INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO POR DIVERSOS ESPÍRITOS
Em memória de ALLAN KARDEC

Homenagem do "Grupo Meimei"

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SESSÕES MEDIÚNICAS

Na noite de 27 de janeiro de 1955, finda a laboriosa tarefa de socorro aos
irmãos desencarnados em sofrimento, o nosso amigo espiritual André Luiz
compareceu e ofertou-nos os interessantes apontamentos para a condução de
sessões mediúnicas, que passamos a transcrever.

Amigos, cooperando, de algum modo, em nossas tarefas, registraremos hoje
algumas notas, que supomos de real interesse para as nossas sessões mediúnicas
habituais.
1º - Acenda a luz do amor e da oração no próprio espírito se você deseja ser
útil aos sofredores desencarnados.
2º - Receba a visita do companheiro extraviado nas sombras, nele abraçando
com sinceridade um irmão do caminho.
3º - Não exponha as chagas do comunicante infeliz à curiosidade pública,
auxiliando-o em ambiente privado como se você estivesse socorrendo um parente
enfermo na intimidade do próprio lar.
4º - Não condene, nem se encolerize.
5º - Não critique, nem fira.
6º - Não fale da morte ao Espírito que a desconhece, clareando-lhe a estrada
com paciência, para que ele descubra a realidade por si próprio.
7º - Converse com precisão e carinho, substituindo as preciosas divagações e
os longos discursos pelo sentimento de pura fraternidade.
8º - Coopere com o doutrinador e com o médium, endereçando-lhes
pensamentos e vibrações de auxílio, compreensão e simpatia, sem reclamar deles
soluções milagrosas.
9º - Não olvide, a distância, o equilíbrio, a paz e a alegria, a fim de que o irmão
sofredor encontre o equilíbrio, a paz e a alegria em você.
10º - Não se esqueça de que toda visita espiritual é muito importante,
recordando que, no socorro prestado por nós a quem sofre, estamos recebendo da
vida o socorro que nos é necessário, a erguer-se em nós por ensinamento valioso,
que devemos assimilar, na regeneração ou na elevação de nosso próprio destino.

André Luiz

Retirando-se André Luiz, o nosso companheiro José Xavier controlou as
faculdades do médium e anunciou-nos a presença do poeta Cruz e Souza,
recomendando-nos alguns instantes de oração e silêncio. Com efeito, como de
outras vezes, alterou-se a expressão mediúnica e, daí a momentos, o novo visitante
declamou em voz alta e firme:

AO VIAJANTE DA FÉ

Vara o trilho espinhoso, estreito e duro,
E embora te magoe o peito aflito,
Torturado na sede do Infinito,
Guarda contigo o amor sublime e puro.

Martirizado, exânime e inseguro,
Ninguém perceba a angústia de teu grito.
Sangrem-te os pés nos serros de granito,
Segue, antevendo a glória do futuro.

Lembra o Cristo da Luz, grande e sozinho,
E, entre as sarças e as pedras do caminho,
Sobe, olvidando o báratro medonho...

Somente sobe ao Céu ilimitado
Quem traz consigo, exangue e torturado,
O próprio coração na cruz do sonho.

Cruz e Souza


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SANTA ÁGUA

Rematando as nossas atividades na reunião da noite de 3 de fevereiro de 1955,
nosso grupo recebeu a visita do poeta Benedito Rodrigues de Abreu, desencarnado
no Estado de São Paulo, que recitou um original poema sobre a água.

SANTA ÁGUA

Recordemos as virtudes de Santa Água!...
Água da chuva que fertiliza o solo,
Água do mar que gera a vida,
Água do rio que sustenta a cidade,
Água da fonte que mitiga a sede,
Água do orvalho que consola a secura,
Água da cachoeira que move a turbina,
Água do poço que alivia o deserto,
Água do banho que garante o equilíbrio,

Água do esgoto que assegura a higiene,
Água do lago que retrata as constelações,
Água que veicula o medicamento,
Água que é carícia, leite, seiva e pão, nutrindo o homem e a natureza,
Água do suor que alimenta o trabalho,
Água das lágrimas que é purificação e glória do espírito...
Santa Água é a filha mais dócil da matéria tangível,
Alongando os braços líquidos para afagar o mundo...
Água que lava,
Água que fecunda,
Água que estende o progresso,
Água que corre, simples, como sangue do Globo!...

