculto, sem o poder do reto
pensamento, é
tão perigoso para a alma quanto o dinheiro mal conduzido ou a
ciência mal aplicada,
que esbarram, invariavelmente, na extravagância ou no arrependimento,
na loucura
ou na morte.
Em minha insensatez, acreditando-me dono da luz, pretendi substituir
os
Instrutores Espirituais que se expressavam por intermédio de
minhas mãos,
entretanto, ai de mim!... A candeia sem combustível confunde-se
com as trevas...
E eu que desejava escravizar, acabei escravizado, que sonhava honrarias,
adquiria a vergonha, que me propunha deter a fortuna, terminei possuído
pela
indigência, que admitia vencer, vi-me derrotado, em pavorosa humilhação...
E, atravessando a grande fronteira, sou ainda um enfermo em dolorosa
experiência.
É por isso que, em me reconfortando ao contacto de vossa casa
simples e de
vossas orações sinceras, deixo-vos, com o meu reconhecimento,
os meus pobres
apelos:
- Espiritualistas, Espiritistas e Esoteristas, orai e vigiai! Não
vos interesseis
simplesmente por vosso bem-estar, olvidando o bem-estar dos outros!...
Não fujais ao trabalho.
Não vos furteis ao estudo.
Não olvideis a simplicidade!
Não eviteis a luz!...
E, sobretudo, para que aflitivas surpresas não vos povoem a estrada
futura,
tende por norma, além dos apontamentos, avisos e diretrizes dos
orientadores que
se responsabilizam por nossos campos de atividade, o roteiro do Mestre
dos
mestres, que nos ensinou para a conquista real da felicidade o extremo
sacrifício a
favor do próximo e que nos legou a cruz da renunciação,
como sublime talismã,
capaz de garantir-nos a vitória na vida eterna!...
Mozart
40
VERSOS DO NATAL
Revestiu-se para nós
de grande alegria a parte final da nossa reunião de 9 de
dezembro de 1954.
Meimei ocupou as faculdades psicofônicas do médium e anunciou
em voz clara:
Meus irmãos, Jesus
nos abençoe.
Graças à Bondade Divina, nossas tarefas foram rematadas
com a necessária
segurança.
As melhoras dos nossos companheiros sofredores, assistidos nesta noite,
serão
progressivas continuando, assim, no aconchego de nossas organizações
espirituais.
Agora, solicitamos dos presentes alguns instantes de pensamentos amigos,
tão
entrelaçados quanto possível, em torno da memória
de Jesus, para favorecermos a
visita de nossa irmã Cármen Cinira, que algo nos falará,
hoje, acerca do Natal.
Afastou-se Meimei e a
transfiguração do médium dá-nos a entender
que outra
entidade lhe tomava o equipamento. E, decorridos brevíssimos
minutos, com um
timbre de voz que nos soava harmoniosamente aos ouvidos, a poetisa Cármen
Cinira, em versos encantadores e vibrantes, saúda o Natal que
se aproxima,
poesia essa que ela própria intitulou por:
VERSOS DO NATAL
Enquanto a glória
do Natal se expande
Na alegria que explode e tumultua,
Lembra o Divino Amigo, além, na rua...
E repara a miséria escura e grande.
Aqui, reina o Palácio
do Capricho
Que a louvores e júbilos se entrega,
Onde a prece ao Senhor é surda e cega
E onde o pão apodrece sobre o lixo.
Ali, ergue-se a Casa da
Ventura,
Que guarda a fé por fúlgido tesouro,
Onde a imagem do Cristo, em prata e ouro,
Dorme trancada em cárceres de usura.
Além, é
o Ninho da Felicidade
Que recorda Belém, cantando à mesa,
Mas, de portas cerradas à tristeza
Dos que choram de dor e de saudade.
Mais além, clamam
sinos com voz pura:
- "Jesus nasceu! " - o Templo dos Felizes
Que não se voltam para as cicatrizes
Dos que gemem nas chagas de amargura...
Adiante, o Presépio
erguido em trono
Louva o Rei Pequenino e Solitário,
Olvidando os herdeiros do Calvário
Sobre as cinzas dos catres de abandono.
De quando em quando, o
Mestre, em companhia
Daqueles que padecem sede e fome,
Bate ao portal que lhe relembra o nome,
Mas em resposta encontra a noite fria.
E quem contemple a Terra
que se ufana,
Ante o doce esplendor do Eterno Amigo,
Divisará, de novo, o quadro antigo:
- Cristo esmolando asilo na alma humana.
Natal!... O mundo é
todo um lar festivo!...
Claros guizos no ar vibram em bando...
E Jesus continua procurando
A humilde manjedoura do amor vivo.
Natal! eis a Divina Redenção!...
Regozija-te e canta, renovado,
Mas não negues ao Mestre desprezado
A estalagem do próprio coração.
Cármen Cinira
TODO CONTEÚDO
DAS ORAÇÕES, MENSAGENS ESPÍRITAS E PSICOGRAFIAS
PODERÁ SER COPIADO, PUBLICADO, DIVULGADO SEM AUTORIZAÇÃO
PRÉVIA DESDE QUE SEJA SEM FINS LUCRATIVOS.