INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO POR DIVERSOS ESPÍRITOS
Em memória de ALLAN KARDEC

Homenagem do "Grupo Meimei"

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DOMÍNIO MAGNÉTICO

Na noite de 3 de março de 1955, fomos reconfortados com a satisfação de ouvir
novamente o Instrutor Espiritual Dias da Cruz, que prosseguiu em seus notáveis
estudos, acerca da obsessão, transmitindo-nos valioso comentário, em torno da
dominação magnética.

Prosseguindo em nosso breve estudo acerca dos fenômenos de obsessão,
convém acrescentar algumas notas alusivas à dominação magnética, para
compreendermos, com mais segurança, as técnicas de influência e possessão dos
desencarnados que ainda padecem o fascínio pela matéria densa, junto dos
companheiros que usufruem o equipamento fisiológico na experiência terrestre.
Quem assiste aos espetáculos de hipnotismo, nas exibições vulgares, percebe
perfeitamente os efeitos do fluido magnético a derramar-se do responsável pela
hipnose provocada sobre o campo mental do paciente voluntário que lhe obedece
ao comando.
Neutralizada a vontade, o "sujet" assinala, na intimidade do cosmo
intracraniano, a invasão da força que lhe subjuga as células nervosas, reduzindo-o à
condição de escravo temporário do hipnotizador com quem se afina, a executar-lhe
as ordenações, por mais abstrusas e infantis.
Aí vemos, em tese, o processo de que se utilizam os desencarnados de
condição inferior, consciente ou inconscientemente, na cultura do vampirismo.
Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade e, sugando-
lhes as energias, senhoreiam-lhes as zonas motoras e sensórias, inclusive os
centros cerebrais, em que o espírito conserva as suas conquistas de linguagem e
sensibilidade, memória e percepção, dominando-as à maneira do artista que
controla as teclas de um piano, criando, assim, no instrumento corpóreo dos
obsessos as doenças-fantasmas de todos os tipos que, em se alongando no tempo,
operam a degenerescência dos tecidos orgânicos, estabelecendo o império de
moléstias reais, que persistem até à morte.
Nesse quadro de enfermidades imaginárias, com possibilidades virtuais de
concretização e manifestação, encontramos todos os sintomas catalogados na
patogenia comum, da simples neurastenia à loucura complexa e do distúrbio
gástrico habitual à raríssima afemia estudada por Broca.
Eis por que, respeitando o concurso médico, através da clínica e da cirurgia, em
todas as circunstâncias, é imprescindível nos detenhamos no valor da prece e da
conversação evangélica, como recursos psicoterápicos de primeira órdem, no
trabalho de desobsessão, em nossas atividades espíritas.
O círculo de oração projeta o impacto de energias balsâmicas e construtivas,
sobre perseguidores e perseguidos que se conjugam na provação expiatória, e a in-
corporação medianímica efetua a transferência das entidades depravadas ou
sofredoras, desalojando-as do ambiente ou do corpo de suas vítimas e fixando-as, a
prazo curto, na organização fisiopsíquica dos médiuns de boa-vontade para
entendimento e acerto de pontos de vista, em favor da recuperação dos enfermos,
com a cessação da discórdia, do desequilíbrio e do sofrimento.
Assim sendo, enquanto a medicina terrestre aperfeiçoa os seus métodos de
assistência à saúde mento-física da Humanidade, aprimoremos, por nossa vez, os
elementos socorristas ao nosso alcance pela oração e pela palavra esclarecedora,
pela fé e pelo amor, pela educação e pela caridade infatigável.
Lembremo-nos de que o Evangelho, por intermédio do Apóstolo Paulo, no
versículo 12, do capítulo 6, de sua carta aos Efésios, nos informa com justeza:
- "Não somos constrangidos a guerrear contra a carne ou contra o sangue,
mas, sim, contra os poderes das trevas e contra as hostes espirituais da maldade e
da ignorância nas regiões celestes."
Não nos esqueçamos de que a Terra se movimenta em pleno Céu. E todos nós,
em nossa carreira evolutiva, nas esferas que lhe constituem a vida, estamos
subordinados a indefectíveis leis morais.