Água que recolhe os eflúvios dos anjos
Em benefício das criaturas...
Se a dor vos bate à porta,
Se a aflição vos domina,
Trazei Santa Água ao vaso claro e limpo,
Orando junto dela...
E o rocio do Alto,
Em grânulos sutis,
Descerá das estrelas
A exaltar-lhe, sublime,
A beleza e a humildade...

E, sorvida por nós,
Santa Água conosco
Será saúde e paz,
Alegria e conforto,
Bálsamo milagroso
De bondade e esperança,
A impelir-nos à frente,
Na viagem divina
Da Terra para o Céu...

Rodrigues de Abreu


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NO CAMPO ESPÍRITA

Pascoal Comanducci foi abnegado companheiro da tarefa espírita em Belo
Horizonte.
Médium devotado ao bem, trabalhou quanto lhe foi possível em benefício dos
semelhantes.
Desencarnado há alguns anos, na capital mineira, foi ele o amigo espiritual que
nos visitou no horário reservado às instruções, em nossa reunião da noite de 10 de
fevereiro de 1955, encorajando-nos e alertando-nos na mensagem que vamos ler.

Amigos, Jesus nos ampare.
Em verdade, partilhamos no Espiritismo os júbilos de uma festa.
Assemelhamo-nos a convivas privilegiados num banquete de luz.
Tudo claro.
Tudo sublime.
No entanto, ninguém se iluda.
Não somos trazidos à exaltação da gula.
Fomos chamados a trabalhar.
A Terra de agora é a Terra de há milênios.
E somos, por nossa vez, os mesmos protagonistas do drama evolutivo.
Remanescentes da animalidade e da sombra...
Ossuários na retaguarda, campos de luta no presente...
Meta luminosa por atingir no futuro distante.
Somos almas transitando em roupagens diversas.
Cada criatura renasce no Planeta vinculada às teias do pretérito.
Problemas da vida espiritual são filtrados no berço.
E, por isso, na carne, somos cercados por escuros
enigmas do destino.
Obsessões renascentes.
Moléstias congeniais.
Dificuldades e inibições.
Ignorância e miséria.
Em todos os escaninhos da estrada, o serviço a desafiar-nos.
Cristo em nós, reclamando-nos o esforço. A renovação mental rogando a
renovação da existência.
O Evangelho insistindo por expressar-se. Mas, quase sempre, esposamos a
fantasia.
Cegos, ante a Revelação Divina, suspiramos por facilidades.
E exigimos consolações e vantagens, doações e favores.
Suplicamos intercessões indébitas. Requisitamos bênçãos imerecidas. Nossa
Doutrina, porém, é um templo para o coração,
uma escola para o cérebro e uma oficina para os braços.
Ninguém se engane.
Não basta predicar.
Não vale fugir aos problemas da elevação.
Muitos possuem demasiada ciência, mas ciência sem bondade.
Outros guardam a bondade consigo, mas bondade sem instrução.
No trabalho, porém, que é de todos, todos devemos permutar os valores do
concurso fraterno para que o Espiritismo alcance os seus fins.