Francisco de Menezes Dias da Cruz


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UMA DESPEDIDA

Em nossa reunião da noite de 10 de março de 1955, por permissão de nossos
Benfeitores Espirituais, no horário dedicado às palestras dos Instrutores, o amigo
desencarnado que conhecemos por José Gomes ocupou a organização psicofônica,
falando-nos de sua penosa experiência no Além.
Nosso visitante, há seguramente dois anos, passou pelos serviços assistenciais
de nossa agremiação, desorientado e aflito, voltando até nós, agora calmo e
consciente, para relatar-nos sua história, por intermédio da qual nos faz sentir toda
a gama de sofrimentos em que se enleou, depois do homicídio em que se
comprometeu na Terra.
"Uma Despedida" oferece-nos amplo material para meditação e para estudo.

Trazido até aqui por devotados benfeitores, venho agradecer-vos e despedir-
me.
Há quase dois anos, fui socorrido nesta casa, fazendo-se luz nas trevas de
minhalma...
Eu era, então, um assassino que por cinqüenta anos padecia no ergástulo do
remorso.
Crendo preservar a minha felicidade, apunhalei um amigo, instigado pela mulher
que eu amava e, apoiando-me na desculpa de legítima defesa, consegui absolvição
na justiça terrestre.
Contudo, que irrisão! O homem que eu supunha haver aniquilado, mais vivo que
nunca prendeu-se-me ao corpo e, em poucos meses, sucumbi devorado por estra-
nha moléstia que escarneceu de todos os recursos da medicina.
Ai de mim! Nas raias da morte, apesar do conforto que me era oferecido pela fé,
através de um sacerdote, não encontrei para mentalizar senão o quadro do homi-
cídio que perpetrara.
E à maneira do homem vitimado por tormentoso pesadelo, sem sair do leito em
que se acolhe à prostração, vi-me encarcerado em meus próprios pensamentos,
vivendo a tortura e o pavor que alimentava no campo da minha alma...
Sempre o terrificante painel a vibrar na memória!...
Um companheiro infeliz, suplicando indefeso: - "Não me mate! Não me
mate!... " A presença da mulher querida... Os gênios do crime a gargalharem junto
de mim e a calma impassível da noite, com a minha cólera insopitável a
dessedentar-se num peito exangue e aberto...
Em me cansando de enterrar a lâmina na carne sem resistência, arrojava-me ao
piso da câmara iluminada, mas, a onda esmagadora de sangue levantava-se do
chão, tingindo paredes, afogando móveis, empapando-me a vestimenta e, quando
me sentia semi-sufocado, eis que me erguia de novo para continuar no duelo inde-
finível.
Se tinha fome, mãos invisíveis ofereciam-me sangue coagulado; se tinha sede,
davam-me sangue para beber...
Era dia? Era noite?
Ignorava.
Somente mais tarde, quando amparado pelas palavras de esclarecimento e de
amor dos nossos benfeitores, por vosso intermédio, vim a saber que o inimigo se
contentara com o meu cadáver e que eu não vivia senão minha própria obsessão,
magnetizado por minhas idéias fixas, jungido ao pó do sepulcro, durante meio
século, recapitulando quase que interminavelmente o meu ato impensado.
Circunscrito à alcova fatídica, que jazia em minhas reminiscências, passei da
extrema cegueira à desmedida aflição.
Existiria, realmente, um Deus de paz e bondade?
Bastou essa pergunta para que réstias de luz se fizessem sentir em meu
espírito entenebrecido, como relâmpago em noite de espessa treva...
No entanto, para chegar à certeza de Deus, precisava de um caminho.
Esse caminho era ela, a mulher amada.
Queria vê-la, ouvi-la, tocá-la...
E tanto clamei por isso que, em certa ocasião, senti como que uma rajada de
vento forte, arrebatando-me para o seio da noite...
Carregava comigo aquele fatal aposento, contudo, podia agora respirar a brisa