Precisamos da coragem de subir para aprender.
Necessitamos da coragem de descer dignamente para ensinar.
Caridade de uns para com os outros.
Compreensão incansável e auxílio mútuo.
Em nossos lares de fé, lamentamos as aflitivas questões que surgem...
As rogativas extravagantes, exibindo mazelas morais.
As frustrações domésticas.
Os desequilíbrios da treva.
Os insucessos da luta material.
As calamidades do sentimento.
As escabrosas petições.
E proclamamos com azedia que semelhantes assuntos não constituem temas
espíritas.
Realmente, temas espíritas não são.
Mas são casos para a caridade do Espiritismo e de nós outros que lhe
recolhemos a luz.
Problemas que nos solicitam a medicina espiritual preventiva contra a epidemia
da obsessão.
Mais vale atender ao doente, antes da crise mortal, que socorrê-lo, em nome do
bem, quando o ensejo da cura já passou.
Em razão disso, o trabalho para nós é desafio constante.
Trabalho que não devemos transferir a companheiros da Vida Espiritual,
algumas vezes mais necessitados de luz que nós mesmos.
O serviço de amparo moral ao próximo é das nossas mais preciosas
oportunidades de comunhão com Jesus, Nosso Mestre e Senhor, porque,
comumente, uma boa conversação extingue o incêndio da angústia.
Um simples entendimento pode ajudar muitas vidas.
No reino da compreensão e da amizade, uma prece, uma frase, um
pensamento, conseguem fazer muito.
Quem ora, auxilia além do corpo físico.
Ao poder da oração, entra o homem na faixa de amor dos anjos.
Mas, se em nome do Espiritismo relegamos ao mundo espiritual qualquer
petição que aparece, somos servidores inconscientes, barateando o patrimônio
sagrado, transformando-nos em instrumentos da sombra, quando somente à luz nos
cabe reverenciar e servir.
Também fui médium, embriagado nas surpresas do intercâmbio.
Deslumbrado, nem sempre estive desperto para o justo entendimento.
Por esse motivo, ainda sofro o assédio dos problemas que deixei insolúveis nas
mãos dos companheiros que me buscavam, solícitos.
Ajudemos a consciência que nos procura, na procura do Cristo.
Só Jesus é bastante amoroso e bastante sábio para solucionar os nossos
enigmas.
Formemos, assim, pequenas equipes de boa-vontade em nossos templos de
serviço, amparando-nos uns aos outros e esclarecendo-nos mutuamente.
Assim como nos preocupamos no auxílio às crianças e aos velhos, aos famintos
e aos nus, não nos esqueçamos do irmão desorientado que a guerra da treva expia.
Doemos, em nome do Espiritismo, a esmola de coração e do cérebro, no
socorro à mente enfermiça, porque se é grande a caridade que satisfaz aos
requisitos do corpo, em trânsito ligeiro, divina é a caridade que socorre o Espírito,
infatigável romeiro da Vida Eterna.

Pascoal Comanducci


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ALÉM DO SONO

A nossa reunião na noite de 17 de fevereiro de 1955 foi assinalada por
verdadeiro regozijo. É que, através dos recursos psicofónicos do médium, nosso
grupo recebeu pela primeira vez a palavra direta do Instrutor Espiritual Calderaro
(1), cuja presença nos sensibilizou muitíssimo. Em sua alocução aborda alguns
apontamentos alusivos à nossa conduta espiritual durante o sono físico, estudo
esse que consideramos de real valor para a nossa edificação.

De passagem por nosso templo, rogo vênia para ocupar-lhes a atenção com
alguns apontamentos ligeiros, em torno de nossas tarefas habituais.
Dia e noite, no tempo, simbolizam existência e morte na vida.
Não há morte libertadora sem existência edificante.

(1) Trata-se do Instrutor Espiritual a que se reporta André Luiz, em seu livro "No
Mundo Maior". - Nota do organizador.

Não há noite proveitosa sem dia correto.
Vocês não ignoram que a atividade espiritual da alma encarnada estende-se
além do sono físico; no entanto, a invigilância e a irresponsabilidade, à frente de
nossos compromissos, geram em nosso prejuízo, quando na Terra, as alucinações
hipnogógicas, toda vez que nos confiamos ao repouso.
É natural que o dia mal vivido exija a noite mal assimilada.
O espírito menos desperto para o serviço que lhe cabe, certamente encontrará,
quando desembaraçado da matéria densa, trabalho imperioso de reparação a
executar.
Por esse motivo, grande maioria de companheiros encarnados gasta as horas
de sono exclusivamente em esforço compulsório de reajuste.
Mas, se o aprendiz do bem atende à solução dos deveres que a vigília lhe
impõe, torna-se, como é justo, além do veículo físico, precioso auxiliar nas
realizações da Esfera Superior.
Convidamos, assim, a vocês, tanto quanto a outros amigos a quem nossas
palavras possam chegar, à tarefa preparatória do descanso noturno, através do dia
retamente aproveitado, a fim de que a noite constitua uma província de reencontro
das nossas almas, em valiosa conjugação de energias, não somente a benefício de
nossa experiência particular, mas também a favor dos nossos irmãos que sofrem.
Muitas atividades podem ser desdobradas com a colaboração ativa de quantos
ainda se prendem ao instrumento carnal, principalmente na obra de socorro aos en-
fermos que enxameiam por toda parte.
Vocês não desconhecem que quase todas as moléstias rotineiras são doenças
da idéia, centralizadas em coagulações de impulsos mentais, e somente idéias
renovadoras representam remédio decisivo.
Por ocasião do sono, é possível a ministração de amparo direto e indireto às
vítimas dos labirintos de culpa e das obsessões deploráveis, por intermédio da
transfusão de fluidos e de raios magnéticos, de emanações vitais e de sugestões
salvadoras que, na maior parte dos casos, somente os encarnados, com a
assistência da Vida Superior, podem doar a outros encarnados.
E benfeitores da Espiritualidade vivem a postos, aguardando os enfermeiros de
boa-vontade, samaritanos da caridade espontânea, que, superando inibições e obs-
táculos, se transformem em cooperadores diligentes na extensão do bem.
Se vocês desejam partilhar semelhante concurso, dediquem alguns momentos à
oração, cada noite, antes do mergulho no refazimento corpóreo.
Contudo, não basta a prece formulada só por só.
É indispensável que a oração tenha bases de eficiência no dia bem aproveitado,
com abstenção da irritabilidade, esforço em prol da compreensão fraterna, deveres
irrepreensivelmente atendidos, bons pensamentos, respeito ao santuário do corpo,
solidariedade e entendimento para com todos os irmãos do caminho, e, sobretudo,
com a calma que não chegue a ociosidade, com a diligência que não atinja a
demasiada preocupação, com a bondade que não se torne exagero afetivo e com a
retidão que não seja aspereza contundente.
Em suma, não prescindimos do equilíbrio que converta a oração da noite numa
força de introdução à espiritualidade enobrecida, porque, através da meditação e da
prece, o homem começa a criar a consciência nova que o habilita a atuar
dignamente fora do corpo adormecido.
Consagrem-se à iniciação a que nos referimos e estaremos mais juntos.
É natural não venham a colher resultados, de imediato, nas faixas mnemônicas
da recordação, mas, pouco a pouco, nossos recursos associados crescerão,
oferecendo-nos mais alto sentido de integração com a vida verdadeira e
possibilitando-nos o avanço progressivo no rumo de mais amplas dimensões nos
domínios do Universo.
Aqui deixamos assinalada nossa lembrança que encerra igualmente um apelo
ao nosso trabalho mais intensivo na aplicação prática ao ideal que abraçamos,
porque a alma que se devota à reflexão e ao serviço, ao discernimento e ao estudo,
vence as inibições do sono fisiológico e, desde a Terra, vive por antecipação na su-
blime imortalidade.

Calderaro


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OBSERVAÇÃO OPORTUNA

Concluíndo as nossas lides da noite de 24 de fevereiro de 1955, no tempo
reservado às instruções do Plano Espiritual, fomos brindados com a presença
confortadora de nossa irmã Ana Prado, que foi médium de materialização, em
Belém do Pará, muito conhecida nos círculos espiritistas do nosso País, através de
jornais e livros que lhe estudaram os elevados dotes medianímicos.
Utilizando-se dos recursos do médium, falou-nos com simplicidade e brandura,
comovendo-nos fundamente, porqüanto, a mensagem de que foi portadora é um
grito de alerta para todas as criaturas que se entregam aos fenômenos psíquicos
sem qualquer interesse pela iluminação interior com Jesus.