refrescante, entre as sombras noturnas que filtravam, de leve, as irradiações da lua
nova.
Mais ágil, andei apressadamente...
Onde estaria ela, a mulher que estava em mim?
Favorecia-me o sopro do vento e, a minutos breves, alcancei pequeno jardim,
vendo-a sentada com uma criança ao colo...
Ah! somente aqueles que sentiram na vida uma profunda e irremediável
saudade poderão compreender o alarme de meu espírito naquela hora de
reencontro!...
Mas, assim que me percebeu, conchegou a criança ao coração e fugiu,
espavorida...
Eu devia ser aos seus olhos um fantasma repelente a regressar do túmulo!
Persegui-a, porém, até que a vi penetrando um quarto humilde... Observei-a,
ajustando-se ao corpo de carne, tal qual a mão em se colando à luva...
Entendi, sem palavras, a nova situação.
Enlaçada a um homem que lhe partilhava o leito, reconheci, sem explicações
verbais, que o filhinho nascituro era meu velho rival e que o homem desconhecido
era-lhe agora o esposo, outro adversário que me cabia vencer.
O ódio passou a estourar-me o crânio.
O cheiro acre e fedentinoso de sangue novamente me ensandeceu.
Beijei-a, delirando em transportes de amor não correspondido, e consegui
instilar-lhe aversão pelo marido e pelo filho recém-nato.
Queria matá-la... desejava que ela vivesse novamente para mim... pretendia
sugar-lhe os eflúvios do coração...
E, durante muitos dias, permaneci naquela casa, desvairado e irresponsável,
envenenando a própria medicação que lhe era administrada...
Consegui dominá-la até o dia em que foi conduzida a um círculo de orações...
E, nesse círculo, vossos amigos me encontraram... Encontraram-me e
trouxeram-me a esta casa...
Com os ensinamentos que me dirigiram, a câmara do crime desapareceu de
minha imaginação... Todas as idéias estagnadas que me limitavam o pensamento,
qual se eu fora o próprio remorso num casulo infernal, desfizeram-se, de pronto,
como escamas de lodo que, em se desintegrando, me libertaram o espírito...
Desde então, fui admitido em uma escola...
Transcorridos seis meses, tornei ao lar que eu me propunha destruir,
transformado pelas lições dos instrutores que vos orientam o santuário.
Novos sentimentos me vibravam no coração.
Compadeci-me daquela que sofria tanto e que tanto se esforçava por reabilitar-
se perante a Lei!
Contemplei-lhe o filhinho e o esposo, tomado de viva compaixão...
Achava-me renovado...
Compreendi então convosco que o coração humano - concha divina - pode
guardar consigo todos os amores...
Observei a extensão de minhas faltas e voltarei àcarne em dias breves!
Aquela por quem me perdi ser-me-á devotada mãe... Terei um pai humilde,
generoso e trabalhador, abençoando-me o restabelecimento moral, e, em meu
irmão, já renascido, encontrarei não mais o antagonista, mas o companheiro de
provação com quem restaurarei o destino...
Ante o coração que me estimula a esperança, não mais direi: - "mulher que eu
desejo"! e sim "mãezinha querida!..
Nossos sentimentos pairarão em esfera mais alta e de seus lábios aprenderei,
de novo, as sublimes palavras: - "Pai Nosso, que estás no Céu..."
Fitar-lhe-ei nos olhos o celeste horizonte e, trabalhando, enxergarei feliz a senda
libertadora...
Ah!... entendereis comigo semelhante ventura?
Creio que sim.
Partirei, desse modo, não para a companhia dos anjos, mas para o convívio dos
homens, refazendo meu próprio caminho e regenerando a própria consciência.
E, abraçando-vos com afetuosa gratidão, saúdo em Nosso Senhor Jesus-Cristo
a fé que nos reúne!...
Terra - abençoado mar de lutas...
Carne - navio da salvação!
Lar - templo de luz e trabalho...
Mãe - santuário de amor!...
Meus amigos, até amanhã!
Bendito seja Deus.