Amigos, saibamos receber a paz de Jesus.
Sou a vossa irmã Ana Prado, humilde servidora de nosso ideal.
Não há muitos anos, cooperei na mediunidade de efeitos físicos, na cidade de
Belém do Pará, tentando servir ao Espiritismo, não obstante minhas deficiências e
provações.
Adapto-me, porém, agora, à mediunidade de efeitos espirituais, nela
encontrando seguro caminho para a renovação com o Cristo.
Colaborei na materialização de companheiros desencarnados, na transmissão
de vozes do Além, na escrita direta e na produção de outros fenômenos, destinados
a formar robustas convicções, em torno da sobrevivência do ser, além da morte, no
entanto, ao redor da fonte de bênçãos que fluía, incessante, junto de nossos
corações deslumbrados, não cheguei a ver o despertar do sentimento para o Cristo,
único processo capaz de assegurar à nossa redentora Doutrina o triunfo que ela
merece na regeneração de nós mesmos.
No quadro dos valores psíquicos, a mediunidade de efeitos físicos é aquela que
oferece maior perigo pela facilidade com que favorece a ilusão a nosso próprio res-
peito.
Recolhemos os favores do Céu como dádivas merecidas, quando não passam
de simples caridade dos Benfeitores da Vida Espiritual, condoídos de nossa enfer-
midade e cegueira. E, superestimando méritos imaginários, caímos, sem perceber,
no domínio de entidades inferiores, que nos exploram a displicência.
A vaidade na excursão difícil, a que nos afeiçoamos com as nossas tarefas, é o
rochedo oculto, junto ao qual a embarcação de nossa fé mal conduzida esbarra com
os piratas da sombra, que nos assaltam o empreendimento, buscando estender o
nevoeiro do descrédito ao ideal que esposamos, valendo-se, para isso, de nosso
próprio desmazelo.
Minhas palavras, porém, não encerram qualquer censura aos gabinetes de
experimentação científica.
Seria ingratidão de nossa parte olvidar quanto devemos aos estudiosos e
cientistas que, desde o século passado, trazem a lume as mais elevadas ilações a
benefício do mundo, mobilizando médiuns e companheiros de boa-vontade.
Minha singela observação reporta-se apenas à profunda significação do serviço
evangelizador, em nosso intercâmbio, porque o sofrimento, a ignorância, a
irresponsabilidade, os problemas de toda espécie e os enigmas de todas as
procedências constituem o ambiente comum da Terra, perante o qual a
mediunidade de efeitos espirituais deve agir, renovando o sentimento e abordando o
coração, para que o raciocínio não pervague ocioso e inútil, à mercê dos
aventureiros das trevas que tantas vezes inventam dificuldades para os veneráveis
supervisores de nossas realizações.
Favoreçamos, sim, o desenvolvimento da mediunidade de efeitos físicos, onde
surja espontânea, nos variados setores de nosso movimento, contudo, amparando-a
com absoluto respeito e cercando-a de consciências sinceras para consigo próprias,
a fim de que experimentadores e instrumentos medianímicos não sucumbam aos
choques da sombra.
Quanto a nós, prossigamos em nosso esforço persistente ao lado do
pauperismo e da aflição, da dor e da luta expiatória que exigem da mediunidade de
efeitos espirituais os melhores testemunhos de amor fraterno.
Recordemo-nos de Jesus, o intérprete de nosso Pai Celestial, que em seu
apostolado divino reduziu, quanto possível, os fenômenos físicos ante a miopia
crônica das criaturas, e aumentou, sempre mais, as demonstrações de socorro à
alma humana, necessitada de luz.
Lembremos o Grande Mestre do "Vinde a mim, vós os que sofreis!..." e,
colocando-nos a serviço do próximo, esperemos que a curiosidade terrestre
acumule méritos adequados para atrair a assistência construtiva de Mais Alto,
porque somente pela pesquisa com trabalho digno e pela ciência enriquecida de
boa consciência é que a mediunidade de efeitos físicos se coroará, na Terra, com o
brilho que todos lhe desejamos.

Ana Prado

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