José Gomes


53
A ORAÇÃO

A nossa reunião da noite de 17 de março de 1955 caracterizou-se pelo esforço
assistencial intensivo. Entidades desencarnadas, em lamentável desequilíbrio,
reclamaram-nos grande atenção... E, muitas vezes, fomos constrangidos à prece
para melhor assimilarmos o auxílio dos nossos Benfeitores do Alto.
Finalizando as nossas tarefas, Meimei compareceu, através do médium,
reconfortando-nos com bondade.
- "Meus irmãos - disse a nossa companheira -, todos partilhamos o
contentamento da nossa noite de serviço e, quanto nos é possível, estamos
colaborando para que fluídos restauradores nos controlem o ambiente, restituindo-
lhe o equilíbrio físico, indispensável à luta redentora em que nos situamos. Pedimos
mais alguns instantes de silêncio e harmonia mental, pois estamos com a visita do
nosso amigo Amaral Ornellas, que algo nos dirá, relativamente à oração."
Retirou-se Meimei e o nosso irmão mencionado, operando imediata
transfiguração do médium, ocupou-lhe os recursos psicofônicos e, de pé, depois de
ligeira saudação, pronunciou o significativo soneto que transcrevemos.

A ORAÇÃO

A princípio, é um rumor do coração que clama,
Asa leve a ruflar da alma que anseia e chora...
Depois, é como um círio hesitante da aurora,
Convertendo-se, após, em resplendente chama...

Então, ei-la a vibrar como estrela sonora!
É a prece a refulgir por milagrosa flama,
Glória de quem confia e poder de quem ama,
Por mensagem solar, cindindo os céus a fora...

Depois, outro clarão do Além desce e fulgura.
É a resposta divina aos rogos da criatura,
Trazendo paz e amor em fúlgidos rastilhos!...

Irmãos, guardai na prece o altar do templo vosso!
Através da oração, nós bradamos: - "Pai Nosso!"
E através dessa luz, Deus responde: - "Meus filhos!"

Amaral Ornellas


54
CONCENTRAÇÃO MENTAL

Na noite de 24 de março de 1955, recolhemos, de novo, a palavra do nosso
amigo espiritual André Luiz, que nos falou com respeito à concentração mental.

Amigos, muito se fala em concentração mental.
Círculos de fé concentram-se em apelos intempestivos ao Cristo.
Concentram-se companheiros de ideal com impecável silêncio exterior,
sustentando inadequado alarido interno.
No entanto, é forçoso indagar de nós mesmos que recursos estaremos
reunindo.
Simplesmente palavras ou simplesmente súplicas?
Sabemos que o justo requerimento deve apoiar-se no direito justo.
Situando a cabeça entre as mãos, é imprescindível não esquecer que nos cabe
centralizar em semelhante atitude os resultados de nossa vida cotidiana, os
pequeninos prêmios adquiridos na regeneração de nós mesmos e as vibrações que
estamos espalhando ao longo de nosso caminho.
É por isso que oferecemos, despretensiosamente, aos companheiros, alguns
lembretes, que consideramos de importância na garantia de nossa concentração
espiritual.
1º - Não olvide, fora do santuário de sua fé, o concurso respeitável que
compete a você dentro dele.
2º - Preserve seus ouvidos contra as tubas de calúnia ou da maledicência,
sabendo que você deve escutar para a construção do bem.
3º - Não empreste seu verbo a palavras indignas, a fim de que as sugestões da
Esfera Superior lhe encontrem a boca limpa.
4º - Não ceda seus olhos à fixação das faltas alheias, entendendo que você foi
chamado a ver para auxiliar.
5º - Cumpra o seu dever cada dia, por mais desagradável ou constrangedor lhe
pareça, reconhecendo que a educação não surge sem disciplina.
6º - Aprenda a encontrar tempo para conviver com os bons livros, melhorando
os próprios conhecimentos.
7º - Não se entregue à cólera ou ao desânimo, à leviandade ou aos desejos
infelizes, para que a sua alma não se converta numa nota desafinada no conjunto
harmonioso da oração.
8º - Caminhe no clima do otimismo e da boa-vontade para com todos.
9º - Não dependure sua imaginação no cinzento cabide da queixa e nem
mentalize o mal de ninguém.
10º - Cultive o auxílio constante e desinteressado aos outros, porque, no
esquecimento do próprio "eu", você poderá então concentrar as suas energias
mentais na prece, de vez que, desse modo, o seu pensamento erguer-se-á,
vitorioso, para servir em nome de Deus.

André Luiz


55
LEMBRANDO ALLAN KARDEC

Na noite de 31 de março de 1955, na parte final de nossas tarefas, a
instrumentação mediúnica foi ocupada pelo Espírito Leopoldo Cirne, o grande
paladino do Espiritismo no Brasil, que, com fervoroso entusiasmo, exaltou a
imorredoura figura do Codificador de nossa Doutrina.
Relembrando Allan Kardec, Cirne convida-nos, a todos nós que Integramos a
comunidade espírita, ao estudo metódico das obras kardequianas, que sintetizam o
roteiro das verdades eternas.

Meus amigos, seja conosco a paz do Senhor Jesus.
Celebrando hoje a coletividade espírita o octogésimo sexto aniversário da
desencarnação de Allan Kardec, será justo erguer um pensamento de carinho e
gratidão, em homenagem ao Codificador de nossa Doutrina, cujo apostolado nos
religou ao Cristianismo simples e puro, descortinando amplos rumos ao progresso
da Humanidade.
Recordando-lhe a memória, não refletimos apenas no alvião renovador que a
sua obra representa na desintegração dos quistos dogmáticos que se haviam
formado no mundo pelos absurdos afirmativos da religião e pelos absurdos
negativos da ciência, mas, também, na luz de esperança que o seu ministério vem
constituindo, há quase um século, para milhões de almas que vagueavam perdidas
nas trevas do materialismo, entre o desânimo e a desesperação.
O Espiritismo marcha vitoriosamente na Terra, traçando normas evolutivas e
colaborando, por isso, na edificação do mundo novo; entretanto, nas elevadas reali-
zações com que se exorna, particularmente em nosso vasto setor de ação no Brasil,
é imperioso não esquecer o apóstolo que, muitas vezes, entre a hostilidade e a in-
compreensão, batalhou e sacrificou-se para ser fiel ao seu augusto destino.
Saudando-lhe a missão venerável, pedimos vênia para sugerir, por vosso
intermédio, a todos os cultivadores de nosso ideal, localizados em nossas múltiplas
arregimentações doutrinárias, a criação de núcleos de estudo das lições basilares
da Codificação, com o aproveitamento dos companheiros mais entusiastas, sinceros
e responsáveis, em nosso movimento libertador, a fim de que as atividades
tumultuárias, seja na composição do proselitismo ou no socorro às necessidades
populares, não abafem a voz clara e orientadora do princípio.
Na distância de oitenta e seis quilômetros, além do nascedouro, a fonte estará
inevitavelmente contaminada pelos elementos estranhos que se lhe agregam ao
corpo móvel.
Não nos descuidemos, assim, da corrente cristalina do manancial de nossas
diretrizes, instituindo cursos de análise e meditação dos livros kardequianos para
todos os aprendizes de boa-vontade.
Estudemos e trabalhemos, amemo-nos e instruamo-nos, para melhorar a nós
mesmos e para soerguer a vida que estua, soberana, junto de nós.
A obra gloriosa do Codificador trouxe, como sagrado objetivo, a recuperação do
amor e da sabedoria, da fraternidade e da justiça, da ordem e do trabalho, entre os
homens, para a redenção do mundo.
Não lhe olvidemos, pois, a salvadora luz e, acendendo-a em nosso próprio
espírito, repitamos reconhecidamente:
- Salve Allan Kardec!
Leopoldo Cirne

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